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Dólar cai 5,35% na semana e fecha a R$ 4,747; Bolsa emenda 8º dia de alta

Yuriko Nakao/Reuters
Imagem: Yuriko Nakao/Reuters

Do UOL, em São Paulo

25/03/2022 17h28

O dólar comercial fechou em queda pelo oitavo dia seguido nesta sexta-feira (25), de 1,75%, cotado a R$ 4,747 na venda. É o menor valor do dólar em mais de dois anos, desde 11 de março de 2020 (R$ 4,723), e a maior perda diária em três meses, desde 30 de dezembro (-2,06%). Com isso, a moeda encerrou a semana com desvalorização de 5,35%, no quarto recuo semanal seguido. É a maior queda semanal em um ano e quatro meses, desde 6 de novembro de 2020 (-6,01%).

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o dia quase estável, aos 119.081,13 pontos, com leve alta de 0,02%, no oitavo avanço seguido. É o maior nível da Bolsa em seis meses, desde 1º de setembro (119.395,60 pontos). Na semana, a Bolsa ganhou 3,27%, emendando a segunda alta semanal consecutiva.

A desvalorização da moeda e a alta da Bolsa ocorre em meio ao constante fluxo de investimentos estrangeiros para o Brasil, com o aumento da taxa básica de juros, a Selic.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Tendência de queda do dólar se consolida

Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, disse à Reuters que a tendência de desvalorização do dólar tem se consolidado cada vez mais. "Está virando um movimento mais longo, não de apenas uma semana ou outra", declarou.

Por trás disso está, entre outros fatores, a disparada dos preços de várias commodities (matérias-primas), do milho ao petróleo, desde o final de fevereiro, quando o início da guerra na Ucrânia levantou temores globais de interrupção da oferta desse tipo de produto.

"Com as commodities em alta e a interrupção das cadeias de suprimento, o fluxo internacional começa a olhar para países exportadores, e se destacam Brasil, África do Sul, Colômbia, entre outros", afirmou o estrategista.

O alto diferencial entre os custos dos empréstimos do Brasil e de economias avançadas é combustível adicional para o real, já que torna a moeda local interessante para estratégias que buscam lucrar com a tomada de empréstimo num país de juro baixo e aplicar esses recursos num mercado com rendimentos elevados.

"Os investidores estrangeiros vão olhar também quem está com a taxa de juros mais atraente: o Brasil, que ficou muito à frente do resto em relação ao aperto monetário [alta dos juros]", disse Cruz.

A taxa básica de juros está atualmente em 11,75%, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicou na quinta-feira (24) que o banco encerrará seu ciclo de elevação dos juros em maio, com umento de 1 ponto percentual.

No entanto, algumas instituições financeiras e participantes do mercado projetam altas adicionais da Selic para além da próxima reunião do BC, uma vez que dados de inflação domésticos têm surpreendido para cima.

Nesta sexta-feira, o IBGE informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação, ficou em 0,95% neste mês. O resultado foi o maior para março desde 2015 (1,24%), e ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters, de alta de 0,87%.

Cruz disse enxergar espaço para desvalorização do dólar a patamares próximos dos observados em 2019, em torno de R$ 4,40 e até R$ 4,30, mas alertou que não é um preço que deve se manter até o final do ano, já que as eleições presidenciais de outubro devem elevar a cautela entre os investidores.

*Com Reuters

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