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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Você precisa aprender o novo jeito de investir no Brasil pós-pandemia

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Luis Gustavo Jorge Politi

Luis Gustavo Jorge Politi

Sócio de desenvolvimento de negócios da Consulenza Investimentos

19/07/2021 04h00

O mundo completou mais de um ano de pandemia, um período que foi extremamente conturbado e cuja magnitude dos efeitos em escala global não estava nos radares de ninguém. Seguimos nesse ambiente com níveis ainda elevados de incerteza no campo econômico e político.

Elementos e indicadores que são cruciais para a construção de um cenário base na elaboração da carteira de investimentos fugiram de todos os padrões, e qualquer projeção se tornou meramente suposição. Em meio a esse cenário conturbado, três questões se colocam: como ficam seus investimentos? Quais são os melhores investimentos para o ano? O que mais pode dar errado?

Leia o artigo completo abaixo.

No âmbito global, surgem picos repentinos de novos casos de covid-19 em alguns países —a bola da vez é a Índia, com alguns governos novamente decretando lockdowns e regras mais rígidas de combate à doença.

Os holofotes ainda continuam sobre as dificuldades de fornecimento de vacinas e insumos. Os Estados Unidos e outras grandes economias como Inglaterra, Japão e a Zona do Euro caminharam na direção de possíveis novos pacotes de estímulos fiscais e monetários, visando novas enxurradas de injeção de liquidez no mercado global.

Esses estímulos incentivam o preço de vários ativos em níveis recordes, atenuando mais recentemente a preocupação com a provável volta da inflação advinda de possíveis choques de oferta e demanda nas principais economias globais, o que pode voltar a trazer alguma volatilidade aos mercados acionários.

No Brasil, sentimos os mesmos efeitos da escala global, mas as preocupações com relação ao quadro fiscal e incertezas políticas continuam preocupando o mercado.

Evidentemente, estes movimentos mais bruscos no mercado não acontecem com frequência. Mas ainda assim podemos e devemos recorrer à diversificação em classes de ativos descorrelacionados para nos proteger, buscando sempre reduzir o risco sem prejudicar o retorno esperado da carteira de investimentos. Em um processo de diversificação, o investidor precisa traçar uma estratégia integrada.

Produtos considerados como "o porto seguro dos investidores", como o Tesouro Selic, tiveram seus momentos de rentabilidade negativa, mais especificamente entre setembro e outubro, algo que não ocorria havia 18 anos!

Com isso, no cenário atual, quem quiser mais retorno precisará aceitar mais e mais risco. Distribuir os "ovos nas mais diferentes cestas disponíveis no mercado financeiro" é o que poderá ajudar o investidor a alcançar seus objetivos de maneira mais tranquila e com menos sustos.

Se para muitos investidores já é difícil escolher onde começar a investir, escolher vários ativos para aportar o dinheiro parece praticamente impossível. Não existe fórmula pronta, e cada investidor deve tomar suas decisões visando mitigar os riscos e ampliar os ganhos, sempre acompanhando e fazendo o rebalanceamento periódico.

Ao compor uma carteira diversificada, além da correlação entre os ativos alocados, é importante escolher diferentes mercados, empresas que não pertençam ao mesmo grupo e que sejam de setores diferentes da economia.

Uma carteira de investimentos bem diversificada pode e deve ser composta por ativos de renda fixa e renda variável, mas isso vai depender do perfil do investidor. Caso o investidor tenha zero tolerância à volatilidade, ele não deve comprar ações na Bolsa de Valores diretamente, por exemplo.

Existem diferentes classes de investimentos, e cada uma delas segue regras e uma lógica de rendimentos distinta. Por exemplo, investimentos diretos em ações costumam ser mais voláteis, enquanto aplicações em fundos de renda fixa trazem mais estabilidade.

Também procure por aplicações vinculadas a diferentes regiões geográficas, pois por mais globalizado que esteja nosso mundo hoje, ainda existem diferenças grandes entre investir no Brasil e investir nos Estados Unidos, por exemplo. Além disso, se possível aplique em diferentes moedas —dólares norte-americanos, reais, libras esterlinas, euros, etc.—, observando as tendências cambiais de cada moeda e as expectativas de alta ou queda.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL