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Dólar sobe 0,33%, a R$ 4,890; Bolsa cai 1,55% com preocupação fiscal

Dólar - Getty Images
Dólar Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo*

08/06/2022 17h28Atualizada em 08/06/2022 17h32

Nesta quarta-feira (8), o dólar subiu 0,33% e fechou cotado a R$ 4,890. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores (B3), índice de referência do mercado acionário brasileiro, caiu 1,55%, a 108.367,67 pontos.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

A bolsa paulista teve uma sessão negativa enfraquecida ainda por receios com os efeitos fiscais por causa da proposta do governo brasileiro para controlar os preços de combustíveis e viés de baixa em Wall Street. As discussões sobre a desoneração de combustíveis continuam no foco de atenções, uma vez que, apesar de um esperado alívio na inflação, devem provocar um aumento importante nos gastos federais, o que aumenta o risco fiscal do país.

Investidores estrangeiros desconfortáveis com o Brasil

Kaue Franklin, especialista em renda variável da Aplix Investimentos, disse que a disparada "repentina" do dólar na véspera foi provocada principalmente pelo desconforto dos investidores com a situação fiscal do Brasil, e disse que a incerteza se estendia para este pregão, podendo elevar a volatilidade.

O governo do presidente Jair Bolsonaro propôs nesta semana zerar o ICMS sobre gasolina, gás, etanol e diesel em troca de uma redução da carga cobrada pelos entes federativos, que seriam ressarcidos pelo governo federal, medida vista como eleitoreira.

O que mais pesa é o temor de que a compensação paga aos Estados leve o governo a desrespeitar o teto de gastos da União, disse Franklin, o que abalaria a já frágil credibilidade fiscal do país, podendo levar a saídas de capital estrangeiro dos mercados locais.

O teto de gastos, considerado âncora das contas públicas, já foi motivo de angústia para investidores no final do ano passado, quando teve suas regras alteradas sob a PEC dos Precatórios de forma a ampliar o espaço fiscal do governo.

"O dinheiro estrangeiro gosta da estabilidade", disse Franklin. "Se eu vou arriscar (investir num país emergente), preciso arriscar com alguns pontos de segurança, e, com o aumento das incertezas fiscais, (agentes externos) começam a tirar dinheiro novamente. Principalmente com a possibilidade de eventual juro real positivo nos Estados Unidos; o dinheiro vai para lá."

Cenário norte-americano

O banco central norte-americano, o Federal Reserve, já elevou os custos dos empréstimos em 0,75 ponto percentual desde março, e indicou que deve aumentar os juros em 0,50 ponto em cada uma de suas próximas duas reuniões, pelo menos. Isso tende a tornar a dívida do país —a mais segura do mundo— mais rentável, o que, no geral, é visto como fator de impulso para o dólar.

Na sexta-feira, dados de inflação dos Estados Unidos serão avaliados em busca de pistas sobre os próximos passos de política monetária do Fed, que se encontrará na semana que vem para nova fixação dos juros. Franklin disse que a expectativa tanto pelos dados quanto pela reunião do banco central deve manter a volatilidade nos mercados de câmbio elevada.

* Com Reuters

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