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Empreendedorismo

Venda de toca-discos dispara até 10 vezes em lojas retrô; veja negócio

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo (SP)

22/01/2014 06h00

A venda de vitrolas e toca-discos disparou nos últimos quatro anos em lojas especializadas, segundo empresários do setor. No site de produtos retrô Trapemix, a comercialização desses produtos chega a ser até dez vezes maior, segundo o diretor Eduardo Ferreira Leite, 35.

Já na loja Casa dos Toca-discos, em São Paulo (SP), a venda dos aparelhos é seis vezes maior do que em 2009, de acordo com o diretor do negócio Luiz Peres Mixeu, 48.

O impulso para o mercado veio do lançamento de vitrolas e toca-discos com entrada para CDs, USB e até “bluetooth” (tecnologia que permite a troca de dados entre aparelhos sem o uso de cabos), segundo os empresários.

Apesar de serem, muitas vezes, confundidos, a diferença entre os dois aparelhos é que a vitrola tem alto-falantes próprios e reproduz sozinha os vinis, já o toca-discos precisa ser conectado a caixas de som externas para que a música possa ser ouvida.

Leite afirma que, na Trapemix a venda mensal de vitrolas e toca-discos em 2009 era de de 30 a 40 unidades. Agora é de 300 peças. Os preços variam de R$ 400 a R$ 2.300, com ticket médio de R$ 600.

“Esses aparelhos já representam 45% do nosso faturamento”, afirma. A loja virtual vende também artigos para decoração e vestuário inspirados em produtos de antigamente.

O empresário diz que o negócio foi aberto há cinco anos, com investimento inicial de R$ 250 mil em estoque, tecnologia do site e marketing. O faturamento mensal é de R4 400 mil, de acordo com Leite.

Na Casa dos Toca-discos, Mixeu diz que, em 2009, ele vendia no máximo 50 toca-discos e vitrolas por mês. Hoje, a venda chega a 300 unidades no mesmo período, com preços entre R$ 530 e R$ 1.895. “Os aparelhos novos caíram no gosto do público porque permitem a gravação de músicas do vinil em um pendrive ou celular.”

Mixeu também vende na loja agulhas que fazem a leitura dos vinis para reposição. Por mês, a loja vende cerca de 1.700 agulhas. Os preços vão de R$ 10 a R$ 315 por unidade.

Reabertura de fábrica de discos ajudou mercado

Mixeu e Leite afirmam, ainda, que a reativação da Polysom, fabricante nacional de discos de vinil, também ajudou a alavancar o mercado. A fábrica foi reaberta em 2009, em Belford Roxo (RJ), após ficar um ano e meio de portas fechadas.

“Muitas bandas brasileiras passaram a gravar ou relançar discos em vinil, o que aumentou a oferta nas lojas e a procura por aparelhos para reproduzir estes discos”, declara o diretor da Trapemix.

Segundo a Polysom, entre os artistas que lançaram discos de vinil recentemente estão: Jorge Ben, Los Hermanos, Nação Zumbi, Pitty, O Rappa, Sepultura e Tom Zé. De 2010 a 2013, a fábrica produziu 135.657 unidades de discos de vinil, de acordo com a própria empresa.

Nicho pequeno pode limitar faturamento

Para o consultor do Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo) Marcelo Sinelli, apesar de a procura ser alta, as vitrolas e toca-discos representam um nicho pequeno de mercado.

“Hoje, a música digital e os downloads dominam o mercado. Apenas os apaixonados e os mais saudosistas comprariam aparelhos como estes. Não é um negócio que atenda o grande público”, diz.

O preço também é uma barreira segundo o consultor do Sebrae-SP. Enquanto um usuário da internet pode baixar álbuns inteiros gratuitamente, um disco de vinil custa em torno de R$ 80.

“Vender apenas vitrolas e toca-discos pode limitar o faturamento do negócio. O ideal é que o empresário ofereça outros produtos da linha retrô como videogames e peças de reposição”, declara Sinelli.

Onde encontrar:

Casa dos Toca-discos: Rua Santa Ifigênia, 398, São Paulo (SP). Fone: (11) 3221-3537. Site: catodi.com.br

Trapemix: Fone: (11) 3683-2412. Site: www.trapemix.com.br

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