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Dólar e Bolsa caem após aprovação do novo arcabouço fiscal na Câmara

Yuriko Nakao/Reuters
Imagem: Yuriko Nakao/Reuters

Do UOL, em São Paulo

24/05/2023 17h23

O dólar comercial encerrou em baixa de 0,37%, cotado a R$ 4,954.

Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), fechou em queda de 1,03%, aos 108.799,54 pontos.

O que aconteceu:

Investidores digeriam a aprovação do texto-base do arcabouço fiscal na Câmara dos Deputados, embora o impasse sobre o teto da dívida dos Estados Unidos mantivesse a demanda por segurança no mundo. Mercado também aguarda a ata do Federal Reserve.

O Ibovespa caiu em meio ao cenário externo desfavorável, à medida que as negociações para elevar o teto da dívida norte-americana se arrastam.

As perdas da Bolsa estavam em linha com o recuo dos três principais índices de Wall Street, depois que representantes do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e dos republicanos do Congresso norte-americano encerraram outra rodada de negociações sobre o teto da dívida na terça-feira sem sinais de avanço.

Arcabouço fiscal

A Câmara dos Deputados aprovou o texto-base da regra fiscal ontem, por 372 votos favoráveis e 108 contrários, após ajustes de última hora feitos no texto pelo relator Cláudio Cajado (PP-BA) para tornar menos generosa a regra de gastos em 2024. "Saiu uma regra mais dura versus algumas preliminares", avaliou Marco Caruso, economista-chefe do Banco Original.

Hoje, os deputados analisam os destaques que podem mudar o texto da nova regra fiscal. Se aprovados e, após isso, a matéria irá ao Senado. Entenda o arcabouço fiscal em três pontos aqui.

A proposta é considerada vital para o crescimento da economia. Com o controle de gastos do governo, a dívida não cresce de forma desordenada. Isso encoraja empresários a investir e pode levar à queda da taxa de juros.

Como o mercado reagiu

Especialistas do mercado aprovaram proposta, mas ainda há muito trabalho pela frente. "Ainda há muito mais para se tratar, principalmente a execução desse projeto, para ver se isso vai ser alcançado", diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.

Ainda não é o suficiente. Para Étore Sanchez, da Ativa Investimentos, arcabouço é aprovado com texto "melhor" do que o do governo, mas ainda não garante a sustentabilidade entre gastos e receitas do governo. Também não promove uma redução imediata dos gastos, pelo contrário, por ter uma regra de transição válida para 2024. "Permite que haja um reajuste real em cima de uma base já dilatada pela PEC de transição", diz Sanchez.

Foco agora está nas receitas do governo. A regra de contenção de gastos depende das receitas.

Reforma tributária é o próximo passo. A aprovação da reforma tributária no segundo semestre é importante para endereçar como o governo irá lidar com suas receitas, diz Spiess.

Impasse nos EUA

A queda no dólar é registrada também em meio ao impasse sobre o teto da dívida dos Estados Unidos. Investidores estrangeiros também estão de olho na ata do Fed, o Banco Central americano, sobre como ele deve conduzir os juros daqui para a frente, diz Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest.

Investidores estão apreensivos com o cenário nos EUA. Por lá, também está em discussão um teto para a dívida do governo. "Ainda não há solução e os mercados estão mais estressados com isso. As Bolsas também estão em queda lá fora", diz Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial (saiba mais clicando aqui). Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Com informações da Reuters