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24/09/2009 16h15

Jovens largam tudo para tentar virar milionários na Bovespa

Anne Dias
"Day trader" é o sujeito que compra e vende ações várias vezes ao dia. Pode ser um investidor pessoa física que faz isso em causa própria, pode ser o gestor de um fundo que opera para clientes de um banco ou de uma corretora.

E, nesta fase pós-crise, com a Bolsa de Valores subindo, muitos estão virando "day traders". Vários até desistiram de tudo para operar. São jovens (têm menos de 25 anos), normalmente homens e com um objetivo em comum: querem ficar milionários logo.

Roberto Setton/UOL
Danilo Bertasi vende e compra ações em casa; tenso, costuma roer as unhas
VEJA O COTIDIANO DE UM "TRADER"
Danilo Bertasi tem 19 anos e paga todas as contas de casa, o carro blindado e a faculdade com a rentabilidade das ações.

"Mas não é fácil. Comecei com R$ 8.000 e de cara perdi R$ 3.000", diz Danilo. Ele rói as unhas, sofre de pressão alta e toma remédio para dormir. Antes de começar a operar na Bolsa, Danilo era modelo fotográfico. De lá para cá, engordou 20 quilos. Atualmente, faz planos para ficar milionário aos 25 anos ou antes.

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Esse jovem investidor tem um segredo para se dar bem com a Bolsa de Valores: não importa o que a empresa vende. Ele só opera papéis que oscilam muito.

"Adoro ações de construtoras e as das empresas do Eike Batista. Para mim, tanto faz se vendem cadeado ou biscoito", afirma Danilo. Ele estuda administração de empresas no Mackenzie, em São Paulo, mas não quer trabalhar em escritório. "Meu negócio é a Bolsa", diz.

Há duas semanas sua carteira só vem dando lucro. "Já sei que logo vou ter prejuízo, é sempre assim", diz.

Demissão
Outro exemplo é Diego Mattiello. Ele tem 25 anos, não é casado, não tem filhos e é analista de sistemas.

Há dois meses largou o emprego onde estava havia dois anos e ganhava R$ 2.000 por mês. "Com a Bolsa, faço pelo menos R$ 4.000 todos os meses", diz Mattiello.

Ele afirmou que pensou bem antes de largar tudo. "Estava cansado da rotina e do salário baixo."

No começo do ano, Mattiello fez um curso para entender como operar na Bolsa via home broker.

Começou com R$ 2.000, que viraram R$ 10 mil no mercado acionário. De tão animado, Mattiello colocou mais R$ 20 mil em ações, sempre operando em minicontrato futuro (compra e venda de papéis em prazos determinados).

A ganância do jovem tem um certo limite. "Sigo uma estratégia. Quando a Bolsa atinge o que defini, páro de operar e só volto no dia seguinte", afirma.

Por outro lado, ele quer ficar milionário em cinco anos. Capitalizado, Mattiello espera abrir uma consultoria para ajudar outros investidores. "Até porque ficar só operando é muito chato", diz.

Experiência
O trader Carlos Episcopo, mais conhecido como Iceman (homem de gelo, em inglês) nos fóruns que discutem o mercado, afirma que é comum aparecer jovens que queiram ficar milionários rapidamente. "Toda vez que o mercado entra em alta depois de uma crise isso acontece."

Episcopo tem 39 anos e é trader há cinco. Antes disso, ele era sócio de uma empresa de telecomunicações. Como ele operava mais do que trabalhava, o sócio deu um ultimato. Ele optou por largar a sociedade e viver da rentabilidade do mercado de ações.

O problema dos jovens traders, diz Episcopo, é a autoconfiança. "A maioria quebra a cara depois de algum tempo."

Para ele, o segredo de quem quer virar "day trader" é ouvir os mais experientes, entrar nos fóruns de debate, ler as análises de corretoras.

Dinheiro fácil
O gerente-geral do INI (Instituto Nacional de Investidores), Paulo Portinho, já viu muitos jovens entrarem no mercado e se darem mal.

"A chance de alguém se dar bem vendendo e comprando o dia todo até existe. Mas dificilmente se mantém", afirma.

O problema, diz Portinho, é que esses investidores são muito agressivos e encaram a Bolsa como um jogo, não um investimento.

"Quando começam a perder sem parar, entram em pânico e largam tudo. E Bolsa é investimento para o longo prazo", diz Portinho.

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