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Dólar emenda 4ª alta, a R$ 5,57, em meio a incertezas fiscais; Bolsa cai

Mesmo com o resultado de hoje, o dólar ainda registra perdas de 1,35% frente ao real em novembro - Getty Images/iStockphoto
Mesmo com o resultado de hoje, o dólar ainda registra perdas de 1,35% frente ao real em novembro Imagem: Getty Images/iStockphoto

Do UOL, em São Paulo

18/11/2021 17h23Atualizada em 18/11/2021 18h22

O dólar fechou a quinta-feira (18) em alta de 0,83%, cotado a R$ 5,57 na venda, à medida que o mercado avalia — com pessimismo — as perspectivas fiscais do Brasil para 2022. É o quarto dia seguido de ganhos para a moeda americana, que ontem já havia registrado valorização de 0,45% frente ao real.

O Ibovespa, por sua vez, chegou a sua quarta baixa consecutiva, sendo três delas acima de 1%. Hoje, o tombo foi de 0,51%, levando o principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) aos 102.426 pontos — menor patamar em mais de um ano, desde 6 de novembro de 2020 (100.925,11 pontos).

Mesmo com o resultado da sessão, o dólar ainda registra perdas de 1,35% frente ao real em novembro, enquanto o Ibovespa acumula queda de 1,04%. No ano, porém, a moeda americana tem valorização de 7,35% e o indicador, baixa de 13,94%.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Mercado analisa propostas

Investidores passaram a considerar que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos Precatórios seria a opção viável para que o governo pague auxílio de R$ 400 às famílias mais vulneráveis em 2022 sem levar ao descontrole das contas públicas, embora continue sendo vista como prejudicial à credibilidade fiscal do Brasil por mudar regras do teto de gastos.

Mas temores de adoção de "planos B" pelo governo para financiar mais gastos persistem, enquanto um texto alternativo à PEC, apresentado ontem por três senadores, desagradou o mercado.

"Isso indicaria que o país não tem liquidez para honrar suas obrigações", disse à Reuters Lucas Schroeder, diretor de operações da Câmbio Curitiba, citando preocupações do mercado com a trajetória da dívida pública no longo prazo. Além disso, continuou, "a imprevisibilidade pesa", uma vez que não há perspectivas claras sobre qual versão da PEC será aprovada pelo Congresso.

O que é a PEC dos Precatórios?

A PEC dos Precatórios é vista por alguns participantes do mercado como a alternativa menos danosa à saúde fiscal do país em meio à pressão do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) por mais gastos com benefícios sociais em 2022, ano em que o presidente deve tentar a reeleição.

Além de adiar o pagamento de precatórios — dívidas judiciais da União —, a PEC também muda a dinâmica do teto de gastos. O texto prevê que o limite seja determinado não mais pela inflação acumulada em 12 meses até junho do ano anterior, como é hoje, mas pela taxa apurada nos 12 meses até dezembro do ano anterior.

Na prática, as mudanças trazidas pela PEC abrem espaço de R$ 91,6 bilhões para gastos em 2022, segundo o governo federal. Essa "folga" no Orçamento do ano que vem viabilizaria o pagamento do Auxilio Brasil, substituto do Bolsa Família. O novo programa prevê pagar R$ 400 a famílias vulneráveis até o fim de 2022 — ano de eleição —, e, por isso, é considerado como "eleitoreiro" pela oposição.

A proposta já passou por duas votações na Câmara. Na primeira, teve 312 votos favoráveis e 144 contrários; na segunda, o placar foi de 323 a 172. O mínimo necessário era 308.

Agora, o texto vai para o Senado, onde precisa de pelo menos 49 votos favoráveis, também em dois turnos, para entrar em vigor.

(Com Reuters)

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