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Após queda de manhã, dólar sobe e fecha a R$ 4,787; Bolsa encerra em alta

Dado Ruvic/Reuters
Imagem: Dado Ruvic/Reuters

Do UOL, em São Paulo

30/03/2022 17h25

Depois de apresentar baixa na manhã desta quarta-feira (30), o dólar se recuperou e fechou o dia com ganho de 0,62%, cotado a R$ 4,787. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), teve alta de 0,20% e encerrou aos 120.259,76 pontos —maior valor de fechamento desde 27 de agosto de 2021, quando encerrou em 120.677,60 pontos.

Em meio à troca de gestão na Petrobras, as ações da estatal novamente ajudaram na subida da Bolsa. No horário do fechamento do pregão (17h, horário de Brasília), a PETR4 era a ação mais negociada do dia, com alta de 1,98% e cotada a R$ 32,94. Com valorização de 1,77%, a PETR3 estava sendo negociada a R$ 35,11.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Tendência de oscilação

Com o dólar em baixa pela manhã, especialistas já alertavam que a tendência do dia era o sobe e desce da moeda. Ariane Benedito, economista da CM Capital, disse à Reuters que esse comportamento estava em linha com a fraqueza internacional do dólar, cujo índice frente a uma cesta de rivais fortes caía 0,44% nesta manhã. A divisa norte-americana também perdia terreno contra moedas consideradas arriscadas, como rand sul-africano, peso mexicano e dólar neozelandês.

Ela afirmou, no entanto, que havia possibilidade de oscilação ao longo da sessão, devido à agenda carregada de indicadores. Nesta manhã, foram divulgados dados sobre o emprego e o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos e preços ao produtor no Brasil.

O dólar já havia registrado perdas generalizadas na véspera, quando conversas em Istambul (Turquia) geraram promessas russas de redução de suas operações militares em torno de Kiev e da cidade de Chernihiv, enquanto a Ucrânia propôs um status de neutralidade que poderia ser um passo em direção a cessar-fogo.

No entanto, "parece que sempre começamos o dia muito otimistas e terminamos o dia sem resolução concreta" do conflito, disse Benedito. "Passa-se a duvidar de avanços no curto prazo; o mercado aguarda ansioso um desenrolar mais otimista, mas, como o histórico não é esse, ele volta para a precificação de alta dos preços do petróleo e de commodities agrícolas."

Isso por sua vez, tem beneficiado o real e outras moedas de países emergentes exportadores de commodities desde o início da guerra, conforme investidores estrangeiros buscam alternativas para a compra de produtos cuja oferta tende a ser interrompida pelos desdobramentos na Ucrânia. A América Latina é considerada especialmente atraente, por ser região menos vulnerável à tensão geopolítica.

Além de ter aproveitado a disparada dos custos de insumos básicos, o real tem sido beneficiado por um prêmio de risco mais atraente —com a taxa Selic agora em 11,75%—, surpresas positivas em dados fiscais recentes e bom desempenho de empresas locais. "Tudo isso fortalece o real e abre espaço para termos uma taxa de câmbio ainda menor", disse Benedito, que enxerga os 4,50 por dólar como possível resistência para a moeda brasileira.

Ela disse enxergar riscos —ainda que pouco prováveis para a recente tendência de apreciação do real, que poderia ser interrompida no caso de piora muito significativa nas tensões geopolíticas ou de maior agressividade do que o esperado do banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, em seu ciclo de aperto monetário.

Até agora no ano, o dólar cai quase 15% frente ao real, que é líder de desempenho global no período.

*Com Reuters

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