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Economia demora a reagir, e juros podem cair neste ano, dizem especialistas

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

2019-03-20T18:05:43

20/03/2019 18h05

A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 6,5% ao ano, já era aguardada pelo mercado. Porém, economistas veem a possibilidade de, pelo menos, uma redução dos juros neste ano devido à demora da economia para retomar o crescimento e ao fato de a inflação estar sob controle.

Tradicionalmente, a primeira reunião sob comando de um novo presidente do Banco Central -- Roberto Campos Neto assumiu o posto no fim de fevereiro -- não costuma trazer surpresas. Por isso, os economistas não esperavam um corte agora.

"Como a atividade econômica ainda não está aquecida e a inflação está dentro da meta, é possível que o Copom reduza um pouco mais a Selic para tentar estimular a economia por meio da política monetária", disse André Alírio, economista e operador de renda fixa da Nova Futura Investimentos.

O último boletim Focus, que reúne as expectativas de dezenas de economistas para a economia brasileira, mostrou uma redução expressiva na média das projeções para o crescimento do PIB em 2019, para 2,01%. Há uma semana, a projeção média era de 2,28%. No ano passado, as estimativas chegavam a 3%.

A nova direção do BC deve aproveitar esse primeiro Copom para apresentar seu estilo de comunicação e sinalizar como irá conduzir a política monetária daqui para frente. "Talvez tenhamos alguma surpresa na forma de comunicação, no texto da ata", disse Fernando Fridman, responsável pela área de produtos da Ourinvest. A ata da reunião de hoje do Copom será divulgada na próxima terça-feira (26).

Além disso, o Banco Central deve manter a cautela por causa do cenário político, de olho nas negociações da reforma da Previdência. A aprovação de uma reforma muito "desidratada", isto é, bem menor do que a proposta de corte de despesas de R$ 1 trilhão em uma década, feita inicialmente pelo governo, pode causar nervosismo no mercado e afetar as projeções econômicas no médio e longo prazos.

"Tudo o que o Banco Central não quer é provocar uma expectativa que gere instabilidade lá na frente", disse Alírio.

"Se realmente houver espaço para uma nova queda dos juros, ela acontecerá mais para frente, possivelmente depois de aprovada a reforma", disse Fridman.

Onde investir?

Como o cenário ainda é de redução das taxas de juros, a renda fixa tradicional continuará menos atraente do que outras opções de investimento. O caminho para conquistar ganhos maiores, dizem os especialistas, é diversificar. Busque informações sobre novos produtos, especialmente aqueles que tenham uma parcela de renda variável em sua composição.

"Há novos produtos, que não são tão conhecidos do público em geral, mas que oferecem rentabilidade maior, sem necessariamente apresentar um risco muito grande, como os COEs (Certificados de Operações Estruturadas) e os fundos imobiliários", disse Fridman.

"O mais importante é que o investidor tenha claro quais são seus objetivos, de curto, médio e longo prazo, e quanto ele pode arriscar", afirmou o especialista do Ourinvest.

Bolsa segue atraente para longo prazo

Mesmo após atingir os 100 mil pontos e acumular alta de 14% em pouco mais de dois meses, a Bolsa de Valores continua atraente, desde que o objetivo do investimento seja de longo prazo.

Porém, nos próximos meses, o mercado poderá sofrer fortes oscilações por causa das negociações em torno da reforma da Previdência, alertam os especialistas.

"Vamos ver muito mais movimentos especulativos do que com base nos fundamentos das empresas. Por isso, é preciso ter cautela nesse momento e só investir na Bolsa aquele dinheiro que não vai fazer falta", disse Bernardo Pascowitch, fundador do buscador de investimentos Yubb.

"Se o objetivo é de longo prazo, mas longo prazo de verdade, acima de 10 anos, aí tudo bem. O potencial para a Bolsa é muito grande, especialmente se a reforma da Previdência for aprovada. Mas é preciso conhecer o seu apetite por risco. Se você não suporta muita volatilidade, coloque no máximo 10% do seu patrimônio em ações ou fundo de ações", disse Pascowitch.

Renda fixa tem oportunidades em prefixados

Apesar da taxa Selic ter recuado bastante nos últimos anos, saindo da casa de 14,25% em outubro de 2016 para 6,5% agora, ainda há algumas oportunidades de ganho na renda fixa, principalmente em papéis prefixados ou atrelados à inflação (IPCA) com prazos longos, acima de cinco anos.

"Há alguns CDBs prefixados pagando cerca de 10% ao ano para aplicações de até cinco anos. Se você considerar que a Selic está em 6,5% e ainda pode cair um pouco mais, é uma ótima taxa", disse Alírio.

As melhores taxas estão em CDBs de bancos médios, oferecidos em plataformas de investimento de corretoras. O investidor deve ter o cuidado apenas de respeitar o limite de aplicação de R$ 250 mil por instituição para ter seu investimento protegido pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

Pascowitch, do Yubb, recomenda também os títulos públicos do tipo Tesouro IPCA, que pagam rendimento equivalente a inflação mais uma taxa de juros real.

"É um ótimo papel tanto para momentos de tranquilidade como para fases de nervosismo do mercado. Aconteça o que acontecer no Brasil, seu investimento renderá acima da inflação, desde que você mantenha a aplicação até o vencimento", disse.

Não descuide da reserva de emergência

Apesar dos juros baixos na renda fixa, ela continuará sendo o destino da reserva de emergência.

"Ela tem que ficar em uma aplicação pós-fixada e que tenha liquidez diária, como o Tesouro Selic. Não adianta querer colocar a reserva na Bolsa, onde você pode perder dinheiro no curto prazo", declarou Pascowitch.

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