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Este conteúdo é uma produção do UOL Content_Lab para Sebrae-SP e não faz parte do conteúdo jornalístico do UOL. Publicado em outubro de 2021

Fintechs e pequenas empresas

Com foco em pequenas empresas, fintechs ampliam área de atuação e reforçam vocação de SP como polo mundial

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"No meio da pandemia, quando tínhamos muito mais dúvidas que certezas, uma das sócias optou por ir morar no exterior", conta Thaís Rose, cofundadora da Brazil Kickoff, empresa de pequeno porte que oferece soluções em diversas áreas para apoio a expatriação e internacionalização. "A partir daquele momento, abrir conta corrente em bancos tradicionais se tornou praticamente impossível diante de tanta burocracia."

A solução encontrada pelos sócios foi migrar o relacionamento com grandes bancos para um banco digital, o Linker. "A agilidade, inovação e desburocratização nos estimulou a também recomendarmos o banco para clientes."

Do outro lado dessa cadeia está Ingrid Barth. Enquanto ela trabalhava no mercado financeiro para grandes empresas, acreditava que tudo estava bem. "Quando migrei para o mundo das fintechs, em 2017, descobri que as pequenas e médias empresas estavam muito desassistidas", conta ela.

Ingrid decidiu então dedicar sua carreira a esse segmento e assim nasceu um banco digital focado em serviços para contas jurídicas de até médio porte, o Linker. "O pequeno empreendedor não tem ninguém que o ajude. A gente quer fazer com que pelo menos a parte financeira seja a mais fluida possível, com conhecimento e atendimento rápido, para que ele também aprenda diariamente", explica ela, hoje COO da empresa.

O encontro entre a Brazil Kickoff, uma empresa de pequeno porte, e a Linker, uma fintech, tem se repetido cada vez mais. "O Brasil tem milhões de pequenas e médias empresas (MPEs), que representam boa parte dos empregos formais do país. Mas são estruturas pequenas, não tão sofisticadas do ponto de vista financeiro, que consomem poucos serviços. O banco tradicional não tem interesse comercial [nessas empresas]", explica Diego Perez, presidente da ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs).

Promovendo o acesso

Não são só empresas, dezenas de milhões de brasileiros não têm acesso a produtos financeiros. Antes, o mercado se concentrava em poucos bancos, tornando os produtos mais caros e a lucratividade dessas instituições maior. O cliente então se sentia refém.

"Quando surge uma fintech com metodologia de startup, focada na necessidade do cliente, há oferta de produtos inovadores. É um campo de oportunidades, que estimula uma competição saudável entre banco tradicional e fintech", diz Perez. Quem ganha é o cliente.

Isso porque as grandes empresas têm acesso a produtos financeiros, capital de giro, financiamento estruturado, mercado de capitais. A pequena empresa não. Nesse desencontro entre pouca oferta e muita demanda, as fintechs identificaram um mar de oportunidades. "O impacto do surgimento das fintechs para as micro e pequenas empresas tem sido grande", analisa o consultor de inovação do Sebrae-SP, Leonardo Augusto Garcia. "E há espaço para mais."

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Nesse cenário, um microempreendedor que precisa de crédito para colocar uma ideia em pé ou manter seu negócio ativo encontra ainda mais dificuldade. Se tiver restrições cadastrais nos bancos, ainda pior. Foi pensando nesse público que Fábio Takara criou, em 2016, a Firgun, uma fintech social.

Takara estima que já foram beneficiados nesses cinco anos mais de 400 microempreendedores, sobretudo mulheres negras. "Eles se sentem extremamente gratos. Muitos só conseguiram criar seus projetos com esse empréstimo", conta. "Mas o começo foi desafiador, as empresas não estavam preparadas para isso. Perguntavam: é um negócio ou é uma ONG?" A Firgun quer mostrar que dá para somar impacto social e lucro.

Nos primeiros anos, a Firgun fazia a ponte entre pequenos investidores em busca de impacto social e os microempreendedores periféricos, sugeridos por instituições sociais. A fintech analisava o perfil de crédito e criava uma plataforma semelhante a uma "vaquinha". Eram aportes individuais de R$ 25 ou R$ 30, e o microempreendedor esperava cerca de 40 dias para atingir o valor estipulado e ter acesso a crédito sem juros.

Agora, com a ampliação de programas empresariais voltados para práticas sociais, ambientais e de governança, a Firgun passou a focar em fundos sociais criados em parceria com empresas que desejam impactar sua cadeia produtiva ou região. A mudança faz com que o crédito, que deve somar R$ 1,3 milhão até o final deste ano, chegue mais rápido aos empreendedores de baixa renda. "Se a gente quer que o Brasil cresça, temos que provocar essa mudança na sociedade", diz Takara.

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São Paulo: centro do conhecimento

Hoje, o Brasil conta com mais de mil fintechs, segundo a ABFintechs. O coração dessa onda inovadora é São Paulo, centro financeiro do país. Um mapeamento global apontou a capital paulista como quarto maior hub de fintechs do mundo, atrás apenas de São Francisco, Londres e Nova York.

