86% dos empreendedores sentem-se escravos do próprio negócio, diz pesquisa
A maioria dos empreendedores é autônoma, independente, mas afirma ser escrava do próprio negócio por causa do tempo e da energia que dedica na sua gestão, segundo pesquisa feita pela WMcCann.
Para produzir o trabalho, a agência de publicidade ouviu 1.334 pequenos empresários de 51 bairros de São Paulo (SP) e do Rio de Janeiro (RJ) dos segmentos de alimentação e beleza (bares, restaurantes, cabeleireiros e mercearias).
Segundo Flávia Campos, diretora de planejamento responsável pela coordenação do estudo no Brasil, a maioria dos entrevistados afirmou que falta qualidade de vida em suas rotinas, dada a quantidade de tempo e a energia dedicada à condução do negócio.
A pesquisa também mostra, no entanto, que 33% dos entrevistados valorizam o fato de poderem tomar as próprias decisões, sem ter de se reportar a um chefe, mesmo com a dedicação maior ao trabalho que uma empresa própria exige.
De acordo com o estudo, a maioria dos empreendedores se fez sozinha, por meio de uma vivência empírica na qual a inovação é vista como diferencial mercadológico (38%) e um importante propulsor de negócios (21%).
“Na média, os pequenos empreendedores são conservadores, porque percebem a inovação como uma questão que envolve dinheiro ou uma mudança radical. No entanto, pelo jogo de cintura exigido no árduo dia a dia dos seus negócios, eles mostram grande potencial de adaptação a novas ideias “, afirma Campos.
O estudo diz, ainda, que a maioria abre o próprio negócio buscando assegurar o bem-estar e o progresso da família (42%) e a estabilidade econômica (13%). A realização pessoal também é outro aspecto marcante, responsável por 29% da motivação dos empreendedores em abrir o negócio próprio.
Maioria acredita que fidelizar cliente é fundamental para empresa
Para os entrevistados na pesquisa, entre os aspectos reconhecidos como essenciais para o sucesso de uma companhia, estão uma clientela fiel (36%) e a proximidade com os clientes (24%).
“Essa lealdade não se mede pela frequência e gasto médio das compras, mas pela relação de confiança que se estabelece entre o dono do negócio e o cliente, que, muitas vezes, são também amigos, vizinhos, colegas de atividades etc.”, declara Campos.
De acordo com a pesquisa, o maior desejo do empreendedor é ter uma equipe mais qualificada (41% no caso de cabeleireiros e restaurantes, 26% em mercearias e 25% em bares). Depois vem a necessidade de mais espaço físico para o negócio (31% para bares e 27% para os demais negócios).
Também é fundamental para o empresário, segundo os entrevistados, ser capaz de tirar férias e fechar o negócio uma semana por ano sem perder dinheiro (13% para donos de mercearias, 12% para bares e 11% restaurantes e cabeleireiros).
Em termos de planejamento, no curto prazo, a preocupação dos empreendedores é assegurar a base de clientes atuais, enquanto que, nos médio e longo prazos, as aspirações se voltam para a ampliação da base de clientes.
“Não vemos, no entanto, um efetivo planejamento financeiro, uma visão de futuro, indicadores para além do fluxo de caixa semanal ou mensal, o que acaba por limitar suas perspectivas de solucionar problemas do dia a dia”, diz Campos.
Para a pergunta “O que faria com que você tomasse uma decisão urgente sobre a maneira como conduz seu negócio?”, 24% apontam a queda do fluxo de clientes, seguida de queda do lucro (19%) e do aumento no preço dos produtos líderes de venda (18%).
Para a pergunta “O que você faria para ter um negócio mais lucrativo?”, 37% disseram que anunciariam para atrair mais clientes, 33% fariam constantes promoções para assegurar o retorno do cliente, 29% aprenderiam mais sobre serviço ao cliente e 25% atenderiam seus clientes em tudo o que eles pedissem.
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