Butique de docinho francês cresce na crise e vira franquia de R$ 90 mil

Larissa Coldibeli

Colaboração para o UOL, em São Paulo

A marca curitibana Passion du Chocolat, que tem como carro-chefe o doce francês macaron (biscoitinhos redondos e recheados, em vários sabores e cores), está conseguindo passar pela crise com aumento no faturamento. O motivo, segundo os donos, é que o público-alvo é das classes A e B.

O foco é o macaron, vendido em 16 sabores (como doce de leite, blueberry e champanhe) por R$ 6 cada, mas a marca também vende outros produtos, como trufas e cupcakes.

"De 2014 para 2015, o faturamento cresceu 22%. De 2015 para 2016, faturamos 17% a mais no primeiro semestre e, desde então, não houve queda em nenhum mês", diz Lucas Malucelli, um dos sócios. "O que tivemos foi aumento de custos com matéria-prima, mas optamos por reduzir a margem de lucro em vez de aumentar preços."

Com quatro lojas em funcionamento e uma em obras, todas nas regiões Sul e Sudeste, o plano agora é expandir por meio de franquias.

A partir de R$ 90 mil o quiosque

A franquia custa a partir de R$ 90 mil no formato de quiosque, modelo de negócio novo à venda, que ainda não está em operação. Para loja, o investimento inicial é a partir de R$ 200 mil, com custos de instalação, taxa de franquia e capital de giro inclusos.

O faturamento médio mensal é de R$ 75 mil, com lucro de 12% a 18%, ou seja, de R$ 9.000 a R$ 13,5 mil. O retorno do investimento é previsto entre 24 e 30 meses. Os dados foram fornecidos pela empresa.

Para atrair investidores, a marca promete reverter os R$ 30 mil da taxa de franquia em produtos. A meta é chegar a 25 unidades até o final do ano que vem e a 60 lojas até o final de 2018.

Fechou confecção antes de fazer doces

A empresa é familiar e foi criada pela mãe, Viviane Malucelli, 55, que começou fazendo doces para festas. Ela investiu no ramo depois de ter que fechar a confecção da qual era dona, em 1997.

"Nós fornecíamos parte das peças para a marca italiana Benetton, mas eles decidiram encerrar a produção no Brasil. Tive que fechar as portas porque eles eram meu principal cliente, responsáveis por 95% do faturamento", diz ela, que precisou demitir 45 funcionários na época.

O que poderia parecer um fracasso virou uma oportunidade de mudar de ramo. "Eu sempre gostei de cozinhar e de decorar, e percebi a necessidade de trazer um novo conceito para os cardápios de festa em Curitiba", diz. Hoje, ela emprega 22 pessoas.

Fez curso na Cordon Bleu

Após fechar a confecção, Viviane passou dois anos estudando confeitaria, inclusive na renomada escola de gastronomia Le Cordon Bleu, na unidade de Londres (Reino Unido). Formou-se chef pâtisserie, especialista em doces franceses.

Começou a fornecer doces para grandes festas em Curitiba e criou uma carteira de clientes, que sugeriram ter um espaço fixo. "Os clientes me pediam para abrir uma loja onde pudessem degustar e também comprar os doces para presente." A primeira unidade foi aberta em 2009. Das quatro atuais, uma é franquia e foi inaugurada neste mês.

Fábrica pode fazer até 30 mil macarons por dia

A chef cuida pessoalmente da produção dos doces da marca. A fábrica própria, em Curitiba, tem capacidade de produzir entre 25 mil e 30 mil macarons por dia. É de lá que saem os produtos, congelados, para abastecer as lojas. Como fica focada na produção, ela deixou seus dois filhos, Bruna, 31, e Lucas, 29, cuidando das lojas e da expansão.

Precisa vender muito para ter faturamento

A boa apresentação dos produtos estimula o consumo, mesmo que o doce ainda não seja completamente difundido no Brasil, segundo Marcus Rizzo, consultor da Rizzo Franchise. "Não é um negócio da moda porque não é passageiro. A estratégia para difundir é multiplicar lojas e oferecer o produto como uma experiência de consumo", diz.

No entanto, ele acredita ser difícil manter um faturamento de R$ 75 mil por mês com a franquia. "O ponto comercial vai fazer toda a diferença; é necessário estar em um lugar de alto fluxo de pessoas."

Ele diz que um erro comum dos franqueadores é investir muito em fábricas para produção própria, em vez de focar em melhorar a operação no varejo. "Para sustentar o investimento na indústria, eles saem vendendo franquias que serão obrigadas a consumir os produtos feitos exclusivamente. Isso funciona enquanto o consumo vai bem, mas é ruim para o franqueado quando as vendas caem", declara.

Onde encontrar:

Passion du Chocolat: www.passionduchocolat.com.br

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