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Demitir no fim do dia ou mentir: veja erros que fazem patrão virar vilão

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo

  • Arte UOL

Demitir no fim do expediente, mentir ou esconder o real motivo da demissão, além de comparar quem sai com quem fica, são alguns dos erros comuns cometidos por donos de empresas e seus gerentes na hora de dispensar um funcionário, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.

Uma demissão malconduzida, segundo a diretora de recursos humanos da consultoria Manpower, Márcia Almström, pode trazer prejuízos à imagem da empresa e do chefe. "É uma situação desconfortável para os dois lados e pode ser muito traumática para o funcionário", diz. "A forma como ele sair da empresa vai influenciar a opinião que ele terá e transmitirá do negócio dali em diante."

João Paulo Arias, psicólogo da consultoria Desenvolver RH, vai além. Ele afirma que as falhas cometidas no momento da demissão podem motivar processos trabalhistas. "Quando o desligamento é malfeito, o funcionário deixa a empresa com mágoa e pode se utilizar da ação trabalhista como forma de vingança."

No caso das micro e pequenas empresas, um processo trabalhista pode comprometer a estabilidade financeira do negócio, segundo o especialista. O pagamento de uma indenização, mesmo que baixa, pode ter grande impacto para a empresa, diz. "Mesmo quando o empregador cumpre com todas as obrigações trabalhistas, responder a um processo costuma trazer bastante dor de cabeça."

Veja abaixo sete erros cometidos na hora de demitir um funcionário e a forma correta de agir.

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1. Demitir no fim do expediente

Ao dispensar o funcionário no fim do dia, a empresa transmite a ideia de algo feito em segredo, o que colabora para a insatisfação de quem sai e de quem fica, segundo Arias. "O empregado desligado pode se sentir usado pelo chefe numa situação como essa", diz. O ideal, segundo ele, é fazer o comunicado no início do dia para que o funcionário tenha tempo de "digerir" a notícia e se despedir dos colegas."

2. Terceirizar a demissão

Em algumas empresas, de acordo com Arias, o funcionário é informado de sua demissão por alguém que não é seu chefe imediato, em geral pelo setor de RH ou pela contabilidade. No entanto, esses departamentos não convivem com o empregado e não saberão esclarecer os reais motivos de seu desligamento. "O comunicado deve ser feito pelo superior imediato", declara o psicólogo.

3. Mentir ou esconder o motivo do desligamento

Para o advogado especialista em direito trabalhista Bernardo Augusto Bassi, é comum o patrão demitir o funcionário por mau desempenho, mas, durante a conversa, alegar corte ou reestruturação da empresa como motivo da dispensa. "É preciso ser honesto, mesmo que isso o deixe o funcionário desanimado. Ele tem o direito de saber a verdade para que possa se aprimorar futuramente", afirma.

4. Comparar quem sai com quem fica

Um erro grave, segundo Bassi, é comparar o funcionário demitido com um colega que permanece na equipe, ressaltando que, se ele agisse como o companheiro, não seria mandado embora. "Essa é uma exposição desnecessária", declara. "O empregador pode mostrar os pontos negativos do funcionário demitido com base em relatórios de desempenho, pontualidade, faltas entre outros."

5. Fazer elogios excessivos

Independentemente do motivo da demissão, fazer elogios demais ao funcionário desligado é um erro, diz Márcia Almström, da Manpower. "Se a pessoa desempenhou bem as tarefas dela na empresa, vale o reconhecimento e o agradecimento. No entanto, não faz sentido fazer um caminhão de elogios, pois, em algum momento, o empregador achou que os serviços daquele profissional eram dispensáveis."

6. Demorar para entrar no assunto

Prolongar a conversa e demorar para comunicar a demissão é um erro que pode irritar bastante o funcionário, segundo Almström. O melhor, de acordo com ela, é ir direto ao assunto, deixar claro o motivo da demissão e não desviar o foco da conversa.

7. Não saber informar os próximos passos

Ao receber a notícia de sua demissão, é normal o funcionário ter dúvidas sobre os próximos passos: cumprir aviso prévio, fazer exame médico, valores a receber etc. Segundo a consultora, é importante ter essas respostas em mãos ou encaminhar a pessoa diretamente para o setor de RH. "Seria constrangedor o empregado ter de perguntar a um terceiro como ele deve proceder para deixar a empresa."

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