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Se não houver semeadura, não haverá colheita amanhã

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Claudio Felisoni

Claudio Felisoni

Professor Titular da FEA/USP, presidente do Conselho do Labfin.Provar, da FIA, e presidente do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos do Varejo e do Mercado de Consumo)

03/11/2020 04h00

Vivemos para comer ou comemos para viver? Não há dúvida de que a resposta saudável é: comemos para viver. A primeira alternativa revela um vínculo doentio com os alimentos. Do mesmo modo, podemos também ter o mesmo tipo de relação com o dinheiro.

O dinheiro é fundamental. O psicólogo americano Abraham Maslow hierarquizou as necessidades humanas. Maslow construiu uma pirâmide. Nessa figura geométrica, a base é mais larga, e o topo mais estreito. Na base, estão as necessidades fisiológicas, como, respiração, água, alimento etc.

O segundo nível, também essencial, é a segurança, que está evidentemente ligada ao dinheiro. As necessidades fisiológicas e a segurança afetam decisivamente a sobrevivência dos indivíduos.

O dinheiro, portanto, é importante, mas não só para hoje. Precisamos dele hoje e amanhã. É difícil, todos sabemos. As restrições existem e não são realmente pequenas. Mas, a realidade se impõe. Parte da colheita é necessária para o sustento, porém, se não houver semeadura, não haverá colheita amanhã. Se não investirmos, como vamos sobreviver amanhã?

É preciso mudar nosso padrão mental no que diz respeito ao uso do dinheiro: "São os investimentos adequados que criam a riqueza, e não a riqueza que cria necessariamente os investimentos adequados".

É simples de comprovar essa afirmação. Veja quantas empresas simplesmente desapareceram nas últimas décadas. Empresas que não fizeram investimentos adequados. Por outro lado, as empresas que investiram adequadamente criaram riqueza. Basta olhar ao redor. Isso vale naturalmente não apenas para as empresas, mas para os indivíduos.

A riqueza aqui colocada não se refere exclusivamente ao acúmulo substancial de bens materiais. É antes de tudo a criação de condições futuras de sobrevivência dentro de padrões considerados razoáveis pelas diferentes pessoas.

Para que se possa investir, é necessário que se separe uma parte da renda para tal finalidade. Esse esforço antecede evidentemente a identificação das possibilidades de onde aplicar.

Para que sejamos bem-sucedidos temos de ter uma estratégia. Se você quer perder peso, vai precisar de um plano. Precisará saber quanto de peso quer perder e em quanto tempo. Além disso, será necessário acompanhar o processo. Em outras palavras, você precisará monitorar o que está fazendo.

Para que esse acompanhamento seja possível, você terá de fazer o que uma empresa faz: orçamento. Ele deve permitir que seus objetivos sejam alcançados. Aí vai uma dica: tenha um objetivo mais distante, mas estabeleça metas curtas. Não se corre uma maratona sem que antes sejamos capazes de correr mil metros.

Quanto do orçamento devemos poupar? Essa não é uma questão simples. Em princípio, uma ideia geral seria aproximadamente entre 20% e 30% da renda, para investimentos e pagamento de dívidas. É claro que isso vai depender da renda e das condições da economia.

Se a renda for muito baixa não será possível considerar esses percentuais. Mas, se o indivíduo estiver consciente da necessidade de poupar, poderá conseguir driblar, pelo menos em parte, os diversos apelos para que gaste. Em breve, em um próximo artigo, vamos mostrar como isso é possível controlando os impulsos consumistas.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.