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Bancos criam fundos para facilitar investimento em ouro; foco é a alta renda

O ouro é tradicionalmente procurado por investidores em momentos de crise e medo da inflação - Arko Datta/Reuters/Arquivo
O ouro é tradicionalmente procurado por investidores em momentos de crise e medo da inflação Imagem: Arko Datta/Reuters/Arquivo

Epaminondas Neto

Do UOL, em São Paulo

26/02/2013 06h00

O preço do ouro disparou nos últimos dez anos. Em 2012, foi o investimento mais rentável, pelo terceiro ano seguido. Com isso, os olhares dos investidores se voltam para o metal e os bancos, por sua vez, tentam "simplificar" o acesso a essa aplicação por meio de fundos de investimentos atrelados ao ativo.

Banco do Brasil, Itaú, HSBC e Santander já oferecem esse produto desde 2011, pelo menos. O caso mais recente é da Caixa Econômica Federal, que lançou o fundo CAIXA FI Ouro Multimercado LP. A aplicação inicial é de R$ 5.000, com taxa de administração de 1,5% e liquidez diária.

CONHEÇA AS MANEIRAS DE INVESTIR EM OURO

No Brasil, o ouro pode ser negociado em barras ou por meio de contratos financeiros. Algumas corretoras especializadas vendem barras de 250 gramas, mas há opções de preços menores. O interessado pode guardar o produto ou deixá-lo depositado na corretora, que assume o compromisso de recompra. Na BM&FBovespa, é possível negociar contratos financeiros, que são certificados equivalentes a barras de 250 gramas, mas também há opção de pesos menores. Já os fundos de investimento em ouro são do tipo "multimercado", ou seja, também podem aplicar em outros produtos financeiros. 

Por enquanto, ainda se trata de uma linha de produtos restrita à clientela de alta renda. No Itaú, por exemplo, é um produto da linha Personnalité, e no Banco do Brasil, para o segmento Private, onde os correntistas têm investimentos na casa dos R$ 100 mil.

A Caixa restringiu a oferta desse fundo aos investidores considerados "qualificados", isto é, com mais de R$ 300 mil em aplicações financeiras (conforme a classificação do CVM, o órgão do governo que fiscaliza os mercados).

Como funcionam?

Esses "fundos dourados" oferecem ao investidor a chance de abocanhar os ganhos (ou sofrer as perdas) com as variações do preço do ouro.

Para o fundo de investimento da Caixa e dos demais bancos, a referência é o mercado de Londres, onde o preço atual do produto está próximo de US$ 1.580 a onça-troy (medida equivalente a 31,10 gramas).

Alguns desses fundos possuem uma variação mais sofisticada: são do tipo "capital protegido".  Nessa modalidade, os ganhos e as perdas são limitados. Assim, caso o preço caia demais, o investidor pode resgatar o dinheiro aplicado sem perdas (mas sem qualquer correção). Por outro lado, se o preço subir demais, na ocasião do saque o dinheiro é corrigido por uma taxa prefixada.

Quem compra? Quanto aplicar?

Edson Magalhães, especialista da corretora Reserva Metais (que vende barras pela Internet), identifica três tipos de compradores do metal.

O mais tradicional é o que procura o ouro como alternativa de diversificação para seus investimentos. Há, ainda, o investidor decepcionado com suas aplicações de renda fixa (como CDBs e fundos), que busca no metal uma oportunidade de ganho diferenciado. Mais recentemente, há também o comprador que usa o metal como um prêmio ou presente para terceiros.

O especialista em gestão financeira Richard Rytenband, da escola de negócios Infopro, sugere que o interessado, caso realmente decida por essa aplicação, reserve uma parcela minoritária dos recursos, não muito maior que 10%.

Quanto custa?

Os fundos de investimento em ouro seguem o padrão dos demais fundos. Os bancos cobram taxas de administração (cobrada sobre o valor aplicado) de 1% ou mais.

O impacto do Imposto de Renda também é o mesmo: 22,5% sobre os ganhos para aplicações até 180 dias; acima de 720 dias, a mordida do Leão cai para 15%.

Quanto pode valorizar?

Profissionais e investidores habituais do mercado de ouro esperam que o produto supere a marca dos US$ 2.000 nos próximos anos, o equivalente ao pico das cotações vista nos anos 1980, corrigida pela inflação do período.

O levantamento mais recente entre os integrantes da London Bullion Market Association, entidade que congrega o mercado londrino de ouro e prata, aponta expectativas de um preço médio de US$ 1.753 para a onça (31,10 gramas) neste ano, variando entre US$ 1.529 e US$ 1.914 ao longo de 2013.

O pico recente das cotações foi registrado em setembro de 2011, quando a onça chegou a US$ 1.895 em Londres.

Para o economista, é possível que o "grande momento" do ouro já tenha passado. "Pode ser que ainda exista um período de euforia nesse mercado, como aconteceu em 2007 com ações, quando era 'pecado' falar que a Bolsa poderia cair. Mas a relação entre risco e retorno não me parece mais tão vantajosa agora", acrescenta.

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