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Dólar cai a R$ 5,404 com expectativa de alta dos juros; Bolsa sobe

Rick Wilking/Reuters
Imagem: Rick Wilking/Reuters

Do UOL*, em São Paulo

11/11/2021 17h26

O dólar comercial caiu 1,74% hoje e terminou o dia cotado a R$ 5,404 na venda —o menor valor em mais de um mês, desde que fechou a R$ 5,369 em 1º de outubro. Esta foi também a maior queda diária desde 9 de setembro (-1,85%). O bom desempenho da moeda brasileira acontece em meio a expectativas crescentes de que o Banco Central endurecerá o ritmo de seu aperto monetário e de otimismo em relação ao avanço da PEC dos Precatórios no Congresso.

Entre as principais moedas globais, o real apresentou, com folga, o melhor desempenho em relação ao dólar nesta sessão.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) fechou com alta de 1,54%, aos 107.594,67 pontos.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Aperto monetário

A movimentação desta quinta-feira vem depois de, na véspera, o real ter apresentado desempenho muito superior ao de alguns de seus principais pares emergentes, apesar da disparada internacional do dólar na esteira de dados de inflação mais fortes do que o esperado dos Estados Unidos.

Investidores atribuíram a resiliência recente da divisa brasileira a expectativas de que o Banco Central pode intensificar seu atual ritmo de elevação de juros, uma vez que dados domésticos sobre os preços ao produtor continuam a surpreender para cima.

Na quarta-feira, o IBGE informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,25% em outubro, após alta de 1,16% no mês anterior, alcançando a maior variação para o mês desde 2002 (1,31%). Em 12 meses, a alta foi de 10,67%, resultado mais forte desde janeiro de 2016 (+10,71%).

"Nossa avaliação é que o Banco Central precisa acelerar o ajuste da política monetária para evitar perder totalmente o controle sobre as expectativas, que já sinalizam perda da meta para a inflação em 2022", disse a Genial Investimentos em nota.

A meta de inflação para o ano que vem é de 3,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A taxa Selic está atualmente em 7,75% ao ano, após o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC promover alta de 150 pontos-base em seu último encontro.

Juros mais altos tendem a tornar o mercado de renda fixa doméstico mais atraente, consequentemente elevando a demanda pelo real.

PEC dos Precatórios

Investidores também estão de olho no noticiário em torno da PEC dos Precatórios. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que ficará a cargo da relatoria da proposta na Casa, afirmou acreditar que há chances de senadores manterem o texto aprovado pela Câmara. Ele não descartou, no entanto, que possa ser aprimorado.

Aprovada em segundo turno na terça-feira pela Câmara, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) modifica a regra de pagamento dos precatórios —dívidas do governo cujo pagamento foi determinado pela Justiça— e altera o prazo de correção do teto de gastos pelo IPCA.

Em relatório desta quinta-feira, o Bradesco disse que "a aprovação da PEC dos Precatórios na Câmara removeu parte das incertezas do cenário fiscal, mesmo com o prosseguimento da proposta no Senado, o que ajuda a explicar também a dinâmica dos mercados locais, especialmente curva de juros e taxa de câmbio."

*Com Reuters

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