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Loja de franquia na rua rende mais do que em shopping, diz estudo

Estudo da Deloitte mostra que intenção de 53% das redes é abrir lojas na rua e 33% nos shoppings - Reinaldo Canato/UOL
Estudo da Deloitte mostra que intenção de 53% das redes é abrir lojas na rua e 33% nos shoppings Imagem: Reinaldo Canato/UOL

Larissa Coldibeli

Do UOL, em Una (BA)

31/10/2014 06h00

Os melhores resultados para as franquias vêm das unidades localizadas nas ruas, segundo pesquisa realizada pela consultoria Deloitte em parceria com a ABF (Associação Brasileira de Franchising). As lojas de rua faturam mais e rendem mais, para a maioria das redes.

Para 53% dos franqueadores, a unidade com maior faturamento da rede é uma loja de rua. Os shoppings concentram 29% das unidades que mais faturam. Os 18% restantes responderam que as unidades com maior faturamento estão em centros comerciais (galerias) ou outros locais, como aeroportos, academias, clubes e condomínios.

No quesito rentabilidade, que considera o retorno do investimento descontando os custos, a diferença entre lojas de rua e de shopping é ainda maior: 63% das redes têm maior rentabilidade em lojas de rua, contra 23% em unidades em shopping.

"Isso se deve, principalmente, aos menores custos de operação [em geral] envolvidos em uma loja de rua em relação à de shopping", afirma Reinaldo Saad, sócio da Deloitte, referindo-se ao fato de que lojas de rua não têm custos de condomínio, entre outras taxas, que encarecem a operação nos shoppings. 

Além disso, de acordo com Marcos Hirai, sócio-diretor da BG&H Real Estate, consultoria especializada em expansão de redes de varejo, o valor do aluguel de um ponto no shopping é, em média, 30% maior que uma loja de rua.

A expectativa das franqueadoras para a abertura de novas unidades reflete os resultados da Deloitte. 53% declaram que esperam abrir lojas de rua nos próximos dois anos, enquanto 33% pretendem fazê-lo em shoppings.

A pesquisa foi feita entre agosto e setembro de 2014, com 97 franqueadores, e divulgada durante a 14ª Convenção da ABF, que acontece de 29 de outubro a 2 de novembro na Ilha de Comandatuba, em Una (BA).

Segmento cresce pouco em ano fraco 

Cristina Franco, presidente da ABF (Associação Brasileira de Franchising), durante convenção em Comandatuba - Keiny Andrade/Divulgação - Keiny Andrade/Divulgação
Cristina Franco, presidente da ABF, durante convenção anual
Imagem: Keiny Andrade/Divulgação
A expectativa de crescimento do franchising em 2014 é entre 5,5% e 7%, segundo Cristina Franco, presidente da ABF. É a primeira vez em uma década que o crescimento não atinge os dois dígitos.

"Este foi um ano atípico. Tivemos Copa do Mundo, férias estendidas, que prejudicaram alguns segmentos, além do crescimento menor da economia do país, com um PIB que não deve crescer 1%", declara.

Neste cenário, ela afirma que o desafio das franquias é aumentar a produtividade das unidades já existentes, controlando custos e aumentando as vendas. Ferramentas de governança corporativa (conjunto de procedimentos de gestão que visam a eficiência) podem ajudar nesta tarefa, segundo Saad.

"A governança corporativa é fundamental para crescer em momentos crise. Controles financeiros, de estoque, mapas de vendas, capacitação da mão de obra, entre outros, são itens que precisam ser aprimorados nas franquias", afirma o sócio da Deloitte.

A pesquisa questionou os entrevistados sobre seus métodos de governança e, embora 69% deles reconheçam como prioritário ter uma boa estrutura de governança, 26% admitem que as práticas de sua empresa não são satisfatórias.

55% pretendem adotar medidas para gestão do desempenho dos funcionários nos próximos anos. Programa de remuneração diferenciada para ajudar a reter profissionais está no radar de 40% das empresas.

Mais de 70% das empresas disseram ter registrado aumento na rotatividade dos funcionários nas unidades franqueadas. Nas unidades próprias, entretanto, o número cai para 60%. A gestão de ricos é uma preocupação de 67% das empresas.

O desenvolvimento de novos produtos e serviços é estratégia de expansão para 87% das empresas. Investimento em inovação, como novos modelos de negócio, faz parte da rotina de 80% das empresas que querem crescer e a ida ao interior é estratégia para 63% dos negócios.

(A repórter viajou a convite da ABF)

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