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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

4 alertas para você não perder dinheiro ao investir na Bolsa pela 1ª vez

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Sílvio Crespo

Sílvio Crespo é sócio do Grana, aplicativo que automatiza o IR de investimentos na Bolsa. Como jornalista de economia, ganhou diversos prêmios, inclusive o de melhor blog de economia do Brasil, concedido pela Case New Holland, pelo antigo blog Achados Econômicos, no UOL. Paralelamente, hoje cursa psicologia na USP.

23/07/2021 04h00

Se você está começando a investir na Bolsa, minha sugestão é ficar atento a esses quatro pontos que vou listar. Tenha certeza de que ao saber disso você vai evitar dores de cabeça, perda de dinheiro e talvez alguns momentos de raiva.

A lista foi feita com base na minha própria experiência e na de alunos do meu antigo curso de investimentos para aposentadoria. Leia abaixo.

1. O assessor de investimentos "gratuito" tem um preço

Conheço pessoas que confiam cegamente no seu assessor de investimentos, o profissional que, em nome da corretora, ajuda o investidor aparentemente sem cobrar nada.

O problema é que o assessor, cuja denominação oficial é "agente autônomo de investimentos" (AAI), é uma pessoa que representa os interesses da corretora nas relações com o cliente.

O AAI ganha mais quando seus clientes investem em determinados fundos do que quando eles aplicam, por exemplo, no Tesouro Direto.

Ou seja, na prática o assessor é um vendedor de investimentos, interessado em encaixar o cliente dentro dos interesses da corretora, e não o contrário.

Nada errado em trabalhar dessa forma. Apenas o cliente deve ter ciência de que existe esse conflito de interesse e, assim, buscar uma segunda opinião, de uma figura independente, antes de aceitar qualquer sugestão.

Se o seu assessor quer ter uma relação de confiança com você, experimente perguntar quanto ele ganha com cada fundo que ele indica e quanto ganha se você investir no Tesouro Direto.

2. O atendimento da corretora importa muito

Hoje muitas corretoras fazem atendimento 100% online e 0% por telefone. Minha sugestão é que você teste ao menos três instituições diferentes antes de investir. Faça todas as perguntas que você deseja e não dê um passo sem estar totalmente seguro do que está fazendo.

Se o atendimento estiver mais ou menos, não caia no "vai essa mesmo". Recentemente eu vivi uma situação kafkiana com uma corretora digital que você certamente não vai querer viver também.

Além de você mesmo testar, vale a pena dar uma olhada na nota do aplicativo da corretora na Play Store ou App Store e no ranking de reclamações do Banco Central.

3. O primeiro investimento deve ser baixo

Tem gente que está há meses ou anos pensando em investir na Bolsa e não começa nunca. O motivo é que a pessoa nunca está suficientemente segura.

Se você está nesse grupo, não se preocupe, porque esse medo é normal, mesmo. Para superar, a única coisa que você precisa fazer é começar com uma quantia baixa, ou mesmo irrisória, apenas para entender a dinâmica do negócio.

Existem também as pessoas que separam uma certa quantia para investir na Bolsa e colocam todo esse dinheiro de uma vez.

Qual é o problema disso? O problema é que, se suas ações começarem a cair no dia seguinte, você não dorme mais.

A saída é investir em parcelas. Se você quer colocar na Bolsa 20% do seu dinheiro, comece colocando 5% ou menos. Espere alguns dias. Se começar a cair, você vai ficar feliz, pois poderá fazer o segundo aporte por um preço mais baixo.

Se subir, você também tenderá a ficar satisfeito - afinal, o seu primeiro investimento já se valorizou. No fundo, o que você está fazendo é diluir o seu risco ao longo do tempo, de modo a poder dormir mais tranquilo.

4. O risco é de perder todo o dinheiro e mais um pouco

Sim, é possível perder mais do que o total que você investiu. Dependendo da operação, você pode aportar R$ 1.000, ficar sem nada e ainda ganhar uma dívida.

Isso acontece em operações de derivativos, como mercado futuro e opções, além de negociações a descoberto (quando você vende um ativo que não tem).

Para garantir que não vai cair nessa certifique-se de só fazer operações no mercado à vista. Exemplos de operações à vista são a compra e a venda de ações e fundos de investimento imobiliário.

Mas note que, quando você vende um ativo, o dinheiro só cai na sua conta corrente dias depois. Não caia no erro de tentar vender de novo no dia seguinte só porque o sistema ainda não deu baixa na sua operação.

Se fizer isso, você estará vendendo a descoberto, o que equivale, nesse caso, a jogar cara ou coroa apostando muito dinheiro.

Preparado?

E aí, está se sentindo mais seguro para começar? Se tem dúvidas sobre investimentos, mande um e-mail para uoleconomiafinancas@uol.com.br. As perguntas mais comuns poderão ser respondidas futuramente na minha coluna.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL