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Empresários usam "vaquinha virtual" para abrir negócio; saiba como fazer

Larissa Coldibeli

Do UOL, em São Paulo (SP)

07/03/2014 06h00

Com o objetivo de fabricar uma impressora 3D no Brasil, mas sem dinheiro suficiente para isso, os amigos Filipe Moura, 30, Felipe Sanches, 29, e Rodrigo Rodrigues da Silva, 27, resolveram apostar no financiamento coletivo para executar seu projeto.

Há dois anos, eles pediram R$ 23 mil, em um site que promove "vaquinha virtual", e conseguiram arrecadar R$ 30 mil. O dinheiro veio de amigos, conhecidos e de outras pessoas que se interessaram pelo projeto. Ao todo, 160 pessoas contribuíram.

Ele afirma que a ideia inicial não era montar uma empresa, mas apenas arrecadar dinheiro para comprar as peças e montar algumas impressoras 3D que, na época, ainda não estavam disponíveis no Brasil. "Conhecemos a impressora durante uma viagem à Europa e, por gostarmos de tecnologia, resolvemos desenvolver nosso equipamento no Brasil", diz Silva.

Para atrair apoiadores, os empresários ofereciam, dependendo do valor da doação, uma impressora montada ou um kit com as peças para montá-la em casa. Oferecer recompensas é uma das características do financiamento coletivo. Quanto maior a doação, melhor o presente.

Segundo Silva, os empresários resolveram abrir a Metamáquina quando viram que, mesmo depois do final da campanha de arrecadação, eles continuaram a receber pedidos de compra da impressora 3D.

Atualmente, a empresa comercializa uma segunda versão da impressora 3D. São vendidos, em média, dez equipamentos por mês, ao preço de R$ 4.500 cada um. Os empresários não revelam o faturamento.

Participantes ajudam a melhorar produto

Além de ajudar a perceber se haverá procura pelo produto, o financiamento coletivo também pode ajudar a melhorá-lo, segundo Felipe Caruso, coordenador do Catarse, site de financiamento coletivo do Brasil que ajudou na criação da Metamáquina.

“Há casos em que as pessoas que doam o dinheiro vão dando sugestões para melhorar o produto. É interessante que quem está arrecadando seja aberto às críticas, afinal, os apoiadores serão os futuros clientes”, declara.

Caruso diz que o financiamento coletivo deve ser usado para levantar dinheiro para um projeto inovador e que seja de interesse público, e não apenas para a abertura de uma empresa. “É uma ferramenta ágil para se conseguir dinheiro; no entanto, é necessário se dedicar à campanha para conseguir apoiadores.”

Segundo o site Crowdfunding.org, que reúne informações de 308 sites de financiamento coletivo do mundo, foram levantados US$ 2,7 bilhões –cerca de R$ 6,3 bilhões– em mais de um milhão de campanhas de arrecadação em 2012, último dado disponível. A estimativa para o ano de 2013, que ainda não foi contabilizado pelo site, é que o número tenha chegado a US$ 5,1 bilhões (R$ 11,3 bilhões). 

A pedido do UOL, Caruso listou algumas regras para ter sucesso na "vaquinha virtual".

Veja dicas para conseguir um financiamento coletivo

1) Seja claro na sua proposta. Defina o valor necessário, explique os custos envolvidos e estabeleça um prazo para as doações. Uma pesquisa feita pelo Catarse, com 3.336 pessoas, mostrou que 72% dos participantes apontam a transparência do negócio como item fundamental para eles apoiarem um projeto.

2) Planeje a campanha de arrecadação. Mapeie os contatos que devem ser acionados e defina ações de divulgação.

Segundo a pesquisa, 22% das pessoas que já pediram financiamento coletivo atribuem o sucesso da iniciativa a uma boa campanha de divulgação, 16% consideram o apoio de amigos e familiares como o mais importante, e 15% afirmam que conseguiram o dinheiro por que o projeto era relevante para um grande número de pessoas. 

3) Faça um bom vídeo de apresentação. Ele é uma das principais maneiras de divulgar a ideia, portanto, faça um vídeo de qualidade e impactante, que prenda a atenção desde o início e que mostre porque as pessoas devem apoiá-lo.

4) Seja transparente. Abra o orçamento, mostre o que vai fazer com o dinheiro, conte quem você é e porque está preparado para executar o projeto.

5) Ofereça recompensas interessantes para os apoiadores. Para 53% dos participantes da pesquisa, uma recompensa não é essencial para definir o seu apoio, mas para determinar o valor que será doado. Assim, ganhar uma caneca ou camiseta por uma doação de R$ 50 pode ser mais atrativo do que ganhar uma caneta por uma doação de R$ 10, por exemplo.

6) Engaje as pessoas. Tire dúvidas, responda aos comentários. Pense que esse já é o início do trabalho de fidelização de futuros clientes.

7) Entregue o que prometeu e preste contas ao final. Assim, as pessoas se sentirão participantes e voltarão a você, podendo ajudá-lo em projetos futuros ou nos próximos passos.

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