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Ideia que surgiu no meio da noite virou negócio: sapato que troca de salto

Erin Mizuta

Colaboração para o UOL, em São Paulo

O sapato de salto incomodando o pé pós um longo dia serviu de inspiração para um negócio. "A idéia surgiu durante a noite, quando acordei pensando em um sapato que permitisse a troca de salto. Fiquei com isso na cabeça e, pela manhã, fui procurar se havia outras pessoas que já tinham pensado sobre isso", conta a designer Patrícia Strebinger.

"Descobri outras mulheres pelo mundo que haviam pensado nisso e, a partir daí, resolvi que iria desenvolver o primeiro sapato que troca de salto do Brasil", diz.

A empresária tinha uma empresa de marketing, mas nunca havia se aventurado no mercado de calçados. Em 2013, fundou a Lizzy Khal, marca de sapatos femininos que podem ter o salto trocado para um tipo mais ou menos alto, além de mudar a espessura, o modelo ou o estilo. Os modelos hoje têm preço que variam de R$ 290 a R$ 350.

"O nome Lizzy Kahl vem de herança da minha tia, que possuía uma fábrica de luvas feitas especialmente para a alta sociedade carioca, customizadas à mão", diz.

Como ela chegou à tecnologia

"Descobrimos que a mudança de altura de um salto para outro poderia ser de no máximo 2 centímetros", diz. "Qualquer alteração maior que isso iria afetar a curvatura do sapato e, consequentemente, causar danos às usuárias."

Para chegar a esse resultado, foram consultados designers especialistas em calçados, sapateiros e médicos ortopedistas. A maior preocupação era não prejudicar o caminhar ou a coluna das mulheres.

Investimento inicial de R$ 2 milhões

O custo de desenvolvimento do produto foi de R$ 500 mil, incluindo a patente, que torna a tecnologia exclusiva da marca --não há projetos de venda para outras empresas. 

O investimento inicial na marca foi de R$ 2 milhões, necessários para o desenvolvimento do produto, instalação da fábrica em Novo Hamburgo (RS), consultoria, marketing e abertura da primeira loja-conceito na rua Oscar Freire, tradicional reduto do luxo paulistano. A loja ficou instalado no local de agosto de 2014 até o começo deste ano.

Em 18 meses, já era possível comemorar o lucro, segundo Patricia. Agora, ela viaja duas vezes por ano para Nova York, nos EUA, e para a Europa para pesquisar tendências, visitar feiras e semanas de moda.

Pontos de venda e loja online

Hoje, a marca conta com três pontos de venda: a matriz, instalada agora no shopping Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, uma franquia em Santa Inês, no Maranhão, e outra em Vitória da Conquista, na Bahia. Tem, ainda, a loja online e um show-room no Itaim Bibi, em São Paulo, que recebe interessados no produto com hora marcada. 

A marca conta também com linhas de sapatos convencionais e bolsas.

Atualmente, cada loja vende cerca de 600 pares por mês, com um faturamento médio mensal de R$ 150 mil. O lucro líquido corresponde a 30% deste valor, segundo a empresária.

Dúvidas podem atrapalhar compra

A vantagem do negócio é que o produto por si só já chama a atenção, segundo o consultor do Sebrae-SP Adriano Campos. A praticidade de poder levar mais de um tipo de salto no lugar de dois pares de sapato é uma ideia que pode agradar as clientes, diz ele.

No entanto, o desconhecimento do produto pode gerar dúvidas. "Por isso, ter lojas físicas já ajuda a compradora psicologicamente", afirma. É lá que as clientes podem testar o produto para se sentirem mais seguras com a compra. O estabelecimento em pontos de venda renomados, como já é feito, também ajuda a passar credibilidade. 

Para Campos, seria mais encorajador se algum tipo de garantia fosse divulgado mais explicitamente. "Facilitaria [a compra], por ser uma marca nova e um produto que gera dúvidas". A empresa diz que garante a troca do produto em caso de problemas, sem prazo definido.

Onde encontrar:

Lizzy Kahl: http://lizzykahl.com
 

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