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Gigante de sorvete Ben & Jerry's começou com curso de US$ 5 pelo correio

Aiana Freitas

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação

    Jerry Greenfield, cofundador da Ben & Jerry's

    Jerry Greenfield, cofundador da Ben & Jerry's

Em 1978, frustrados com experiências profissionais anteriores, os americanos Ben Cohen e Jerry Greenfield decidiram abrir um negócio próprio. Então com 27 anos, eles escolheram apostar numa paixão em comum: sorvete. 

Investiram US$ 5 num curso por correspondência sobre preparação de sorvetes e US$ 12 mil (sendo US$ 4.000 emprestados) na abertura da primeira loja Ben & Jerry's num posto de gasolina em Burlington, no Estado de Vermont (EUA). Imaginavam que o negócio duraria dois anos. 

O que começou como uma aventura de dois amigos de infância se tornou um sucesso local e, mais tarde, nacional. Hoje, a Ben & Jerry's está presente em mais de 30 países (incluindo o Brasil, onde a primeira unidade foi aberta em setembro de 2014), faturou US$ 500 milhões no ano passado e pertence à gigante Unilever (que a comprou em 2000).

Apesar do crescimento, a personalidade dos dois fundadores ainda é a marca da empresa. A Ben & Jerry's continua sediada na pequena Burlington, tem um escritório em que impera a informalidade e usa seu nome para apoiar projetos sociais no mundo todo.

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  • http://economia.uol.com.br/enquetes/2014/06/06/voce-quer-abrir-um-negocio-proprio.js

Atualmente, Ben se dedica a causas sociais, e Jerry ministra palestras e participa de eventos envolvendo a marca. Foi ele que representou a dupla na abertura da loja de São Paulo, ocasião em que conversou com a reportagem do UOL.

UOL - O senhor e Ben eram amigos desde os 13 anos. Quando decidiram abrir um negócio próprio?

Jerry Greenfield - Tínhamos por volta de 27 anos e pensamos em fazer algo com comida. Escolhemos sorvete. Mas não pensávamos como pessoas que teriam uma empresa. Queríamos uma aventura. Abrimos uma sorveteria e achamos que faríamos isso por uns dois anos e então faríamos outra coisa. Viraríamos motoristas de caminhão ou alguma coisa assim.

UOL - Mas a empresa deu certo. O sucesso surpreendeu vocês?

Jerry - Muito. Ficamos chocados. O lado bom é que não tínhamos conceitos preconcebidos. Mas nenhum de nós tinha conhecimento de finanças ou contabilidade. Nós chegamos a fechar a loja no começo, para descobrir para onde estava indo nosso dinheiro, e voltamos a abrir algumas semanas depois.

UOL - Como superaram essa falta de habilidade?

Jerry - Começamos a empresa em 1978 e, mais ou menos 12 anos depois, decidimos contratar um CEO. Era muito óbvio que nós não tínhamos algumas competências essenciais. Nós não éramos bons gerentes, não éramos bons chefes. Ben era contra autoridade. A empresa como um todo sempre teve esse aspecto de antiautoritarismo e isso vem dele.

Mas chega um momento numa empresa em que ela precisa desenvolver políticas e procedimentos. Procuramos uma pessoa que tivesse habilidades para o negócio e comprometimento com as missões sociais da empresa.

UOL - Qual a vantagem de ter um parceiro de negócios tão próximo, como um amigo ou um familiar?

Jerry - A maioria das pessoas recomenda não abrir um negócio com um amigo. Mas a parte boa é que nós confiávamos um no outro. Acho que as pessoas enfrentam problemas quando os sócios têm diferentes visões do que querem fazer. E Ben e eu sempre tivemos uma visão parecida. Queríamos uma loja que fosse integrada com a comunidade, por exemplo.

Quando você tem a mesma visão, você pode ter ideias diferentes de como chegar lá, mas pelo menos vocês estão tentando chegar a um mesmo lugar. Muitas vezes as pessoas começam um negócio juntas e não têm a mesma visão, uma quer um negócio grande, a outra quer uma loja menor.

UOL - Como a empresa fez para manter sua identidade depois de ser comprada pela Unilever?

Jerry - A Unilever comprou a Ben & Jerry's porque achou que seria bom ter um sorvete de qualidade, mas também reconheceu que parte do sucesso da empresa era sua missão social. Além disso, nós fizemos um acordo para continuar comprando 80% da nossa matéria-prima em Vermont.

UOL - Qual a importância, para a Ben & Jerry's, de manter sua sede em Burligton?

Jerry - Estamos muito conectados com os fazendeiros de Vermont. A pecuária leiteira lá é muito grande e a maioria das fazendas é familiar. De forma prática, se a Ben & Jerry's deixasse Vermont, seria como se estivesse desertando. Esqueceríamos como nos tornamos o que somos hoje.

UOL - Que conselho o senhor daria para alguém que quer abrir um negócio próprio?

Jerry - Diria: faça algo pelo que você é apaixonado. Faça algo com que você se importe, em que possa colocar seus próprios valores, porque aí você coloca a si mesmo no negócio. Para nós, a loja no começo era uma representação artística de quem nós éramos. O sorvete era de um jeito que queríamos comer, a loja era descolada. E acontece que tinha muita gente como nós.

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