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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Vai comprar um carro? Cuidado com os custos ocultos

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Valter Police

Valter Police

Planejador Financeiro CFP(R), é o Head da Academia Fiduc, além de administrador de carteiras registrado na CVM.

09/08/2021 04h00

O carro foi, historicamente, um objeto de desejo do brasileiro. Mais do que uma necessidade, refletia paixão, que fornecia prazer, status, conforto e até liberdade. No entanto, esse desejo tem o potencial de fazer estragos no orçamento e no patrimônio das pessoas, e entender os custos envolvidos é fundamental para que se possam fazer escolhas mais assertivas.

Em especial agora, em que diversas reportagens registram uma forte alta nos preços dos automóveis, tanto novos quanto usados, decorrente de vários fatores como o aumento da demanda impulsionada pela queda nos juros das operações de financiamento, a falta de peças que atrasa a produção e mesmo o aumento do dólar.

Leia abaixo o artigo completo.

Quando pensamos nos custos de se possuir um veículo, algumas despesas logo nos vêm à cabeça: combustível, IPVA e manutenções. Todas elas são relevantes, mas devemos lembrar que a lista é muito maior, e os impactos financeiros não devem ser menosprezados.

Seguro, pequenas avarias não cobertas pelo seguro, pedágios, estacionamentos e lavagens são outros custos nada desprezíveis, que devem ser levados em conta na hora da decisão de comprar um veículo.

Diversas vezes, já vi pessoas decidindo pela compra de um veículo após o anúncio das condições de um financiamento, em que ancoraram o valor da parcela como se fosse o valor do custo mensal que irá ocorrer. Nada mais distante da realidade.

A parcela do financiamento é, sim, um custo e pode ser muito alto; mas os custos totais são muito maiores. Como exemplo, um veículo de R$ 100 mil que tenha metade do valor financiado em 36 meses, com custo efetivo total de 1,2% ao mês, teria uma parcela de aproximadamente R$ 1.720, mas um custo total entre R$ 3.000 e R$ 4.000!

Ao se decidir pela compra pensando que o orçamento será impactado apenas pela parcela, os demais custos podem abrir um rombo que tende a ser coberto por novos empréstimos, piorando ainda mais a situação.

Você pode perguntar como é possível que os custos sejam tão altos. A razão para isso é que, normalmente, nos lembramos apenas daqueles custos que "sentimos no bolso" todos os meses, como os que mencionamos acima. No entanto, deixamos de contabilizar alguns dos maiores custos, porque eles não são sentidos tão facilmente, embora estejam lá.

O primeiro deles é o custo de oportunidade. Ele existe porque quando você coloca o dinheiro em um veículo, o retira de algum investimento que estaria rendendo.

O potencial rendimento desse investimento, por não ser realidade em decorrência do veículo, se torna um "custo de oportunidade". Você pode imaginar algo como 0,5% do valor do carro ao mês. Em um carro de R$ 100 mil, isso representa R$ 500 todos os meses, que não sentimos porque não sai do bolso, mas deveríamos porque ele deixa de entrar.

Outro custo de oportunidade, quando cabível, é o aluguel da garagem. Em muitos condomínios, as vagas de garagem são muito disputadas, e ter uma vaga sem uso pode render um bom dinheiro, alugando-a. Se esse for o caso, o valor deste aluguel também é um custo de oportunidade do veículo, pelo mesmo raciocínio do parágrafo anterior.

No entanto, na maior parte dos casos, o custo oculto mais impactante de um veículo é a depreciação: a desvalorização do preço do veículo ao longo do tempo. Ela varia de modelo para modelo, mas em geral é maior quanto mais novo é o carro, chegando a ser de mais de 20% de desvalorização no primeiro ano de alguns modelos.

Como esse custo também não sai de nosso bolso todos os meses, não prestamos atenção, mas embora não saia do bolso, ele sai do patrimônio.

Se o veículo tiver uma depreciação acumulada de 36% ao longo de três anos, no exemplo do veículo de R$ 100 mil, isso representaria R$ 1.000 ao mês durante esse período, já que, ao vendê-lo, o patrimônio teria caído de R$ 100 mil para apenas R$ 64 mil.

Isso não quer dizer que você não deve comprar um carro. Quer dizer apenas que deveria conhecer todos os custos dessa decisão, para fazer escolhas mais conscientes e não ser pego de surpresa.

Com as novas opções de locomoção, como os aplicativos de motoristas e as novas formas de "aquisição", como as assinaturas de carros, as possibilidades de escolha crescem. E analisar todas elas com racionalidade ajuda muito a buscar as melhores opções para cada situação individual. Boas escolhas!

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL