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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Investir todo mês ou na 'melhor hora': qual estratégia rende mais?

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Valter Police

Valter Police

Planejador Financeiro CFP(R), é o Head da Academia Fiduc, além de administrador de carteiras registrado na CVM.

04/10/2021 04h00

Em momentos de instabilidade nos mercados —como temos vivido desde o ano passado por causa da pandemia global e deveremos continuar a viver até o fim do ano que vem, no mínimo, por causa das questões políticas locais—, é normal que os investidores sintam que devem levar seus investimentos para opções mais "seguras", como o CDB do banco grande, títulos públicos federais, caderneta de poupança, imóveis ou mesmo enviar os recursos para fora do país.

Por trás destas decisões está o medo da perda. Mas também um pouco de ganância, com o objetivo de tentar "voltar ao mercado" quando estiver no ponto mais baixo, capturando uma futura alta por completo.

Leia o artigo completo abaixo.

Como sabemos, acertar o momento exato em que o mercado está em seu ponto mínimo e quando ele irá subir é impossível, mas se alguém pudesse acertar esses momentos sempre, provavelmente teria um retorno incrível nos investimentos, não é mesmo?

O COO da gestora de patrimônio norte-americana Ritholtz Wealth Management e fundador do blog "Of Dollars And Data", Nick Maggiulli, fez uma extensa pesquisa sobre o tema, com dados do mercado norte-americano entre 1929 e 2019. Ele chegou a algumas conclusões que podem te surpreender.

O estudo consistiu em comparar dois investidores hipotéticos, com estratégias distintas, e ver os resultados. Vou chamar uma investidora de Maria e o outro de João. Maria investe todos os meses a mesma quantia, sem se preocupar se o mercado está subindo ou caindo. Ela foca apenas em ter disciplina para guardar a mesma quantidade de dinheiro todos os meses.

João consegue guardar mensalmente o mesmo dinheiro que Maria, mas tem uma metodologia diferente porque ele tem um "dom": ele consegue prever e acertar os momentos exatos para entrar no mercado nos pontos de mínimas entre duas altas e, sendo assim, ele "guarda" o dinheiro enquanto espera pelos momentos precisos para entrar. Ah, eles investem por 40 anos e, depois que eles compram, nunca mais vendem os investimentos.

Existem muitas janelas de 40 anos e, assim, inúmeros cenários diferentes para os retornos de Maria e João, desde aquelas que começam em 1929 e terminam em 1969; até as que começam em 1979 e terminam em 2019.

Para surpresa de muitos, os resultados do estudo mostram que, em 70% dos cenários, a estratégia de Maria entrega um retorno maior do que a de João, apesar do seu incrível dom; e se o João errasse por dois meses o ponto exato de entrada, durante os 40 anos, a vantagem de Maria passa a ser em 97% dos cenários.

A conclusão do estudo é que "se você tentar acumular dinheiro e comprar no próximo ponto mínimo, provavelmente estará em pior situação do que se tivesse comprado todos os meses. Por quê? Porque enquanto você espera pela próxima queda, é provável que o mercado continue subindo e te deixe para trás".

Uma observação interessante do estudo é que, apesar das estratégias, o fator mais importante para o retorno total é o desempenho do próprio mercado, sobre o qual não temos nenhuma gerência. Assim, uma estratégia melhor em um mercado pior terá um retorno abaixo do que o de uma estratégia pior em um mercado melhor.

Mesmo assim, a parte que nos cabe e sobre a qual podemos agir é a escolha de nossa forma de investir e, neste tópico, claramente manter a disciplina e não tentar adivinhar para que lado vai o mercado é a melhor opção.

Afinal, mesmo se tivéssemos um "dom" como o do João, provavelmente teríamos um retorno menor do que a disciplinada e focada Maria, que não perde tempo acompanhando o mercado e foca no que consegue controlar: gastar menos dinheiro do que ganha.

Minha sugestão? Foque no que controla, do mesmo jeito que faz Maria, deixe a ansiedade de lado e não acompanhe o mercado tão de perto para não tomar decisões emocionais. Além disso, tenha fornecedores de investimento profissionais e nos quais confia, com interesses alinhados aos seus. Boas escolhas!

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL