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Franquia não deve ser escolhida por impulso; veja dicas de especialistas

Larissa Coldibeli

Do UOL, em São Paulo

2014-05-01T00:00:00

01/05/2014 00h00

Para quem deseja abrir o negócio próprio, escolher entre tantas opções de franquia não é tarefa fácil. Segundo especialistas ouvidos pelo UOL, é importante selecionar um segmento com que tenha afinidade e um modelo de negócio com investimento que caiba no orçamento.

Avaliar os números de cada empresa, como investimento inicial, faturamento e lucro médio mensal é imprescindível para escolher um negócio que atenda às expectativas do franqueado. A dica vale, também, para a feira. Especialistas orientam os empreendedores a serem cuidadosos na escolha.

Esses dados são divulgados pelas empresas no site da ABF (Associação Brasileira de Franchising) e na COF (Circular de Oferta de Franquia).

O documento segue determinações da Lei de Franquias e reúne todas as informações das redes como balanços, operações abertas e encerradas nos últimos 12 meses, situação da marca junto ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual) e ações judiciais que a empresa possa ter.

“Algumas redes abrem outra empresa, com outro CNPJ, quando se tornam franqueadoras, para não misturar operações. Só que isso pode esconder pendências judiciais, por isso é importante pesquisar a fundo”, diz Mario Cerveira, advogado e professor do curso de Gestão de Franquias, da FIA (Fundação Instituto de Administração).

Cuidados ao escolher uma franquia

Tempo de mercadoVerifique há quanto tempo a rede atua no mercado. Se a franquia for nova, veja o número de unidades próprias. É por meio delas que a franqueadora adquire experiência e conhecimento da área que irá transmitir aos franqueados
Pesquisa com franqueadosAs redes são obrigadas a apresentar a COF (Circular de Oferta de Franquia) para os interessados. O documento deve indicar endereço, nome e telefone de franqueados e ex-franqueados. É importante ligar para o maior número possível para saber sobre investimento, faturamento, tempo de retorno e lucro
FaturamentoDesconfie de número fantásticos. O ideal é avaliar mais de uma franquia do setor que deseja ingressar para ver se os números são similares. Segundo a ABF, o lucro varia de 10% a 15% sobre o faturamento
Prazo de retornoA ABF trabalha com o prazo de retorno de 18 a 24 meses para microfranquias, que exigem um investimento mais baixo, e de 36 meses para franquias, que necessitam de investimento maior
Assinatura de contratoO negócio só pode ser fechado após o prazo de 10 dias da entrega da COF. O objetivo é evitar a assinatura por impulso. A COF informa o número de franqueados ativos e inativos (nos últimos 12 meses), com telefone, ações judiciais contra a empresa e estimativa de investimento, faturamento etc.

Franqueados podem comprovar números

Cerveira diz que a melhor maneira de confirmar se os números e informações fornecidos pela franqueadora são verdadeiros é conversando com franqueados. A COF contém uma lista de todos os franqueados e telefones de contato. O interessado deve ligar para o máximo possível de pessoas e tirar todas as dúvidas sobre a operação.

O candidato deve selecionar seguindo critérios próprios, que podem ser uma região parecida com a sua em concorrência, por exemplo, ou a distância em relação à matriz, para saber como é o suporte. A franqueadora não tem como controlar as informações que são passadas.

Marcus Rizzo, da consultoria Rizzo Franchise, especializada em franquias, destaca a importância de conversar também com ex-franqueados, principalmente se for uma microfranquia.

“As microfranquias fecham muitas operações por falta de estruturação do negócio. O franqueado, muitas vezes se decepciona por falta de suporte e orientação”, declara.

Contrato pode ter pegadinhas

A minuta do contrato que será assinado também vem com a COF, por isso, é importante analisar as cláusulas e, se for o caso, negociar alterações. “Marcas novas devem ter contratos enxutos, sem muitas multas, afinal o franqueado está sendo cobaia do negócio”, diz Cerveira.

A advogada Marina Bechtejew, sócia do escritório KBM Advogados, especializado em franquias e varejo, diz que é importante consultar um advogado com experiência em franquias, pois ele pode ajudar a analisar cláusulas específicas deste mercado. Ela cita como exemplo a existência de cláusulas que impedem concorrência.

“Se o franqueado já tiver outro negócio no mesmo segmento e não informar a franqueadora, ele corre o risco de ter o contrato rescindido e perder sua operação.”

Tempo de mercado e unidades próprias são importantes

Franquias com mais tempo de mercado têm mais experiência na transferência de conhecimento sobre o negócio, mas pode ser difícil encontrar um território livre para certas marcas.

Por outro lado, marcas muito recentes, com menos de um ano, podem não conhecer a fundo a operação e não identificar sazonalidades, por exemplo.

“O número de operações próprias também pode demonstrar o nível de conhecimento sobre o negócio”, diz o consultor Marcus Rizzo.

Só assine contrato se tiver certeza da seriedade da empresa

Para que o candidato tenha tempo de avaliar todos os pontos necessários, a Lei de Franquias determina que o contrato só pode ser assinado dez dias depois da entrega da COF. Se, ainda assim, ele entrar em um negócio e perceber que as informações passadas pela franqueadora não correspondem à realidade, ele pode processá-la.

“A franqueadora pode ter o contrato anulado se for identificado que ela agiu de má fé. Mas, se o negócio não der certo por fatores externos, como a alta dos alimentos, que impacta diretamente as franquias de alimentação, não”, diz Bechtejew.

Segundo a advogada, é bom priorizar empresas filiadas à ABF, pois isso significa que ela está de acordo com a Lei do Franchising e, se possível, franquias que possuam o selo excelência da associação.

"As empresas que recebem o selo de excelência passam por uma auditoria externa e as informações são concedidas pelos franqueados", diz Ricardo Camargo, diretor-executivo da ABF.

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