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24/11/2010 - 16h49 / Atualizada 24/11/2010 - 17h32

Após 3 altas seguidas, dólar cai 0,69% e vai a R$ 1,723

Da Redação, em São Paulo

Após três altas seguidas, a cotação do dólar comercial fechou em queda de 0,69% nesta quarta-feira (24), a R$ 1,723 na venda.

No mês, a moeda norte-americana ainda acumula ganho de 1,17%. No ano, porém, tem queda de 1,15%.

O Banco Central (BC) manteve as atuações diárias no câmbio e voltou a comprar dólar em leilão no mercado à vista. A taxa de corte foi de R$ 1,729.

"Basicamente (a queda do dólar) foi por causa dos dados que saíram sobre a economia norte-americana. A consequência disso é a alta das Bolsas de Valores, e esse cenário de maior apetite por risco ajudou na baixa do dólar aqui", disse Mario Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora, à agência de notícias Reuters.

Entre os dados, os pedidos de auxílio-desemprego recuaram à mínima em mais de dois anos na semana passada, enquanto o gasto do consumidor subiu em outubro.

Tal pano de fundo favoreceu ingressos de recursos ao mercado doméstico, segundo três operadores ouvidos pela Reuters. De acordo com um deles, "não foi nada demais, mas o suficiente para fazer o dólar cair".

Battistel, da Fair Corretora, notou ainda que a trajetória descendente da moeda norte-americana pôde ser atribuída também às perspectivas de maior rentabilidade nas aplicações domésticas, em meio ao aumento das apostas numa alta da taxa básica de juros (a Selic) no início do próximo ano.

"Não tenho dúvidas de que esse fator também é monitorado pelo pessoal. Com uma alta do juro os rendimentos das aplicações no Brasil, que já são altos, vão ficar ainda maiores, e isso é um atrativo a mais", avaliou.

A Selic está atualmente em 10,75% ao ano, e a aceleração em recentes índices de preços vem reforçando a avaliação de que o Banco Central será obrigado a aumentar o juro básico, com as apostas majoritárias se concentrando numa elevação no primeiro trimestre de 2011.

Equipe econômica

O mercado de câmbio seguiu atento ainda à definição da equipe econômica do governo Dilma Rousseff. À tarde, Dilma anunciou formalmente o nome dos integrantes, com Guido Mantega no Ministério da Fazenda, Alexandre Tombini como presidente do Banco Central e Miriam Belchior no Ministério do Planejamento.

Embora considere que os ruídos políticos estão concentrados no mercado de juros futuros, a analista Flavia Cattan-Naslausky da RBS Securities considerou em nota que o segmento de câmbio não está incólume às incertezas com o próximo governo, citando o forte suporte da cotação em torno de R$ 1,70, que vem dificultado a queda da moeda abaixo desse patamar.

"Isso sugere alguma resiliência na volatilidade no curto prazo, mas também reforça o peso da decisão de Dilma sobre sua equipe econômica e do Banco Central em particular em termos de uma reação mais ampla no mercado de recursos de curto prazo que poderia ter um impacto maior no câmbio", escreveu.

(Com informações da Reuters)

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