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Fabricante chinês de iPhone eleva salários para frear suicídios

A direção de uma fábrica de eletrônicos chinesa na qual pelo menos nove funcionários já cometeram suicídio neste ano prometeu nesta sexta-feira aumentar os salários em 20%.

A companhia Foxconn, de Taiwan, dona da fábrica na cidade de Shenzen, no sul da China continental, anunciou a medida depois de ter sido registrado o que aparentemente foi o décimo suicídio de um funcionário, na noite da quarta-feira.

A empresa fabrica aparelhos eletrônicos para a Apple, entre eles o iPhone e o novo iPad, e também para Dell, Nokia e Sony. As duas últimas gigantes do setor já afirmaram estar preocupadas com a situação, e a imprensa local questionou as condições de trabalho na fábrica.

Um porta-voz da companhia citado pela agência Reuters afirmou que o aumento nos salários já estava planejado há meses, mas não deixou claro quando ele será implementado nem se ele tem relação com as mortes.

Salários

Um funcionário começa a trabalhar na fábrica de Shenzen ganhando atualmente um salário de cerca de 900 yuans por mês (cerca de R$ 242). No total, a Foxconn emprega mais de 300 mil pessoas na fábrica chinesa.

Ativistas que defendem os direitos dos trabalhadores afirmam que os funcionários, muitos deles vindos da zona rural, fazem longas jornadas de trabalho no parque industrial isolado, que tem dormitórios para eles.

O anúncio do aumento dos salários ocorreu depois de uma rara visita do presidente da empresa, Terry Gou, à fábrica de Shenzen, acompanhado por jornalistas chineses e ocidentais.

Gou disse aos jornalistas que estavam sendo instaladas redes para evitar que mais pessoas pulem para a morte.

As redes estão sendo colocadas ao redor de praticamente todos os dormitórios e prédios do imenso complexo, que, de acordo com o correspondente da BBC em Xangai, Chris Hogg, "é uma verdadeira cidade, com lojas, postos de correio, bancos e piscinas de tamanho olímpico".

Setenta psicólogos foram contratados para dar aconselhamento aos funcionários.

"Nós também estamos treinando nossos empregados para se tornarem conselheiros voluntários. Mais de cem funcionários receberam o treinamento e nós esperamos que o número cresça para mil em um mês", disse Gou.

De acordo com a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, na quinta-feira um jovem de 23 anos, que trabalhava na Foxconn havia cerca de um ano, se atirou do sétimo andar do prédio onde ficava seu dormitório às 23h20 da quarta-feira. Se confirmado, esse foi o décimo suicídio na empresa este ano.

Além dos suicídios, outros três funcionários também tentaram se matar em Shenzen e outro se suicidou em outra fábrica da Foxconn, desta vez no norte da China.
 

 

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