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5 lições de 2020 para nossas vidas financeiras

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Valter Police

Valter Police

Planejador Financeiro CFP(R), é o Head da Academia Fiduc, além de administrador de carteiras registrado na CVM.

01/02/2021 04h00

O ano de 2020 ficará marcado na história, dadas as questões sanitárias e seus impactos em todos os aspectos de nossas vidas. Com relação aos assuntos financeiros não é diferente, e podemos tirar lições valiosas, que podem melhorar nosso comportamento quando o assunto é dinheiro e nos trazer uma vida financeira mais tranquila, que nos aproxime de nossos objetivos de vida.

1) Reforce a importância da reserva financeira: Aquele dinheiro que deve ficar preservado em investimentos de alta liquidez e baixo risco, cujo objetivo é a disponibilidade para poder ser utilizado em caso de necessidade. Como vimos, todos nós fomos surpreendidos por uma "necessidade" completamente inesperada (sendo justo, talvez o Bill Gates tenha imaginado, de acordo com um documentário que assisti, mas eu não imaginava e acho que você também não).

Se você não se preocupava muito com essa parte de seus investimentos, seja porque não tinha investimentos, seja porque achava que rendia pouco e concentrava os investimentos em classes de ativos com menos liquidez e maior volatilidade na busca de mais retorno, espero que a lição tenha sido aprendida.

A reserva deve ter um tamanho estimado entre três e 12 vezes de seus custos mensais, a depender da maior ou menor previsibilidade de suas receitas e despesas (mais previsível, menor reserva e vice-versa). Se você usou parte da sua reserva em 2020, recompô-la deve ser uma prioridade.

2) Controle sua gestão financeira: Você sabe quanto ganha? Quanto gasta? Onde gasta? Todo mundo responde sim a essas perguntas, mas pouca gente tem precisão com relação aos números.

O ano de 2020 nos ensinou como é necessário conhecer os detalhes de nossos orçamentos, não por uma questão de curiosidade, mas sim para poder agir assertivamente sobre nossos recursos. Sem isso, desperdiçamos muitos recursos em coisas que não nos aproximam de nossos objetivos de vida, tampouco nos trazem algum prazer.

Existem vários métodos para ter esse controle: desde um caderno, passando por planilhas e chegando até a aplicativos. O meio de controle é menos importante do que o fato de ter o controle. Escolha seu método e tenha controle de sua vida financeira.

3) Tenha seguros: Dizem que as pessoas só compram cadeados depois de terem a porta arrombada. Os seguros são encarados muitas vezes como uma despesa que pode ser eliminada, dado que, em alguns casos, pagamos por anos e não vemos nenhum benefício. Na verdade, isso equivale a dizer que um trapezista não precisaria da rede de segurança abaixo do trampolim porque nunca caiu.

Seguros são fundamentais dentro da vida de qualquer pessoa e devem cobrir os principais riscos financeiros de cada um. Seguro de vida e invalidez para quem ainda não construiu o patrimônio para as despesas de seus dependentes ou mesmo suas, em caso de invalidez; seguro (ou plano de) saúde para as questões médicas, cujos custos podem não ter fim; seguros patrimoniais para os imóveis e veículos; seguros de afastamento temporário de trabalho e de responsabilidade civil para os profissionais liberais, entre tantos outros.

O custo dos seguros é um pequeno preço a pagar para amenizar alguns dos momentos mais difíceis da vida.

4) Seja paciente: De acordo com Warren Buffet, o mercado transfere dinheiro dos impacientes para os pacientes. Até o início de 2020 o índice Ibovespa estava em uma escalada impressionante, muito próximo dos 120 mil pontos. Os investidores estavam empolgados e muitos tiravam recursos de outras classes de ativos (até da reserva de emergência sobre a qual falamos) para colocar em ações. Outros, ainda mais impacientes, se aventuravam no mundo do "day trade" e nas arriscadas "opções", na busca por retornos altos e rápidos.

Logo o rumo mudou, e em março o mesmo índice tinha chegado a pouco mais de 60 mil pontos (uma queda de quase 47% em apenas dois meses). Muitos investidores não aguentaram e, com a impaciência e a sensação de que iriam perder tudo, sacaram seus recursos e voltaram à tradicional renda fixa, perdendo muito dinheiro. Enquanto isso, alguns investidores pacientes mantiveram suas alocações e, sempre que possível, continuavam a fazer novos investimentos, como se nada estivesse acontecendo.

O resultado é que no fim de 2020, o índice Ibovespa havia retornado aos 120 mil pontos. Quem foi paciente e não mexeu em nada já recuperou toda a queda. Quem manteve pacientemente o hábito de investir, ganhou muito dinheiro no ano. Já quem investe com base nas notícias do dia, bem, esses impacientes, como disse o Sr. Buffet, entregaram seus recursos para quem investe bem.

5) Contrate profissionais: Vimos isso na área da saúde e vimos também na área financeira. Enquanto muita gente recorreu à internet ou amigos na busca de respostas genéricas para dúvidas específicas, pessoas que contam com apoio profissional de planejadores financeiros, corretores de seguro e gestores, profissionais nos quais confiam, puderam dormir mais tranquilas, sabendo o que fazer (ou não fazer) durante a crise.

Desta forma, temos no ano de 2020, ao menos do ponto de vista financeiro, uma verdadeira escola que nos ensinou o valor da reserva financeira, a importância de conhecermos nossos gastos, o fundamental papel dos seguros, a sermos pacientes com os investimentos, sem falsas ilusões sobre retornos altos e rápidos e, por fim, o valor de serviços profissionais de confiança.

Desejo que essas lições nos façam lidar melhor com nossos recursos financeiros para que, nas próximas crises, estejamos mais preparados para enfrentá-las.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.