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Bolsa tomba na semana; dólar cai a R$ 5,294, após votação da PEC ser adiada

Rahel Patrasso/Reuters
Imagem: Rahel Patrasso/Reuters

Do UOL, em São Paulo

16/12/2022 17h22Atualizada em 16/12/2022 18h35

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), fechou hoje em queda de 0,85%, aos 102.855,70 pontos. Na semana, a baixa foi ainda maior: 4,34%.

A Bolsa caiu diante de cenário negativo nos mercados internacionais depois de sinalizações duras de bancos centrais pelo mundo nesta semana, em especial o Federal Reserve e o BCE (Banco Central Europeu), enquanto localmente mantinham-se as indefinições de pautas como a PEC da Transição e a Lei das Estatais no Congresso.

O dólar comercial encerrou hoje cotado a R$ 5,294, em queda de 0,41%. Durante a semana, a moeda estrangeira teve crescimento de 0,92%. O mercado repercutiu o adiamento da votação da PEC, inicialmente prevista para a quinta-feira, mas remarcada para a próxima terça-feira (20).

"A resistência que a pauta enfrenta na Câmara aumenta as chances de desidratação do projeto, já que o futuro governo pretende aprová-la ainda este ano e o Congresso entra em recesso na semana que vem", avaliou a Levante Investimentos em nota.

A PEC da Transição, da forma como saiu do Senado, permite a expansão do teto de gastos em R$ 145 bilhões para pagamento do Bolsa Família e o desbloqueio de dotações provisionadas que seriam canceladas até o fim de 2022.

A possibilidade de as alterações na Lei das Estatais que viabilizariam a indicação do petista Aloizio Mercadante à presidência do BNDES serem votadas apenas no ano que vem também oferecia algum alívio ao sentimento de investidores, disse à Reuters Gustavo Sung, analista-chefe da Suno Research.

O analista disse ainda que falas recentes do futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de que o Brasil não está em um momento em que uma expansão fiscal ajudaria a economia, colaboraram para a descompressão de riscos fiscais nos últimos dias.

No entanto, ao contrário de alguns participantes do mercado, Sung enxerga os entraves para a aprovação da PEC da Transição como fonte de incerteza, e não de alívio.

"Se a gente já tivesse definido (os termos finais da PEC), talvez a maior certeza poderia fazer o mercado se ajustar, em vez de ter picos de volatilidade", disse o especialista.

Já no exterior, o dólar tinha pouca alteração contra uma cesta de pares fortes, conforme investidores tentavam avaliar os efeitos dos ciclos de aperto monetário dos principais bancos centrais do mundo.

*Com Reuters