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08/10/2008 - 09h22

BCs do mundo cortam juros em ação inédita; efeito é incerto, prevê Fed

Da Redação
Em São Paulo
Texto atualizado às 11h47

Os principais bancos centrais do mundo decidiram reduzir suas taxas básicas de juros nesta quarta-feira, em uma ação emergencial conjunta sem precedentes.

No entanto, há "grande nível de incerteza" sobre o efeito dessas medidas, segundo a unidade da Filadélfia do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos).

A autoridade monetária americana, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra cortaram, cada um, 0,5 ponto percentual em suas taxas básicas. A instituição dos EUA baixou de 2% ao ano para 1,5%; a européia, de 4,25% para 3,75%; a britânica, de 5% para 4,5%.

"Em razão da crise financeira atual, os bancos centrais estão comprometidos em consulta contínua e estão cooperando em ações conjuntas sem precedentes como a oferta de liquidez para diminuir as tensões nos mercados financeiros", declarou o Fed em nota em sua página eletrônica.

Hong Kong reduziu o juro básico em 1 ponto percentual, maior corte desde que o território começou a usar essa taxa, há uma década. Economistas disseram que o movimento, que entra em vigência na quinta-feira, não será suficiente para impulsionar a frágil economia local. Mesmo após o corte no juro, o índice Hang Seng, referência da Bolsa de Hong Kong, despencou 8,2%.

Também cortaram a taxa de juro em 0,5 ponto percentual o Banco do Canadá, o BC da Suécia e o Banco Nacional Suíço. O Banco do Japão, segundo o Fed, expressou forte apoio a essas ações de política monetária, mas disse que não podia se permitir corte nas taxas, que já estão em 0,5%.

O banco central chinês, que não integra oficialmente a medida conjunta, se uniu no entanto a ela e decidiu também reduziu suas taxas para empréstimos a um ano.

Os cortes ocorrem um dia depois de seis bancos centrais, incluindo o Fed e o Europeu, anunciaram um calendário de leilões por meio dos quais serão feitas injeções de dólares nos sistemas financeiros. Na terça-feira, o BC da Austrália reduziu sua taxa básica em 1 ponto.

"A ação inédita desta quarta-feira obedece à recente intensificação da crise financeira", segundo comunicado publicado pelo BCE. A crise aumentou os riscos para o crescimento e reduziu os riscos altistas para a estabilidade dos preços, acrescentou.

O BCE, no entanto, mostra-se ainda preocupado com a inflação. Disse que "continua sendo imperativo evitar os efeitos da segunda rodada", ou seja, os riscos de uma espiral inflacionária provocada sobretudo por aumentos de salários.

No Reino Unido, além do corte no juro básico foi anunciado um pacote de 50 bilhões de libras (US$ 88 bilhões) para o sistema bancário doméstico. Com o dinheiro, o Estado comprará ações dos principais bancos do país.

'Grande nível de incerteza'
Além de baixar a taxa básica, o Fed reduziu em meio ponto (para 1,75%) sua taxa de desconto que serve para operações de refinanciamento excepcional.

O presidente do Fed na agência de Filadélfia, Charles Plosser, disse nesta quarta-feira que "o efeito de uma queda das taxas sobre a atividade econômica pode não ser notado antes de nove meses".

"As mudanças de política monetária podem afetar a atividade econômica real, como a taxa de desemprego ou o crescimento da produção, mas só temporariamente e com um grande nível de incerteza sobre sua data de efeito e a amplitude deste", disse Plosser no texto do discurso divulgado antecipadamente.

"Na realidade, o único efeito que uma política monetária sadia pode ter a longo prazo é sobre a taxa de inflação", acrescentou.

(Com informações de AFP, Reuters e Valor Online)

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