Dava aula de robótica, com mãe "trancada" na cozinha; hoje fatura R$ 1,5 mi

Patrícia Büll

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Em 2014, Marlon Wanderllich, 25, voltou da França com uma especialização em engenharia elétrica e a ideia de virar empreendedor. No ano seguinte, criou uma escola de robótica e programação para crianças. Dava aula num quarto no apartamento da família em Belo Horizonte (MG), enquanto a mãe ficava "trancada" na cozinha.

A escola é voltada para crianças e adolescentes de 7 a 15 anos e cobra R$ 280 de mensalidade para uma aula semanal. No ano passado, a empresa faturou R$ 1,5 milhão. Segundo Marlon, como ainda está em fase de investimento, não contabiliza lucro. Para 2017, a projeção é que o faturamento atinja R$ 2 milhões.

Inicialmente, a escola chamava-se Pequenos Cientistas, mas teve o nome alterado para Buddys, em 2016. 

Nossos alunos mais velhos tinham vergonha do nome. Para complicar, uma concorrente comprou o domínio na internet e redirecionava nossos acessos para o site dela.

Marlon Wanderllich, sócio da Buddys

Água e canela para 'esconder' cheiro de comida 

Durante o horário das aulas, sua mãe, Aparecida Leles, ficava trancada na cozinha, enquanto os pais dos alunos aguardavam na sala, transformada em recepção, conta o empreendedor.

"Para eliminar o cheirinho de refeição nos intervalos das aulas, minha mãe, que é dona de casa, deixava ferver uma panela com água e canela no fogão para criar um novo aroma", diz.

Começou com R$ 500 e quatro alunos

Marlon abriu a escola junto com seus irmãos Matheus, 23, e Marcelo, 21. Eles usaram os R$ 500 que sobraram do intercâmbio de Marlon como investimento inicial da empresa. O dinheiro foi usado para imprimir panfletos e divulgar o curso pelas ruas de Belo Horizonte, onde a escola nasceu.

Começaram com uma turma de quatro alunos, usando computadores próprios. Depois, abriram mais uma turma. Ao final do primeiro semestre de 2015, tinham 40 alunos, o dobro da meta inicial.

"A essa altura, o apartamento já estava inviável. Foi quando fizemos um empréstimo de R$ 10 mil com uma prima e alugamos uma edícula de dois cômodos para criar nossa sede", diz Marlon.

No início, os três irmãos se revezavam nas aulas. Hoje, cuidam apenas da parte administrativa, mas continuam responsáveis pela pré-seleção e treinamento dos professores --isso é necessário, diz Marlon, por tratar-se de uma metodologia própria, desenvolvida por eles mesmos.

A escola oferece cinco cursos: Mundo da Lógica e Matemática, Mundo dos Games, Mundo Maker, Mundo dos Apps e Mundo Web em turmas híbridas (alunos de diferentes idades podem frequentar a mesma turma, pois a metodologia respeita o avanço individual).

Franquia a partir de R$ 140 mil

Este ano, já na segunda escola própria, também em Belo Horizonte, decidiram expandir a partir de franquias. Segundo Marlon, a ideia surgiu de pedidos dos pais de alunos, que viram no modelo da Buddys uma opção de investimento. Para isso, agregaram mais um membro da família ao negócio, o primo Breno Leles, 21, responsável pela expansão da marca.

Atualmente, são cerca de 700 alunos em duas escolas próprias e nove franquias, localizadas em Belo Horizonte (MG), Lagoa Santa (MG), Contagem (MG), João Monlevade (MG), São Paulo (SP) e Itajaí (SC).

Confira os dados da franquia, de acordo com a empresa:

  • Investimento total: R$ 140 mil a R$ 170 mil (inclui taxa de franquia e capital de giro)
  • Faturamento médio mensal: de R$ 40 mil a R$ 50 mil
  • Lucro médio mensal: de 25% a 40%
  • Prazo de retorno do investimento: de 24 a 30 meses

Interesse dos pais valida o negócio e confere credibilidade

Para André Friedheim, diretor da ABF (Associação Brasileira de Franchinsing), o interesse dos pais de alunos em serem franqueados é uma prova de que confiam na escola e no modelo de negócio.

Além disso, os jovens estão cada vez se interessando mais nesse tipo de aprendizagem, daí a garantia de demanda.

André Friedheim, diretor da ABF

Outra vantagem, diz ele, é que o curso não vai sofrer concorrência com a escola regular, ao contrário do que ocorre com inglês e computação, por exemplo. "Meu filho pode aprender inglês em uma escola externa, mas ele tem isso também entre as disciplinas, o que diminui a demanda lá fora."

Por outro lado, diz, esses cursos de robótica normalmente são divididos por módulos. "Quando o aluno termina o curso, caminha com as próprias pernas, o que traz uma constante necessidade de novos alunos. Uma saída é pensar em módulos complementares para que o aluno permaneça mais tempo na unidade", afirma.

Onde encontrar:

Buddys - www.buddys.com.br

A escola britânica que está ensinando ioga a alunos com autismo

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