Renda fixa é melhor aplicação, mas Bolsa já atrai; poupança segue ruim

Sophia Camargo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

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A taxa básica de juros no Brasil foi mantida em 14,25% ao ano e continua elevada, o que favorece o investimento em renda fixa. Mas especialistas consultados pelo UOL acreditam que em outubro a taxa de juros deve começar a cair, o que pode levar os investidores a buscar a Bolsa para ter melhor rentabilidade. A poupança continua a pior aplicação.

"À medida que a crise política vai se resolvendo e o Banco Central goza de maior prestígio e confiança que o anterior,  caem as taxas de juros mais longas [vencem em prazos mais distantes] e a Bolsa tende a subir", diz Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Corretora.

Para Edgar de Sá, economista-chefe da Fenice Participações, o Tesouro Selic, que acompanha a taxa de juros, ainda compensa, mas o investidor já deve começar a investir também no Tesouro Prefixado. "Já a Bolsa deve ter cair no curto prazo, para embolsar lucros, mas sobe no médio e longo prazo", diz.

Veja mais dicas:

Poupança é pior aplicação

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  • Paga rendimento fixo de 0,5% ao mês mais TR. Por isso, não tira proveito da alta dos juros e ainda está perdendo da inflação
  • Aplicação só é melhor do que manter o dinheiro na conta-corrente; perde para todos os demais investimentos em renda fixa
  • No cenário de seis meses não é indicado. "Só é melhor do que ficar na fila dos aeroportos hoje", diz Silveira
  • À medida que os juros caiam, rendimento da aplicação deve melhorar, mas ainda deve ser menor do que os demais investimentos, avalia Edgar de Sá
  • Veja as contas de Sá: se o investidor aplicar R$ 1.000 no Tesouro Selic a 14,25% e mantiver por seis meses, terá, ao final do período R$ 1.051,75, já descontado o IR. Se colocar o dinheiro na poupança, terá R$ 1.042,40. Se o dinheiro ficar por dois anos nas mesmas condições, o resultado será R$ 1.243,41 no Tesouro Selic ante R$ 1.180,70 na poupança. "Mesmo sem IR, a poupança tem rendimento muito menor", diz.

Tesouro Direto é aplicação mais indicada

Alan Marques/Folhapress

  • Tesouro Selic, que acompanha a alta dos juros, é aplicação mais recomendada para quem não sabe quando vai precisar do dinheiro
  • Rende 100% da taxa Selic
  • Não sofre com a marcação a mercado, que altera o preço do papel diariamente para baixo ou para cima
  • Como sempre tem uma rentabilidade positiva, é indicado para o dinheiro de mais curto prazo
  • Tesouro IPCA+, com papéis indexados à inflação, é opção para se proteger do custo de vida e garantir juro prefixado
  • Tesouro Prefixado, cuja rentabilidade já é conhecida do investidor no momento da compra, é opção para diversificar. Se houver queda na taxa de juros, aplicação passa a ser mais recomendada
  • No Tesouro IPCA e Prefixado, preste atenção ao prazo de vencimento. Quem tirar o dinheiro antes pode perder rendimento

LCAs e LCIs são isentas de IR

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  • A maior vantagem é a isenção de IR
  • Desvantagem: manutenção do dinheiro aplicado por um período (em geral, três meses). Quanto maior a carência (período no qual o investidor não pode retirar o dinheiro), maior a rentabilidade
  • Está difícil encontrar LCI para aplicar, por causa da retração do mercado imobiliário. A oferta de LCA, atrelada ao agronegócio, se mantém; mas, segundo Edgar de Sá, é uma aplicação que costuma exigir um aporte maior de capital
  • Recomendação é investir em papéis que paguem pelo menos 95% do CDI
  • Tem garantia de até R$ 250 mil do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
  • Pedro Paulo Silveira não recomenda a aplicação em LCI, pois considera que o risco aumentou muito

CDBs: bancos menores pagam mais

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  • Melhor optar pelos pós-fixados, para acompanhar a alta dos juros
  • Ideal é que a aplicação pague acima de 105% do CDI; há bancos menores que pagam 115% do CDI
  • Bancos maiores costumam pagar entre 85% e 90% do CDI; nesse caso, rendimento é inferior ao do Tesouro Direto
  • Para obter mais rentabilidade, procure bancos menores. Para aceitar esse risco, é aconselhável limitar o valor do investimento a R$ 250 mil, atual garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Edgar de Sá recomenda investir menos, pois é preciso lembrar de garantir também os juros da aplicação

Bolsa: investimento de longo prazo

Shin Shikuma/UOL

  • À medida que cenário de queda de taxa de juros se fortalece, aumenta procura por ativos de maior risco
  • Para Edgar de Sá, quem quer investir pensando no médio e longo prazo pode comprar papéis ligados à infraestrutura do país, como empresas de logística e de comércio, além de bancos
  • Pedro Paulo Silveira indica ações de grandes bancos e empresas do setor elétrico. As ações de estatais também devem subir com melhores perspectivas para o governo
  • Para quem não tem nenhum conhecimento, é melhor começar a investir em fundos ou procurar ajuda especializada

Dólar: só compre se tiver despesas na moeda

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  • Quem tem gastos já programados em dólar, como estudos ou viagens, pode ir comprando a moeda aos poucos, para fazer um preço médio
  • Se a viagem estiver próxima, terá de comprar de uma vez para não correr riscos
  • Para quem quer investir, há opções como fundos cambiais e fundos nacionais que aplicam na moeda estrangeira
  • Para Edgar de Sá, a moeda pode cair até R$ 3,00, mas deve fechar o ano entre R$ 3,20 e R$ 3,40

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