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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Quase 70 empresas desistiram de entrar na Bolsa neste ano; a maré mudou?

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Gabriela Mosmann

Gabriela Mosmann

É mestre em finanças e analista de investimentos CNPI na casa de análises @SunoResearch

08/11/2021 04h00

Nos últimos anos observamos uma mudança de 180 graus em praticamente todos os aspectos das nossas vidas. Muito devido à pandemia, mas também ao momento pós-crise econômica. De forma simplificada, em aproximadamente cinco anos vivemos topos e vales no mercado, ciclos econômicos que levariam décadas em poucos meses.

Podemos dizer que os anos entre 2011 a 2015 não foram os melhores para a Bolsa de Valores brasileira. Todavia, muitas empresas conseguiram se desenvolver e crescer mesmo com tantas dificuldades. Empresas listadas que aumentaram suas cotações nesse período, como é o caso das Lojas Renner (LREN3), e outras privadas, sem capital aberto, também seguiram nessa linha.

Muitas empresas de capital fechado evoluíram nesse período, mas optaram por se manterem privadas. Acontece que, em momentos em que a Bolsa de Valores não apresenta retornos positivos por um longo tempo, em conjunto com a situação econômica incerta do país, não é o momento mais atrativo para um IPO.

Leia abaixo o artigo completo.

Um IPO (abertura de empresa na Bolsa) é feito com o intuito de captar recursos em troca de ações da companhia. A companhia vai querer captar o máximo em troca da menor quantidade possível de ações, isso é lógico. Afinal, qualquer pessoa prefere pagar menos por algo ou vender algo pelo maior preço. No momento do IPO as negociações vão estar submetidas à oferta e demanda, ou seja, não basta a empresa querer vender; precisamos de investidores querendo pagar.

Em um mercado em baixa, com a economia deteriorada, é natural que essa demanda por ativos seja menor ou que os investidores estejam dispostos a pagar um preço muito menor. Por outro lado, quando estamos vivendo um momento de crescimento, por expectativas positivas para o futuro, a tendência de a empresa fazer melhores negócios com seus IPOs aumenta.

Em 2019, tivemos um crescimento absurdo nas quantidades de IPOs, corroborado pelo cenário otimista da economia. Em 2020 com o início da pandemia, observamos uma diminuição, mas que voltou com força total na segunda metade do ano.

Mas, se mesmo com toda a incerteza da pandemia, os IPOs não diminuíram, por que então agora? O coronavírus trouxe, sim, muitas incertezas e impactou os mercados do mundo todo, porém aos olhos de muitos o medo inicial logo sumiu, e as conversas eram apenas de quando voltaríamos ao novo normal.

Atualmente estamos em uma situação semelhante, mas também diferente. Ainda vivemos essas incertezas sobre a pandemia, porém o maior medo é político e fiscal. A inflação pressionando, taxas de juros elevados, um risco fiscal latente e um cenário político duvidoso trabalham em conjunto para frear o mercado, ou até mesmo colocá-lo em marcha à ré.

Aproximadamente 70 IPOs já foram cancelados neste ano, sem perspectivas de retomadas. Será que vamos viver novamente o que aconteceu entre os anos 2011 a 2015? Acredito que não, mas esse é, sim, um sinal de que mudanças nas diretrizes econômicas são necessárias.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL