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Empreendedorismo

Pipoca vira gourmet e é vendida em lata decorativa e sabor chocolate belga

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo

05/05/2014 06h00

Para ir além das tradicionais pipocas com sal e manteiga, algumas empresas investem nas chamadas pipocas gourmet com sabores mais sofisticados como chocolate belga, noz-pecã, caramelo com castanha-de-caju, algodão-doce, doce de leite com coco, canela cristalizada, cheddar, parmesão, curry e mostarda e limão com pimenta.

A rede Gourmet Popcorn –com oito pontos de venda no Rio Grande do Sul (RS), sendo um deles um calhambeque do ano de 1929 adaptado– faturou R$ 1 milhão em 2013, quando ainda atuava com quatro unidades, segundo o sócio Rafael Peccin, 32. A meta é dobrar a receita em 2014.

A Pipó Gourmet, de São Paulo (SP), produz pipocas e vende em embalagens que podem ser usadas como objetos decorativos, principalmente, em empórios. A empresa produz cerca de 6.000 latas por mês e pretende faturar R$ 5 milhões em um ano, segundo a sócia Adriana Lotaif, 31. 

O mercado de pipocas gourmet no Brasil chamou a atenção de empresas internacionais. Em abril, foi inaugurada a primeira loja da rede norte-americana Garrett Popcorn Shops no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). A empresa quer abrir mais uma loja em maio no mesmo aeroporto.

Segundo o diretor de novos negócios da Garrett, Frutuoso Santana, a expectativa é de que as duas lojas atendam 30 milhões de pessoas em um ano. A expansão da rede no Brasil, no entanto, será com unidades próprias e não por franquias.

O carro-chefe da empresa é a pipoca mesclada de cheddar e caramelo, que também podem ser compradas separadamente. Além disso, há outros sabores como noz-pecã e manteiga. Os preços vão de R$ 10 a R$ 35, dependendo do tamanho da embalagem.

Rede gaúcha usa calhambeque para vender pipoca

A Gourmet Popcorn foi criada em Gramado (RS), em 2009. Segundo Peccin, na época, o investimento inicial foi de R$ 150 mil, o que incluiu o desenvolvimento das receitas, equipamentos e a compra do calhambeque de um amigo, que viraria um ponto de venda da empresa.

Atualmente, o veículo é utilizado para vender pipocas em um parque de diversões em Canela (RS). “Inicialmente, a ideia era usar o calhambeque para vender pipoca apenas em eventos, mas percebemos que seria mais rentável colocá-lo no parque de diversões”, diz.

Entre as pipocas da rede estão sabores como: caramelo com castanha-de-caju, chocolate, doce de leite com coco, parmesão e algodão-doce (feito à base de açúcar). O produto é vendido em embalagens de 300 g, 500 g e baldes de 3 litros. O preço vai de R$ 7 a R$ 32.

Empresa aposta em latas estilizadas para vender pipoca

Criada em 2013, a Pipó Gourmet produz pipocas de curry e mostarda, limão com pimenta, caramelo com coco e noz-pecã, canela cristalizada, a preços que vão de R$ 25 a R$ 29, e chocolate belga, que custa R$ 45. O produto é vendido em latas de aço que podem ser reaproveitadas, segundo Lotaif.

“Nossa ideia é ter embalagens coloridas e modernas que possam ser reutilizadas, inclusive, como objeto de decoração em casa”, declara. Segundo Lotaif, foi preciso montar uma cozinha industrial para dar conta da produção, porém ela não revela o valor investido no negócio.

Mercado está em alta, mas não chegou à maturidade, diz consultor

De acordo com a empresa de pesquisas Nielsen, o mercado de pipocas no Brasil –que inclui o produto pronto e o milho para o preparo– faturou R$ 261,7 milhões em 2013. O montante representa uma alta de 14,3% sobre o ano anterior (R$ 229 milhões).

Para o consultor do Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo) Haroldo Eiji Matsumoto, o mercado de pipoca gourmet está em expansão no país. No entanto, ele diz que o produto é fácil de ser copiado. “As empresas devem investir mais em marketing para sua marca ser referência no Brasil, posto que ninguém até agora alcançou.”

O consultor declara, ainda, que existe uma banalização do termo gourmet no mercado. Segundo ele, alguns empresários usam a palavra como estratégia de marketing e não oferecem um produto gourmet de verdade. “Isso pode ser um ‘tiro no pé’, pois o consumidor de hoje está mais atento. Com as redes sociais, ele pode destruir uma marca em minutos.”

Pipoca gourmet precisa de ingredientes sofisticados

Para ser considerada gourmet, a calda ou cobertura da pipoca precisa ser feita separadamente com ingredientes mais sofisticados, segundo o chef Cesar Yukio. Ele diz que há pipocas gourmet que podem ser consumidas depois de um mês sem perda de sabor, enquanto uma tradicional começa a murchar entre 30 minutos e uma hora após sair da panela.

Onde encontrar:

Garrett Popcorn Shops: Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), Terminal 2.
Gourmet Popcorn: (54) 3286-6178. Site: gourmetpopcorn.com.br
Pipó Gourmet: (11) 3088 9215. Site: www.pipogourmet.com.br

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