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Amigas colhiam uva na infância; hoje são donas de marca de espumantes no RS

Juciane Doro (à esq.) e Andreia Milan são donas da Amitié, marca de vinhos e espumantes - Divulgação
Juciane Doro (à esq.) e Andreia Milan são donas da Amitié, marca de vinhos e espumantes Imagem: Divulgação

Claudia Varella

Colaboração para o UOL, em São Paulo

14/08/2021 04h00

Vindas de famílias de viticultores de Bento Gonçalves (RS), as amigas Juciane Casagrande Doro, 45, e Andreia Gentilini Milan, 44, uniram experiência e conhecimento do mercado para criar em 2018 a Amitié, uma marca de vinhos e espumantes. Hoje, são 15 produtos (sete espumantes e oito vinhos), alguns premiados.

No ano passado, a empresa vendeu 120 mil garrafas de vinhos e espumantes, um crescimento de 107% em relação aos 58 mil em 2019. Faturamento e lucro não foram divulgados.

"A produção de uva na minha família começou com meus avós. Meus pais continuaram na viticultura, uma pequena produção local de uvas, vendendo para cooperativas e vinícolas particulares aqui da região. Mas eu sou a primeira da família que decidiu empreender", declarou Andreia, formada em comércio internacional e administração.

Colhendo uvas na infância

Juciane, que é enóloga, também cresceu em meio à produção de uva. "Ajudava na colheita de uvas durante as férias na casa de seus tios", disse ela, que também estudou comércio internacional. Elas atuam há mais de 20 anos no mercado de vinhos.

Apesar de serem da mesma cidade, as duas se conheceram apenas em 2006, por meio do consórcio Wines of Brasil, onde atuavam juntas para promover o vinho brasileiro no mercado internacional.

Na época, Juciane participava como diretora comercial de uma vinícola brasileira e Andreia liderava um grupo de vinícolas que buscavam posicionamento no mercado internacional. A sociedade para a Amitié (amizade, em francês) nasceu ali.

Alguns vinhos e espumantes do portfólio da Amitié - Divulgação - Divulgação
Alguns vinhos e espumantes do portfólio da Amitié
Imagem: Divulgação

Vinhos custam de R$ 49,50 a R$ 138

Começamos pelos espumantes. E foi uma ousadia entrar em um mercado dominado por grandes nomes.
Juciane Casagrande Doro, uma das donas da Amitié

Os preços sugeridos dos vinhos e espumantes variam de R$ 49,50 a R$ 138. O carro-chefe da marca —e também o mais caro— é o espumante Amitié Nature (R$ 138). Sua tampa metálica vira um pingente com strass para ser usado como colar.

Tampa metálica do Amitié Nature vira um pingente com strass para ser usado como colar - Divulgação - Divulgação
Tampa metálica do Amitié Nature vira um pingente com strass para ser usado como colar
Imagem: Divulgação

O Amitié Clássico Brut (R$ 49,50) é o mais vendido. O espumante já ganhou quatro prêmios, entre eles a medalha de ouro no Wines of Brazil Awards 2020 e a medalha de bronze no International Wine Challenge 2019 e 2020.

Outros premiados são o Amitié Brut Rosé (três medalhas; R$ 49,50), Amitié Moscatel (três medalhas, R$ 49,50) Amitié Moscatel Rosé (uma medalha, R$ 49,50) e Amitié Cuvee Brut (quatro medalhas; R$ 79,90).

Em julho, a empresa lançou a linha Amitié Colheitas: são cinco vinhos com colheitas realizadas nas quatro estações do ano, em diferentes regiões do país. Os preços variam de R$ 79 a R$ 120. "O nosso país é o único país do mundo com três tipos de viticultura: a tradicional, a de inverno e a tropical", disse Juciane.

Segundo ela, todos os produtos da Amitié estão em cerca de mil pontos de venda no país. A produção dos vinhos é terceirizada, feita principalmente por um parceiro de Farroupilha (RS), com a curadoria da dupla.

Criação de vinícola própria

A empresa está construindo um projeto enoturístico em Garibaldi (RS): uma vinícola própria, com plantação, área de degustação, bar, loja e um local para gastronomia.

Com investimento de R$ 3 milhões, o espaço tem previsão de ser inaugurado no dia 8 de março de 2022, data em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher. A sede da empresa, hoje em Bento Gonçalves, será transferida para o local.

Custos e preconceito contra vinho nacional

Karyna Muniz, consultora especializada no setor de alimentos e bebidas do Sebrae-SP, diz que as duas empreendedoras gaúchas fazem parte de uma nova geração de enólogas mulheres que estão desbravando um cenário dominado fortemente por homens.

"Esse movimento da presença feminina no segmento dos vinhos é mundial e está ficando cada vez mais visível no Brasil", afirmou.

Para ela, um grande desafio do setor nos próximos anos é atender as novas gerações que buscam mais por bebidas não alcoólicas.

Outros empecilhos, segundo Karyna, são os custos dos insumos e da carga tributária, o que encarece o vinho local. Também ainda há preconceito em relação aos vinhos brasileiros.

"É preciso estimular o brasileiro a consumir produtos locais. E olha que o Brasil tem os melhores espumantes do mundo, reconhecidos e premiados. Mas muitas vezes o preço ainda é alto", afirmou.

Uma das saídas para o pequeno produtor é participar de associações ou consórcios de viticultores e vinícolas. "Isso ajuda a ganhar escala e a reduzir custos", disse.

Para Karyna, o projeto de enoturismo que a Amitié está desenvolvendo em Garibaldi mostra o quanto as empreendedoras Andreia e Juciane estão antenadas com outra tendência: o turismo de experiência.

"O projeto trará mais desenvolvimento local na Serra Gaúcha, atraindo turistas e gerando empregos e renda", afirmou.

Onde encontrar:

Amitié: https://www.espumantesamitie.com.br

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