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Largou vida de engenheiro para lavar carro: microfranquias atraem geração Y

Larissa Coldibeli

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Divulgação

    Carmona deixou o diploma de engenheiro para ter franquia de lavagem de carros

    Carmona deixou o diploma de engenheiro para ter franquia de lavagem de carros

O engenheiro de produção Leonardo Carmona, 35, e a veterinária Thais Smarzaro, 34, deixaram de lado suas áreas de formação para investir em microfranquias. Eles acreditam que, como donos do próprio negócio, têm remuneração melhor do que teriam se estivessem no mercado de trabalho.

Microfranquias são aquelas com investimento inicial reduzido, de até R$ 90 mil, segundo a ABF (Associação Brasileira de Franchising). O valor foi atualizado em 2017 –até ano passado, eram consideradas microfranquias aquelas com investimento inicial de até R$ 80 mil.

Os dois fazem parte de um grupo que é maioria como donos de microfranquias, de acordo com um estudo divulgado pela ABF na última semana: estão na faixa dos 26 aos 35 anos de idade, a chamada geração Y.

"São pessoas que vêm se mostrando mais avessas a modelos de trabalho convencionais e veem nas microfranquias uma alternativa atraente", afirma Altino Cristofoletti Junior, presidente da associação.

Para Claudio Tieghi, diretor de inteligência de mercado da entidade, há outros motivos que explicam a grande participação da geração Y nas microfranquias. "São negócios com valores de investimento acessíveis e eles se sentem fazendo parte de algo inovador, em que sua opinião é importante para o desenvolvimento do negócio", declara.

Largou o diploma de engenheiro para lavar carro

É o caso de Leonardo Carmona, franqueado com duas unidades da rede de lavagem ecológica de veículos Acquazero, em São Paulo. Ele se formou em engenharia de produção, trabalhou na área em indústrias, mas sempre teve o desejo de empreender. Chegou a ter uma lanchonete de produtos naturais, como sucos e açaí, mas resolveu vendê-la para ter os fins de semana livres.

Decidiu que queria investir em um negócio relacionado a carros, por ser algo de que sempre gostou. Pesquisou estacionamentos e lava-rápidos e conheceu as franquias de lavagem ecológica, que não usam água. Conversou com várias marcas e escolheu a Acquazero por se mostrar mais flexível do que os concorrentes, segundo ele.

"Conheci a franquia em 2012, quando começavam a falar sobre a crise hídrica em São Paulo, e gostei da proposta", diz.

Hoje, estou em situação financeira melhor do que muitos dos meus colegas de faculdade e penso em abrir outras unidades. Não me sinto empregado da franqueadora, como outros colegas donos de franquia às vezes me falam.

Veterinária cansou de trabalhar para os outros

Divulgação
Thais Smarzaro se cansou de trabalhar para os outros e investiu em microfranquia

Já a veterinária Thais Smarzaro é de uma família de pedagogos que tem escola de educação infantil. Ela chegou a trabalhar na área comercial de uma empresa de cosméticos veterinários, mas deixou o emprego por causa das viagens constantes.

Foi para o ramo de educação, primeiro como inspetora de escola, depois como assistente de direção, e trabalhou no negócio da família. Até que decidiu investir na própria empresa. Em 2015, conheceu a Ensina Mais, microfranquia de apoio escolar para crianças com dificuldade de aprendizado.

Eu queria trabalhar com educação para crianças e adolescentes, é minha paixão. Trabalho no meu bairro, a Vila Formosa, na zona leste de São Paulo, a cinco minutos de casa. Faço de tudo um pouco, desde entregar panfletos, ir às escolas para fechar parcerias, atendo os pais dos alunos. É um desafio grande, mas hoje trabalho para mim e o resultado também é meu.

Dono trabalha mais do que empregado

Apesar de terem valores de investimento mais baixos, as microfranquias funcionam como uma franquia convencional e é necessário ter alguns cuidados antes de investir.

Segundo a coach Janaina Manfredini, da Effecta Coaching, é verdade que os profissionais das novas gerações buscam maior equilíbrio entre o trabalho e outras áreas da vida, assim como independência e flexibilidade. Porém, ela alerta que, como empreendedor, trabalha-se mais do que como empregado.

A diferença é que se você fizer o que ama, não vai sentir que trabalha tanto.

Janaina Manfredini, coach

Empreender muito jovem, às vezes sem experiência profissional, não aumenta os riscos do negócio, desde que a pessoa se prepare para a empreitada, diz a especialista. "Em qualquer idade, é importante se preparar antes de empreender. Conhecer o ramo, pesquisar a concorrência, buscar capacitação para gestão. Não dá para ser empresário sem saber administrar."

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