Em uma cidade como São Paulo, que abriga cerca de 20 milhões de habitantes incluindo a região metropolitana, ter ambientes que promovam o encontro e a troca de experiências entre os empreendedores é fundamental para as fintechs. A cidade que já é reconhecida como a capital financeira do país, apresenta grande potencial para criação de soluções tecnológicas para impactar o mundo das finanças pessoais e corporativas, contando com a presença de boa parte desses hubs, como Distrito Fintech, BTG Bootslab, CUBO e o Foresee da Bolsa de Valores do Brasil.

Para fortalecer a conexão dos pequenos negócios com o ecossistema de inovação financeira, o Sebrae está desenvolvendo junto a parceiros o Delta Fintechlab. O projeto consiste num hub de inovação financeira voltado para o apoio a fintechs, o desenvolvimento de novas soluções financeiras e de novos instrumentos de financiamento para o mercado de capitais. Ele também conta com um programa de auxílio a startups na busca por investimento, o Delta Capital (https://ventiur.net/delta-capital/).

"Por meio de uma série de soluções como workshops, mentorias, eventos, materiais e assessoria, ajudamos empreendedores a se capacitarem e se conectarem com diversos tipos de investidores, para que consigam investimento em troca de participação societária", diz Garcia, do Sebrae.

Segundo dados do setor, para cada fintech que se torna muito grande, há outras cinco ou seis nascendo, tornando esse mercado muito dinâmico. Os hubs de inovação também ajudam a manter essa profusão de iniciativas em contato constante, o que estimula vendas, aquisições e fusões. Esse ecossistema afinado faz com que as fintechs sejam líderes do ranking de investimentos em startups.

Crédito na pandemia: unindo as duas pontas

Desde o início da pandemia, Sebrae e FGV têm monitorado o comportamento das pequenas empresas diante da crise. Dados divulgados em março deste ano mostram que as MPEs precisam de apoio financeiro, mas têm dificuldade para acessá-lo.

Os dados indicam que metade das pequenas empresas do país solicitou crédito a bancos desde o início da pandemia. Dessas, 52% não conseguiram. Entre os principais motivos para a recusa estão: empresa negativada por débitos anteriores, taxas de juros altas e falta de garantias ou avalistas.

"Foi preciso desenvolver um programa emergencial, que levasse recursos para pequenas empresas que dependiam do crédito para sobreviver à pandemia", confirma Garcia. Assim, o Sebrae-SP lançou o programa de Crédito Retomada em parceria com as fintechs Biz Capital e Nexoos e players tradicionais, como Cielo e Rede, para oferecer R$ 50 milhões de crédito a quem não conseguia capital.

"Capital de giro é uma necessidade recorrente de qualquer empresário", conta Garcia. Ele explica que recentemente surgiram diversas opções no mercado para as MPEs, como marketplaces para checar as condições comerciais em diversos bancos ou fintechs, a antecipação de recebíveis, equity crowdfunding; ou o empréstimo entre pessoas físicas e jurídicas mediadas por uma fintech, como faz a Nexoos. Criada em 2016, a plataforma já financiou R$ 580 milhões a empreendedores.

Garcia explica que as pequenas empresas tinham um histórico de, por exemplo, não adotarem controles financeiros ou fazerem isso em papel ou no Excel. As fintechs passaram a oferecer soluções para isso, em uma relação de crescimento mútuo. Nos últimos anos, ampliou-se o uso de ERPs (sistema de gestão empresarial) e de máquinas de cartão e, mais recentemente, a adoção de contas bancárias digitais, facilitando o gerenciamento das empresas.

Um sinal de que essa relação está se consolidando de modo veloz é o nível de confiança em fintechs. Levantamento da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) indica que o índice de confiança do consumidor brasileiro nas fintechs deu um salto significativo de 10 pontos percentuais entre março e setembro deste ano, passando para 59% — em empate técnico com os bancos tradicionais, cujo índice é de 60%. Entre os jovens até 24 anos, a confiança em fintechs é de 75%.

O futuro é promissor

A revolução provocada por esse modelo de empresa no sistema financeiro parece estar só começando. Mudanças estabelecidas por agências reguladoras devem abrir janelas de oportunidade nos próximos anos para a criação de produtos inéditos ou pouco ofertados.

Nos últimos anos vemos o crescimento acelerado das startups do setor, com grande volume de capital e empregos gerados. A tendência é que esse crescimento se mantenha, com destaque para as inovações trazidas por startups de bancos digitais, novos modelos de seguro, serviços digitais de cambio e aplicativos de investimento, além de produtos envolvendo cryptomoedas, blockchain, inteligência artificial para gestão financeiras, dentre outros.

Com a chegada do open banking, as micro e pequenas empresas tendem a ganhar mais autonomia financeira. "O compartilhamento de informações permitirá que elas adquiram um produto em uma instituição com a qual ela não tem relacionamento comercial, e em condições mais vantajosas", explica Garcia

Entretanto, ainda há um grande caminho para tornar essas soluções acessíveis aos desbancarizados, empreendedores informais, MEIs e microempresas. "Precisamos investir mais em inovação para essas novas soluções cheguem também aos pequenos negócios, especialmente aqueles que mais precisam. Esse é nossa expectativa com o Delta Fintechlab", afirma Wilson Poit, diretor do Sebrae SP.

"Pode ter certeza de que surgirão novas fintechs para aproveitar este movimento. Novos negócios surgirão, e as MPEs ganharão flexibilidade nas suas movimentações financeiras e poderão se tornar mais competitivas", finaliza Garcia.

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