Por que os juros básicos são bem menores que as taxas das lojas e bancos?

Anne Dias

Os juros básicos da economia (Selic) nunca batem – nem chegam perto – do que as lojas ou os bancos cobram. Por quê?

O professor de finanças pessoais Carlos Alberto Di Agustini, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), explica que a Selic é quanto o governo federal paga para pegar dinheiro do mercado.

"O juro brasileiro é o maior do planeta e baliza as operações do varejo. Um banco, uma loja ou uma indústria cobra a partir dessa taxa básica", diz Agustini.

Por isso, então, a Selic está perto de 10% ao ano e uma loja chega a cobrar 45% sobre uma compra parcelada.

"Aparentemente é muita coisa, mas tem muitos encargos sobre essa operação a prazo. É uma característica do mercado brasileiro." O professor também diz que o risco de oferecer o crediário e o cliente não pagar torna a prestação mais alta. É uma garantia para o comerciante.

E se um dia a Selic batesse em zero? "Ainda assim o impacto tributário e o risco de emprestar deixariam os juros altos", afirma.

A Selic sobe toda vez que o governo federal precisa de dinheiro em caixa ou quando ele precisa controlar a inflação.

Velocidade

Muitas vezes o que se observa é que, quando a Selic sobe, os juros bancários e os cobrados pelo varejo sobem imediatamente. Mas, se a Selic cai, os juros cobrados dos consumidores não caem na mesma velocidade.

O motivo é mais simples do que se imagina. "Com a expectativa de alta de juros, os agentes financeiros já se preparam para isso. Eles se antecipam e aumentam as taxas cobradas", diz Agustini.

"Se o governo está pagando mais, os agentes também precisam cobrar mais dos clientes", afirma o professor.

Negociação

Difícil mesmo é negociar as taxas com as lojas ou com os bancos. "Isso porque a Selic baliza tudo. A saída seria exigir que o governo encontrasse outros mecanismos para combater a inflação", afirma Agustini.

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