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Ex-peão no Japão usa tática da Toyota para vender chocolate nas lojas dele

Larissa Coldibeli

Colaboração para o UOL, em São Paulo

08/12/2015 06h00

Neto de japoneses, Maurício Makiyama, 31, morou por nove anos no Japão com a família, onde trabalhou em linhas de produção de autopeças. De volta ao Brasil para tratar uma depressão, ele comprou duas franquias da Showcolate, de fondue de chocolate, e usa os conhecimentos adquiridos na fábrica para aumentar a eficiência das suas lojas.

Ele aplica os princípios do toyotismo (modo de produção da Toyota, de qualidade total) que aprendeu numa fábrica de ar-condicionado automotivo terceirizada da montadora. Como operário, cuidava da inspeção, verificava se as peças estavam dentro do padrão, se havia vazamentos.

Na loja, usa balança na montagem das sobremesas para calcular a quantidade certa de frutas e de chocolate em cada porção, prova as frutas para saber se estão no ponto certo para o consumo e confere a temperatura do produto antes de servir.

Isso ajuda a diminuir o desperdício de matéria-prima e a controlar a qualidade.

"Estar preocupado com cada detalhe, achar que sempre dá para melhorar e ter dedicação total são lições que aprendi no Japão que faculdade nenhuma ensina", diz Makiyama que cursou até o ensino médio.

Com essas ações, ele consegue vender mais que a média da rede nas unidades que opera em shoppings de Osasco, na Grande São Paulo. Em uma delas, um quiosque, ele afirma vender cerca de 4.000 sobremesas por mês, o que representa 60% mais que a média de 2.500 doces mensais vendidos por loja da franquia, segundo a Showcolate. Em outra unidade, uma loja, ele chega a vender 3.000 sobremesas mensais (20% mais que a média). Ele não divulga faturamento e lucro.

Lojas são consideradas modelo de gestão

Isso faz de Makiyama um franqueado modelo, segundo Wallace Tonon, fundador da Showcolate. "O Maurício tem a dedicação dos orientais, ele consegue extrair todo o potencial do negócio. Ele segue todas recomendações e faz além. O uso da balança, por exemplo, nós recomendamos, mas nem todos franqueados adotam."

As lições da linha de produção foram aprendidas em jornadas exaustivas de 14 horas de trabalho diárias, diz ele. Mas os rendimentos valiam o esforço, tanto que as franquias foram adquiridas com o dinheiro que ele juntou no Japão.

"Quando voltei ao Brasil, queria ter um negócio próprio por não ter qualificação, pois seria difícil achar um bom emprego. Escolhi a franquia por ser um investimento que cabia no meu bolso", diz.

A franquia Showcolate tem investimento inicial a partir de R$ 124 mil (custos de instalação + taxa de franquia + capital de giro). O faturamento médio mensal é de R$ 35 mil. O lucro não foi divulgado. O retorno do investimento se dá a partir de 18 meses, segundo a empresa.

A afinidade com o negócio também contou na escolha, pois Makiyama é adorador de chocolate assumido. "Eu sempre fui chocólatra e comia muito chocolate no pior momento da depressão. Agora consumo com moderação", diz ele.

Cinco anos depois de voltar ao Brasil, curado da depressão e com os negócios indo bem, ele trouxe seus pais do Japão há três meses, para ajudá-lo na administração.

Franqueado pode inovar, mas deve seguir padrão da rede

André Friedheim, consultor de franquias e sócio da consultoria Francap, diz que franquias são redes de aprendizado contínuo, e os franqueados também podem propor melhorias. "O papel de inovar é do franqueador, mas ele não deve inibir ações dos franqueados. Se forem bem-sucedidas e estiverem alinhadas com o negócio, sem fugir do padrão, podem ser disseminadas para toda a rede."

Ele diz que uma boa gestão de custos ajuda a melhorar os resultados do negócio e é mais fácil do que conquistar novos clientes para aumentar o faturamento. "As empresas têm que ser eficientes na contratação e gestão da equipe, na compra e controle de mercadorias, no pagamento de impostos, em todas as esferas."

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