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Tem mais de um cartão de crédito? Veja como não se enrolar com os juros

Matheus Adami

Colaboração para o UOL, em São Paulo

27/08/2021 04h00

O produtor cultural Vinícius Rigoletto, 40, tem sete cartões de crédito e paga as faturas como dá, sem pensar em quanto está gastando. Ele é o personagem do último episódio da temporada de Desafio Aceito, programa apresentado por Thelma Assis, vencedora do BBB20. No programa, Vinícius recebe ajuda de Yolanda Fordelone e Cesar Esperandio, especialistas em finanças e colunistas do UOL, e decide cancelar vários cartões.

O hábito de ter vários cartões de crédito é um perigo para quem não tem organização financeira. O motivo: os juros cobrados no rotativo, que em junho chegaram à média de 327,5% ao ano, segundo o Banco Central.

Especialistas ouvidos pelo UOL dão dicas para ajudar na organização das contas e no uso controlado do cartão de crédito. Veja abaixo.

Dá para ter mais de um cartão de crédito?

Sim, desde que você se organize. "Costumo recomendar para os meus clientes que tenham apenas um cartão de crédito ou, no máximo, dois, quando o limite do cartão principal é insuficiente ou quando deseja-se ter um cartão reserva", disse a planejadora financeira Fernanda Prado.

Segundo ela, o cartão de crédito pode ser, inclusive, de um banco digital, que podem oferecer opções de cartão sem anuidade.

"Acho interessante ter um segundo cartão para emergências, caso acabe o limite do primeiro e surja um imprevisto", declarou Nayara Boer, planejadora financeira e sócia da Renova Invest. "Mas a ideia é concentrar os gastos em um único cartão, para ter um controle melhor. Senão a gente se enrola mesmo."

Como controlar os gastos em cada cartão?

Caso opte por mais de um cartão de crédito, o ideal é que as datas de vencimento da fatura sejam próximas ao recebimento do salário.

"Se você recebe em mais de uma data no mês, tenha a atenção redobrada para que a fatura case com a parte do salário 'certo'. Ou seja, a maior parte do salário para pagar a maior fatura, assim você não ficará no negativo em nenhum momento", disse Gustavo Dias, planejador financeiro e cofundador da Duoo Finanças Pessoais.

"Se a pessoa tem recebimentos fracionados ao longo do mês, recebendo em duas ou três parcelas, pode ter cartões com datas diferentes. Assim, parte dos gastos será paga logo após o primeiro recebimento e a outra parte, após o recebimento da segunda entrada, por exemplo", disse Fernanda Prado.

Cely Romero, sócia e assessora da Renova Invest, recomenda que quem tem mais de um cartão os use para coisas diferentes. "É saudável também ter um controle de gastos por perfil de consumo. Sparar por perfil de cartão é uma forma de disciplinar o quanto vai gastar no mês", diz.

Outra dica é dedicar um cartão às compras do dia a dia. O cartão secundário ficaria reservado para compras maiores. "Se você tem dois cartões, um deles pode ser para compras à vista e compras menores, como mercado, padaria e cinema. E o outro para compras maiores e, aí sim, você pode fazer um parcelamento, diz José Luiz Masini, planejador financeiro da Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro).

Me enrolei no cartão. E agora?

O maior problema é deixar de pagar a fatura integral. Isso acarreta duas coisas: ou você entra no crédito rotativo — quando o valor que não foi pago é 'jogado' para a fatura seguinte — ou parcela o montante que ficou em aberto. Nos dois casos, há juros pesados.

"É uma das piores dívidas que a pessoa pode contrair, porque os juros são muito altos. Você pode ficar com uma dívida quase impagável", afirmou Masini.

O que fazer caso aconteça algo assim? "Para quem já está assim, vale muito a pena avaliar a dívida e substitui-la por um empréstimo, que tem juros mais baixos que o do cartão de crédito. É uma troca de dívida", afirmou Boer.

Claro, a parcela de empréstimo tem que caber no seu bolso. É fundamental colocar o valor das parcelas do empréstimo no orçamento também.

Parcelar ou pagar à vista?

Comprar de forma parcelada tem vantagens e desvantagens, na avaliação dos especialistas. Por um lado, é possível ter um pouco mais de controle sobre os demais gastos, por outro, corre-se o risco de "esquecer" os valores que foram parcelados no orçamento mensal.

"O ideal é não parcelar. Se você não controla bem os gastos no cartão, pague tudo em uma parcela só, no vencimento da próxima fatura", disse Masini.

Romero defende a compra feita à vista: "É o melhor dos mundos, porque você consegue um bom desconto."

Já Boer diz que parcelar pode ser vantajoso. "Vamos supor que você precise comprar um notebook que custa R$ 2.000 e você tenha esse dinheiro guardado. Se tiver desconto, é mais vantajoso pagar à vista. Agora, se não houver benefício, vale parcelar no máximo de vezes que puder", disse. Mas é preciso organização. O limite do cartão estará comprometido e você terá menos dinheiro para gastar, por causa do pagamento da fatura.

Usar o cartão para acumular milhas vale a pena?

Milhas aéreas são um benefício comum em cartões de crédito. Mas será que realmente vale a pena aumentar o uso do cartão só por causa disso?

"Tem fintechs e novas empresas que retribuem e premiam melhor o detentor de cartão de crédito. Hoje está muito em voga o cashback. Você compra e já tem um benefício em dinheiro com aquela compra. É algo muito mais palpável do que milha. Milha tem um valor relativo que você desconhece", falou Masini.

"Depende do quanto você gasta e qual o tipo do seu cartão. Com gastos de até R$ 3.000, por exemplo, o uso do cartão não será o melhor para acumular milhas. Um cartão sem anuidade não deve ter tantos benefícios", disse Boer.

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