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Quer navegar por ações? Busque as que vão bem em mar tranquilo e tempestade

Getty Images/iStockphoto/BrilliantEye
Imagem: Getty Images/iStockphoto/BrilliantEye
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Alexandre Sabanai

Alexandre Sabanai

Alexandre Sabanai é o sócio responsável pelo research e cogestão dos fundos abertos da Perfin Asset desde agosto de 2011. Alexandre iniciou sua carreira no mercado financeiro em 2001 no Bank Boston Asset Management na área de renda variável. Em 2005, ingressou no Unibanco como analista de ações de telecom, onde foi premiado como runner-up team pela Institutional Investor All-Brazil Research Team. Em 2006, tornou-se sócio da RXZ Investimentos, onde estruturou a área de renda variável, fazendo a co-gestão do fundo de ações com Roberto Ruhman. Alexandre é formado em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas (Eaesp).

Especial para o UOL, em São Paulo

14/09/2020 04h00

Navegar de forma robusta o oceano complexo de investimento em ações é uma empreitada que requer um bom planejamento. Iniciando pela definição do destino que queremos alcançar, passando a analisar as alternativas de rotas disponíveis e as idiossincrasias de cada uma delas. Nessa etapa do processo, mapeado os riscos e características dos diferentes trajetos, deveríamos nos concentrar em definir qual o tipo de embarcação e ferramentas são mais adequadas, ponderando a segurança e o sucesso/eficiência da empreitada.

Em uma realidade pouco habitual no Brasil, representada por um juro (Selic) em forte queda nos últimos 2,5 anos e que atingiu seu menor patamar ao ano recentemente, verificamos que o porto seguro da renda fixa, poupança de milhões de brasileiros, foi dizimado. Desta forma, muitos se lançaram ao alto-mar almejando obter maiores retornos.

Em busca desse objetivo, o investidor brasileiro passou a aprender mais sobre alternativas de investimentos à poupança e à renda fixa, como, por exemplo: debêntures incentivadas, fundos de crédito, fundos multimercados, fundos imobiliários, fundos de ações, fundos de private equity & venture capital e investimentos diretos em ações (o número de CPFs cadastrados na B3 passou de 2 milhões em 2020).

Dentre esses, o investimento fundamentalista em ações é uma ótima alternativa para quem busca um grande potencial de retorno e geração de riqueza para um patrimônio a ser construído por retornos compostos ao longo do tempo.

No entanto, o oceano de ações é bastante complexo, dinâmico e volátil. Ora estamos navegando com uma tranquilidade similar ao golfo Pérsico, onde são usuais as corridas e passeios de lanchas esportivas de alta velocidade (high-performance powerboats) que desempenham perfeitamente em mares calmíssimos e sem ondas (vide os últimos 4 anos de bonança do pós-impeachment). Ora estamos navegando no estreito de Drake, com ondas de 9 metros e forte correnteza, tentando cruzar o extremo sul das Américas, para chegar ao continente Antártico (cenário atual de pandemia, crise econômica e bagunça política).

Tentar adivinhar o momento certo em que teremos tormenta ou um céu de brigadeiro é uma das artes mais difíceis de se conquistar, mesmo com vários anos de experiência no mercado financeiro. Então, a escolha do tipo de embarcação que teremos para navegar nos diferentes cenários é decisiva. Ponderando os fatores segurança e eficiência da empreitada, escolher uma ação/empresa que seja um lento e confortável transatlântico para cruzar um mar extremamente calmo pode ser uma alternativa morosa e com alto custo de oportunidade, ao mesmo tempo que enfrentar uma tormenta de crise econômica em uma ação/empresa menos robusta, como uma lancha esportiva, pode inviabilizar a chegada no nosso destino final.

Neste contexto, podemos fazer um paralelo com a performance das empresas de menor capitalização de mercado, as chamadas "Small Caps", que vinham performando bem melhor que o índice Ibovespa antes da pandemia, mas estão sofrendo bem mais durante a crise por serem empresas com maior fragilidade da capital de giro e pelo menor acesso a fontes de financiamento de crédito.

Dessa forma, o ideal é identificar as empresas que combinem a menor dependência possível de fatores exógenos ao seu negócio (ciclos econômicos, variáveis macro, dependência do governo etc.), pois, assim, a empresa ou embarcação continuará a navegar, propondo uma boa experiência em mares mais adversos. Além disso, outro ponto importante é que o valor pago por essa empresa deve conter grande margem de segurança e atraente potencial de retorno ajustado ao risco. Ou seja, uma embarcação robusta para aguentar fortes tempestades, mas que tenha uma boa agilidade e potência.

Neste contexto, algumas empresas dentro do setor de tecnologia, e-commerce e serviços financeiros têm ganhado destaque dentro dos nossos fundos de ações. Acreditamos que combinações de empresas desses três setores trarão ótimas oportunidades, dadas grandes intersecções de áreas de negócios e suas sinergias.

Somente como exemplo, estamos vendo com bastante interesse este capítulo de negociações para quem deve adquirir a principal empresa de software de gestão no varejo, a Linx. A Stone e a Totvs disputam acirradamente para ver quem vai levar a empresa, sendo que cada uma delas tem ótimas perspectivas de geração de valor com essa combinação. Além disso, não nos surpreenderia se novos candidatos surgissem para entrar nessa disputa.

Espero que sigam em busca de boas embarcações, que levem vocês ao seu destino final de obter ótimos retornos ajustados ao risco. "O mar não é um obstáculo: é um caminho", diria Amyr Klink.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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