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Desempregados passam a noite em fila em busca de vaga em feira de trabalho

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, do Rio de Janeiro

  • Marcela Lemos/UOL

    Eliane Cidade, Joelma Biebi e Emília Brasil (da esq. para a dir.) estão desempregadas

    Eliane Cidade, Joelma Biebi e Emília Brasil (da esq. para a dir.) estão desempregadas

Desde as 21h de segunda-feira (19), centenas de pessoas se revezaram na fila na porta do Sindicato das Telecomunicações, no bairro da Tijuca, na zona norte do Rio, à procura de uma oportunidade de emprego. Mais de 2.000 pessoas já estiveram no Sinttel.

Algumas famílias passaram a noite no local, embaixo de chuva e frio para conseguir garantir atendimento e entregar o currículo para uma das 600 vagas disponíveis na feira de empregabilidade.

Foi o caso da ajudante de cozinha, Amanda Castro, que está desempregada há um ano. Ela tem 35 anos e quatro filhos de 14, 12, 9 anos e uma de cinco meses. Seu pai é que a está sustentando.

"Levanto as mãos para o céu e agradeço. Tenho feito bico para conseguir algum dinheiro. Meu pai me ajuda muito. Ele não deixa faltar nada aos meus filhos. Graças à Deus. Eu ainda estou amamentando a minha filha caçula e estou aqui. Nem comi nada ainda. Tudo muito caro por aqui. Tinha que ter trazido de casa."

Mãe ajuda desempregado desde fevereiro

Guilherme Souza, 28, desempregado desde fevereiro, chegou às 4h30 da manhã. Ele conta que às 14h ainda esperava para ser atendido.

"Trabalho desde os meus 18 anos. Nunca fiquei tanto tempo desempregado. Trabalhava no centro de Logística dos Correios, mas acabaram com o contrato e fui para rua sem seguro-desemprego. Minha mãe tem me ajudado."

Almoçou pão com refrigerante

Eliane Cidade, 29, chegou às 6h ao local. Ela mora em Campo Grande, na zona oeste do Rio, e saiu de casa ainda de madrugada. Ela disse que está desempregada desde novembro.

"Almocei um pão com refrigerante até agora. Estamos aqui desde cedo. Eu trabalhava como auxiliar de serviços gerais e fui mandada embora. Desde o ano passado, faço bicos. Faço faxina fora, faço unha em casa também. Moro sozinha com a minha filha de dez anos. Está muito difícil conseguir alguma coisa."

Na fila, além de cariocas há também pessoas de cidades vizinhas. Emília Brasil, 22, chegou às 5h50 da manhã. Ela mora em Belford Roxo, na Baixada Fluminense e disse que ela e o marido ficaram três meses desempregados.

"Meu marido conseguiu trabalho em abril. Eu sigo procurando. Estou na fila mandando currículo, monitorando vagas em redes sociais, mas está tudo muito difícil. Nem para entrevista estão chamando."

Fila de um quarteirão

A fila para deixar o currículo no sindicato chegou a tomar um quarteirão do bairro. Um carro da PM reforçava a segurança no local. Já houve briga e discussão.

Segundo os candidatos, algumas vagas já haviam se esgotado antes do fim do dia, como a de serviços gerais. Joelma Biebi, 41, lamentou a falta de sorte.

"Cheguei às 6h e mesmo assim não consegui concorrer à vaga. E pior que não posso me candidatar a outras. Só tenho ensino fundamental incompleto. Estou esperando minhas amigas para poder embora."

A feira de empregabilidade foi só nesta terça-feira (20). Havia oportunidades para porteiro, motorista de ônibus, auxiliar de serviços gerais, vigias, auxiliar de loja, auxiliar de prevenção e perdas, operador de telemarketing e vendedor. 

Recorde de desempregados no Rio

O número de pessoas desempregadas no Rio de Janeiro aumentou 49,4% em um ano, fazendo com que a taxa de desocupação batesse recorde histórico. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) divulgada no mês passado pelo IBGE.

O primeiro trimestre deste ano registrou 1,2 milhão de desempregados apenas no RJ. Na comparação com o trimestre anterior, houve um crescimento de 99 mil pessoas desempregadas no Estado. Em relação ao primeiro trimestre de 2016, o aumento foi de 401 mil pessoas.

A pesquisa do IBGE mostrou que o RJ registrou o maior aumento no número de desempregados entre os quatro Estados do Sudeste.

O Ministério do Trabalho divulgou nesta terça-feira que o país criou mais de 34 mil vagas com carteira assinada e teve o melhor maio desde 2014.

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