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Hamburgueria gay se inspira na Califórnia e tem altar com Cher e Bowie

Larissa Coldibeli

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Nada de bandeira do arco-íris na entrada. A Castro Burger recebe seus clientes com um "altar", onde há imagens de ídolos da comunidade gay, como Cher, Ney Matogrosso, Elke Maravilha, David Bowie e Laverne Co --atriz transexual da série "Orange is the New Black".

A hamburgueria foi aberta neste mês de dezembro na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo. A casa é voltada ao público gay, mas heterossexuais também são bem-vindos, segundo os donos. O mesmo vale para o quadro de funcionários: há gays, lésbicas, bissexuais, transexuais --e heterossexuais.

As vagas foram divulgadas em sites e grupos no Facebook focados em gays e lésbicas. Foram recebidos mais de 500 currículos e contratados 16 funcionários.

"Nossa proposta é de um ambiente sem preconceitos. Queremos promover a diversidade. E a nossa convivência tem sido uma ótima experiência", diz Fausto Almeida, 40, um dos sócios.

Almeida, que é gay, foi quem concebeu o conceito da hamburgueria. Ele compartilhou sua ideia de negócio com o amigo Luiz Felipe Granata, 30, com quem trabalhava em produção de eventos, e viraram sócios. Juntos, investiram cerca de R$ 400 mil. A partir de janeiro de 2018, pretendem levar a empresa a outros lugares por meio de franquias.

Inspiração vem de San Francisco

O nome da casa vem do bairro gay Castro, em San Francisco, cidade da Califórnia (EUA) considerada a capital gay do mundo. Almeida, que é formado em jornalismo e já foi comissário de bordo, morou lá de 2002 a 2005 e diz que se encantou com a cidade. "É uma delícia. Você vê as pessoas convivendo com a diversidade e é tranquilo, é normal. A ideia da hamburgueria é repetir isso aqui."

As referências à cidade e ao mundo gay estão na decoração e no cardápio, elaborado pelo chef João Leme. Há hambúrgueres, saladas, porções, lanches no pão ciabatta e brunch aos finais de semana. 

Os hambúrgueres foram batizados com nomes de atrações turísticas de San Francisco, como Golden Gate (cheeseburger de angus com salada, custa R$ 21,50) e Union Square (hambúrguer de cordeiro com queijo feta, tomate, alface, pepino, cebola e maionese de hortelã, por R$ 35).

Os demais pratos levam nomes de musicais da Broadway, de vilãs icônicas da TV, de músicas consideradas hinos da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) e de gírias do mundo gay, como "A loka", "Tô bege" e "Bafônico".

Doações para portadores de HIV

Além de fazer parte da decoração, o "altar" com ídolos gays é um local onde os clientes podem depositar ofertas em dinheiro. Segundo os donos do bar, esses recursos serão doados a cada três meses para a casa Brenda Lee, que dá assistência a portadores do vírus HIV.

Os porta-copos e jogos americanos serão renovados a cada três meses com desenhos de artistas convidados. A primeira é a ilustradora Negahamburguer, conhecida por trabalhos que tratam da violência de gênero e outros preconceitos.

Nicho é grande, mas é preciso pensar na segurança

A consultora especializada em franquias Ana Vecchi, da consultoria Vecchi Ancona, diz que há potencial no novo negócio. "Tudo o que é voltado ao público gay é bem-vindo, pois é um nicho grande."

Porém, ela diz que é importante não restringir o público, já que a hamburgueria está localizada em um bairro residencial e familiar. "Tem que permitir que todos frequentem e que se sintam à vontade. O negócio deve estar acima da causa."

Ela diz que, se o produto for de qualidade e se o atendimento for bom, há potencial para crescer como franquia, mesmo em um ramo já explorado, como as hamburguerias. No entanto, afirma que outros aspectos devem ser considerados para a expansão.

"É preciso observar o desenvolvimento do negócio e o comportamento do público antes de abrir novas unidades. Sabemos que existem pessoas homofóbicas que, ainda que não frequentem a casa, podem perseguir os clientes na saída, por exemplo."

Onde encontrar:

Castro Burger: www.castroburger.com.br

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