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Webdesigner perde emprego, vira bordadeiro e atrai milhares de seguidores

Paulo Rezende aprendeu a bordar após ser demitido - Divulgação
Paulo Rezende aprendeu a bordar após ser demitido Imagem: Divulgação

Maurício Businari

Colaboração para o UOL, em Santos (SP)

06/09/2021 04h00

O artesão Paulo Rezende, 31, vem chamando a atenção nas redes sociais por desenvolver uma atividade considerada por muitos exclusiva do universo feminino: o bordado.

Rezende, que era webdesigner de uma multinacional, descobriu na delicadeza dos pontos e no colorido das linhas uma forma alternativa de subsistência. Principalmente após uma inesperada demissão em 2019 que o retirou do mercado de trabalho formal.

"Acho que essa paixão por artes manuais sempre esteve em mim", afirma o bordadeiro, que mora há quase 10 anos com o namorado, em um apartamento no bairro Jardim da Penha, em Vitória (ES).

"Aos 15 anos, me dediquei à técnica do biscuit [massa para artesanato]. Mas fazia escondido, porque as pessoas sempre tiveram preconceito com homens que fazem atividades consideradas femininas".

Sucesso no Instagram

Hoje, de acordo com Rezende, o preconceito é praticamente inexistente. Ele diz que se emociona ao ler comentários positivos nos posts que publica regularmente em sua conta no Instagram, com mais de 40,8 mil seguidores.

Seus posts recebem milhares de likes e centenas de comentários; alguns vídeos chegam a ter mais de 20 mil visualizações cada um.

"Muitas mães me agradecem por ser, para os seus filhos, um exemplo de que é possível um homem exercer qualquer atividade, mesmo considerada exclusiva do universo feminino. Hoje tenho orgulho do que faço. Ser bordadeiro é motivo de orgulho para mim".

Rendimento mensal equivalente ao que ganhava

E não é para menos. Quando foi demitido da multinacional, Paulo ganhava o equivalente a três salários mínimos. Hoje, dois anos depois, ele não só continua a receber no mínimo esse montante mensalmente com os bordados que comercializa, como também chega a dobrar o faturamento em meses favoráveis.

É claro que o trabalho também dobrou. Ele desenha, borda, faz as compras de material, elabora vídeos, fotografa os trabalhos e divulga a marca que criou, a @monsterbox, nas redes sociais.

Bordado do bordadeiro Paulo Rezende, dono da marca MonsterBox - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

"Quando um vídeo que eu posto viraliza, as encomendas crescem. E também surgem oportunidades e convites para palestras, oficinas, aulas para funcionários de empresas. Essas atividades ajudam a expandir os horizontes do meu trabalho e também aumentam os meus ganhos".

Pintura de agulha

Em seu primeiro contato com os segredos das linhas e agulhas, Paulo recorreu a aulas gratuitas, disponibilizadas por um grupo de bordadeiras no YouTube, no canal Clube do Bordado.

A partir daí, foi mergulhando cada vez mais em pesquisas e estudos sobre diversas técnicas de bordado, até que se especializou numa muito especial, chamada "pintura de agulha".

Essa técnica deixa os bordados mais realistas, parecidos com uma pintura sobre o tecido. Eles são uma espécie de carro-chefe do artesão e contribuíram para o crescente aumento nos pedidos de encomendas que recebe diariamente.

Ele calcula um aumento de 15% nos pedidos em 2020, em relação a 2019, e outros 15% neste ano comparado com 2020.

Bordado do bordadeiro Paulo Rezende, criador da marca MonsterBox - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Toda semana ele recebe entre 50 e 60 mensagens com encomendas de clientes para ter seus rostos ou os de pessoas queridas retratados em forma de bordado.

Muitos também enviam fotografias de seus pets (cães, gatos, pássaros) com o objetivo de imortalizá-los em um bordado. Os pedidos chegam de todas as partes do Brasil e também de Europa, EUA e Canadá.

São tantos os pedidos que a agenda de Paulo está bloqueada até o final do ano. Por conseguir dar conta de apenas 12 a 15 bordados por mês, ele está tendo que agendar novas encomendas para 2022.

Bordado grande pode demorar até 30 dias

Isso porque um trabalho pequeno, feito num quadrado de tecido com 10 centímetros, pode levar até 10 horas para ser finalizado, dependendo da complexidade. Existem trabalhos maiores, que podem levar até 30 dias.

Os preços cobrados variam muito de acordo com a complexidade e o tempo gasto. O retrato de um cãozinho, por exemplo, num tecido de 10 cm x 10 cm custa, em média, R$ 300. Um trabalho maior, num tecido de 20 cm x 20 cm e com mais complexidade, pode custar R$ 1.200,00.

"Meus planos são de criar pacotes de cursos para poder capacitar outras pessoas a viverem do bordado, como eu. Quero ensinar o que aprendi e possibilitar a outras pessoas que tenham sua própria renda, trabalhando de casa, com um investimento pequeno."

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