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Dólar tem maior alta semanal em 1 ano e fecha a R$ 4,989; Bolsa cai 5,06%

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Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

10/06/2022 17h25Atualizada em 10/06/2022 18h43

O dólar comercial emendou hoje a quinta alta seguida, de 1,49%, e fechou cotado a R$ 4,989 na venda, maior valor em mais de três semanas, desde 16 de maio (R$ 5,052). Com isso, encerrou a semana com avanço de 4,39%, a maior alta semanal em mais de um ano, desde o final de março de 2021 (5,74%).

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), caiu 1,51%, aos 105.481,23 pontos, completando seis dias seguidos de queda. É o menor nível da Bolsa em mais de um mês, desde 11 de maio (104.396,90 pontos). Com o resultado, o índice encerrou a semana com desvalorização de 5,06%, a pior em mais de sete meses, desde outubro de 2021 (-7,28%).

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Inflação nos EUA assustou mercado

O dólar teve forte alta, embora tenha fechado abaixo dos R$ 5, marca que foi atingida ao longo do dia. Dados de inflação norte-americanos mais elevados que o esperado desencadearam temores de aumento maior nos juros pelo banco central dos Estados Unidos.

A moeda começou a ganhar fôlego —tanto no mercado local quanto no internacional— após o Departamento do Trabalho dos EUA informar que seu índice de preços ao consumidor acelerou a alta a 1% em maio, contra 0,3% em abril e expectativa de taxa de 0,7%.

O avanço acumulado em 12 meses foi de 8,6%, o mais intenso desde dezembro de 1981, com os preços da gasolina atingindo um pico recorde.

Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, chamou a atenção para a disparada das taxas dos títulos do governo dos EUA na esteira dos dados de inflação, o que ajudou a impulsionar o dólar e a derrubar as ações globais.

O próximo encontro do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) acontece na semana que vem, nos dias 14 e 15.

Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, disse que a perspectiva de maior aumento nos juros "deixa mais aflorado o sentimento de que a economia (dos EUA) pode entrar num cenário de recessão", o que tende a azedar o apetite por risco dos investidores e levar a fugas de capital de ativos mais arriscados, como moedas de países emergentes.

Juros mais altos nos EUA tendem a atrair para lá recursos hoje investidos em outros países, como o Brasil.

No entanto, com a taxa Selic atualmente em 12,75% e devendo subir para 13,25% na reunião de política monetária do Banco Central da semana que vem, o Brasil também tem juros atraentes, ponderou Izac.

"O Brasil é um país que exporta commodities e taxa de juros; é o que a gente vende para o mundo. Nossa taxa de juros já está bastante alta, e, com a nossa inflação começando a recuar, a gente começa a ver nossa taxa real ficando cada vez mais atraente", disse o especialista.

Inflação no Brasil desacelerou em maio

Dados de quinta-feira mostraram que o IPCA desacelerou a alta a 0,47% em maio, de 1,06% no mês anterior, marcando a taxa mensal mais baixa desde abril de 2021 (+0,31%).

Ao mesmo tempo, com os preços das commodities subindo no mundo inteiro desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, há espaço para resiliência do real ao longo de 2022, apesar dos riscos externos, da aproximação das eleições presidenciais de outubro e de receios fiscais domésticos, completou Izac.

Ele espera que o dólar opere abaixo dos R$ 5 ao longo da maior parte do restante do ano.

*Com Reuters

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