! OGX, de Eike Batista, começa a produzir petróleo; ações têm forte alta - 01/02/2012 - UOL Economia - Cotações
 

01/02/2012 - 13h06 / Atualizada 01/02/2012 - 16h30

OGX, de Eike Batista, começa a produzir petróleo; ações têm forte alta

Do UOL, em São Paulo

Depois de vários adiamentos, teve início nesta terça-feira (31) a produção da OGX (OGXP3), do empresário Eike Batista.

Nesta quarta (1º), os papéis da empresa operam com alta acentuada. Por volta das 16h30, a ação tinha valorização de 5,20%, a R$ 17,41.

O primeiro óleo da maior petroleira privada do país, que faz parte do conjunto de empresas do Grupo EBX, foi extraído às 18h39 no campo de Waimea, na bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro, a partir da plataforma OSX-1, adaptada em Cingapura. 

"Houve um momento em que o mercado chegou a duvidar se a OGX conseguiria produzir o primeiro barril no começo deste ano e as ações da empresa tiveram queda. Mas, nas últimas semanas, as ações tiveram desempenho muito bom, porque o mercado está vendo que não vai ficar só no papel", disse Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

A projeção para o início da produção já tinha sido adiada algumas vezes: a previsão inicial era para entre setembro e outubro; a data foi mudada para dezembro e, mais tarde, para 23 de janeiro. 

A empresa havia iniciado o procedimento para produção no poço OGX-26HP no sábado (28), e agora inícia a produção no seu TLD (Teste de Longa de Duração), marcando o início de geração de caixa da companhia.

Volume de produção

De início, a estimativa da empresa é produzir uma média de 15 mil a 20 mil barris por dia.

Cinco meses após o início do chamado TLD (Teste de Longa Duração), a expectativa é aumentar o volume para entre 45 mil e 50 mil barris diários, com a interligação de mais dois poços produtores à plataforma de extração.  

O petróleo produzido nessa fase inicial será vendido à Shell. A OGX fechou com a petroleira anglo-holandesa a venda de 1,2 milhão de barris de petróleo, quantidade que deve ser divida em dois carregamentos de 600 mil barris.

Esta semana, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) autorizou a OGX a exportar petróleo. Eike Batista estima que as exportações poderão chegar a US$ 40 bilhões em 2015, e a US$ 60 bilhões até 2020.

Produção começa em tempo recorde

O início da produção da OGX ocorre em dois anos e dois meses, tempo recorde. O campo foi descoberto em dezembro de 2009.

"O primeiro óleo da OGX representa a quebra de mais um paradigma na indústria do petróleo e evidencia a velocidade de execução e o foco em resultados do Grupo EBX", afirmou Eike Batista, presidente do conselho de administração e diretor-presidente da companhia, em comunicado. 

"Em menos de três anos ela está começando a produzir o primeiro barril de petróleo, o que é um prazo bastante rápido em se tratando de produzir petróleo no mar", afirma Pires. Segundo ele, o prazo médio da compra de um bloco até o início da produção costuma ficar entre cinco ou seis anos.

"Acredito que um dos méritos da empresa foi ter contratado profissionais qualificados", afirma Pires. Muitos atuavam, antes, na Petrobras.

Meta de produção diária é ambiciosa

A fase inicial --o chamado TLD (Teste de Longa Duração)-- servirá para confirmar a capacidade diária de produção do campo. Para o diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo e ex-diretor da Petrobras, Ildo Sauer, a meta da empresa é ambiciosa.

"São raros os poços que começam com produção de 20 mil barris por dia e aumentam sua produção sem mecanismos de injeção de pressão no reservatório", diz.

Para Sauer, o prazo curto do início da produção também é surpreendente.

"No contexto brasileiro e mundial, trata-se de uma trajetória meteórica", diz.

"Adiamentos acontecem. Mas, tantos quanto a OGX fez, talvez seja típico de uma empresa que tentou acelerar muito. O fato é que se criou muito expectativa em torno desta extração e a indústria do petróleo é repleta de incertezas, inclusive em seus detalhes operacionais."

Retorno rápido

Criada em 2007 por Eike, a OGX nasceu com a aquisição de dezenas de blocos exploratórios em várias bacias brasileiras, entre os quais o que deu origem a Waimea.  

Com metas ambiciosas para serem alcançadas em pouco tempo, a empresa logo conquistou o interesse de investidores, como demonstrou a oferta pública de ações que angariou R$ 6,7 bilhões em 2008, no ano seguinte à sua criação. 

Atuante nas bacias de Campos, Santos, Parnaíba e Espírito Santo, a empresa alcançou 90 por cento de sucesso exploratório em suas atividades, um percentual três vezes superior ao da média mundial.  

Depois de Waimea, a OGX deve desenvolver, na mesma região da bacia de Campos, a descoberta de Waikiki, que deve começar a produzir até 2013. 

(Com Reuters e Valor Econômico)

Veja mais