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Empreendedorismo

Habib's apoia atos pelo impeachment; política ajuda ou atrapalha negócios?

Márcia Rodrigues

Colaboração para o UOL, em São Paulo

16/03/2016 06h00

O grupo Habib's, também detentor da marca Ragazzo, lançou, na última sexta-feira (11),  a campanha "Fome de mudança" e declarou o seu apoio à manifestação contra o governo realizada no domingo (13).

A rede decorou suas lojas de verde e amarelo e distribuiu cartazes e bottons com frases como: "Estou com fome de mudança", "Quero meu país de volta" e "Brasil, um filho teu não foge à luta."

Declarar o seu posicionamento sobre política ou algum assunto polêmico ajuda ou prejudica os negócios?

É comum nos EUA; aqui é novidade

Segundo Patrícia Teixeira, consultora de gestão de crise e professora de pós-graduação de marketing político da ECA/USP, não é ruim uma marca se manifestar. "Nos EUA, as pessoas e as empresas se posicionam de forma muito natural e nunca foram prejudicadas por isso. Porém, aqui no Brasil, esta atitude ainda é vista com novidade."

Para Teixeira, antes de realizar qualquer ação desse tipo, a marca deve analisar qual é o seu público consumidor e ver se estão falando a mesma língua.

O Brasil tem 206 milhões de habitantes, segundo o IBGE. Aproximadamente 3 milhões participaram da manifestação em todo o país, segundo a Polícia Militar.

Foi a maior manifestação política do país, "mas muita gente não foi às ruas. A marca deve ter consciência que fala com várias pessoas e que uma ação como esta pode atrair mais o seu público ou afastá-lo", diz a consultora.

Assunto divide país

Daniela Khauaja, coordenadora acadêmica de pós-graduação da área de marketing da ESPM, concorda com a afirmação de Teixeira sobre o risco da operação.

"Do ponto de vista de gestão da marca, sem dúvida este tipo de posicionamento é um risco. Por mais que mais milhões foram às ruas, sempre haverá alguém contra o movimento. Ela pode atrair quem tem o mesmo ideal e afastar quem tem um posicionamento diferente."

Para Khauaja, outro ponto que merece destaque é o fato de a marca ser popular. "O que nós lemos diariamente é que a parcela que continua apoiando o governo é o público da classe C e D, justamente o foco dos consumidores do Habib's. Esta ação pode desagradar parte dos consumidores."

Situação política permite

De acordo com o analista de marketing Alberto Vieira, a atual situação política e econômica do país permite que ações desse tipo sejam bem aceitas pela população.

"Não houve repercussão negativa e não haverá boicotes porque a marca já está consolidada no mercado e tem consumidores fieis. Algumas pessoas, inclusive, se mostraram surpresas com o posicionamento da marca e passaram a vê-la de forma muito positiva."

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