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Empresa fatura R$ 2,6 milhões em 4 meses com boneco e imagem 3D de cadáver

Larissa Coldibeli

Colaboração para o UOL, em São Paulo

A start-up brasileira Csanmek quer substituir o uso de cadáveres em aulas de anatomia por tecnologias como telas com imagens 3D e cadáveres sintéticos. Fundada em 2015, ela faturou R$ 2,6 milhões só nos quatro primeiros meses de 2017 com a venda de seus produtos para mais de 20 universidades do Brasil e duas do México.

Em 2016, o faturamento foi de R$ 1,6 milhão. O número vem crescendo gradativamente com as exportações. Há negociações também com instituições dos EUA, segundo o sócio Claudio Santana, formado em gestão da saúde.

Ele e o sócio Luciano Quirino, que é desenvolvedor, se inspiraram em métodos educacionais usados no exterior para criar o simulador 3D, que é um sistema de gestão de imagens médicas que faz a virtualização dos corpos.

"Exames de tomografia e ressonância magnética dividem o corpo em camadas. Nosso sistema faz a leitura dessas imagens e converte em 3D. Assim, é possível ver o corpo do paciente na tela e analisar onde é o melhor local para fazer um corte de cirurgia, por exemplo", diz.

Cadáver sintético é importado dos EUA

Com a solução, afirma ele, é possível comparar em duas telas um corpo humano saudável com a doença de um paciente real. "Mas essa tecnologia não substitui 100% o cadáver, é importante ter a parte tátil no aprendizado. Por isso, distribuímos no Brasil o Syndaver, cadáver sintético de uma empresa americana", afirma.

O Syndaver é um boneco feito de um polímero (tipo de borracha) à base de sódio e água, que possui todos os sistemas do corpo humano e pode ser programado para ter reações como respirar, piscar, se mover e até gritar durante a simulação de um procedimento médico.

O Syndaver é vendido de R$ 300 mil a R$ 700 mil – quanto mais caro, mais realístico. Também há o Syndaver de cachorro, usado em cursos de veterinária, que custa em torno de R$ 210 mil. O simulador com imagens 3D custa de R$ 150 mil a R$ 400 mil, dependendo dos recursos tecnológicos que tiver.

Médico diz que tecnologias não substituem cadáver real

Apesar de já ser utilizado em algumas instituições de ensino, ainda há restrições quanto ao uso do produto. O médico cirurgião e professor de anatomia aplicada Roberto Sousa Camargo, membro da APM (Associação Paulista de Medicina), é um dos que criticam a substituição de cadáveres pela tecnologia.

"Não dá para formar um cirurgião sem que ele manipule o corpo humano. Cortar um boneco e não sair sangue não é a situação real que ele vai encontrar. Nada substitui 100% o corpo humano. Porém, há casos em que essas tecnologias podem ser mais bem aproveitadas, nos cursos de fisioterapia, por exemplo."

Desafio é avançar tecnologia para evitar erros

Para Guilherme Arradi, consultor do Sebrae-SP, apesar de não substituir totalmente a necessidade de cadáveres nos estudos, tecnologias como as da Csanmek podem diminuir a necessidade deles.

Ele diz que inovações sempre trazem desconfiança e exigem uma mudança de cultura, mas não há como barrar o avanço da tecnologia. "Um exemplo são os robôs de inteligência artificial usados em cirurgias. Eles não substituem o médico, mas dão suporte em sua tomada de decisão."

O desafio do setor, segundo ele, é desenvolver soluções cada vez mais precisas e que diminuam a possibilidade de erro. "A tecnologia tende a melhorar rapidamente, então, essa desconfiança também deve ser superada."

Onde encontrar:

Csanmek: www.csanmek.com

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