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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Bolsa caindo é ruim? Veja 8 ações que dispararam após a última grande queda

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Sílvio Crespo

Sílvio Crespo é sócio do Grana, aplicativo que automatiza o IR de investimentos na Bolsa. Como jornalista de economia, ganhou diversos prêmios, inclusive o de melhor blog de economia do Brasil, concedido pela Case New Holland, pelo antigo blog Achados Econômicos, no UOL. Paralelamente, hoje cursa psicologia na USP.

20/08/2021 04h00

A Bolsa de Valores vem registrando queda atrás de queda nas últimas semanas, principalmente nos últimos dias. Desde o início de junho, a perda acumulada está em torno de 10%.

Essa é uma situação que tipicamente deixa marinheiros de primeira viagem inseguros. Mas você sabia que as quedas generalizadas da Bolsa costumam ser os melhores momentos para comprar ações de boas empresas? Abaixo, você vai ver oito exemplos de papéis que dispararam desde o tombo de março de 2020, no início da pandemia de covid-19.

1. Banco Inter (BIDI11): +563%

Os papéis do Banco Inter (negociados com o código BIDI11) vinham crescendo fortemente até janeiro de 2020. Dois meses depois, com a chegada dos primeiros casos de covid-19 no Brasil, a empresa despencou quase 50% na Bolsa.

No entanto, quatro meses depois da queda, em julho de 2020, esses papéis já haviam recuperado o valor inicial e, a partir daí, iniciaram uma tendência de forte alta. Desde março do ano passado até o dia 19 de agosto deste ano, a alta acumulada por BIDI11 é de 563%.

2. Braskem (BRKM5): +369%

A petroquímica Braskem é um caso típico de empresa que virou oportunidade de investimento devido à queda generalizada da Bolsa.

As ações da companhia caíram 69% entre janeiro e março do ano passado. Porém trata-se de uma indústria que não seria tão afetada pela pandemia, como os setores aéreo e hoteleiro, por exemplo.

Essa perda, portanto, não estava ligada diretamente a um risco relacionado à companhia, e sim à onda de pânico que tomou conta do mercado quando a covid-19 chegou ao Brasil.

3. BTG Pactual (BPAC11): +266

O banco BTG Pactual está com uma trajetória mais parecida com a do Banco Inter do que com a da Braskem.

As ações do BTG já vinham crescendo com força antes da pandemia. Em março do ano passado, caíram 62%. Em julho, já tinham se recuperado e depois foi praticamente só alta, até o início dessa queda mais recente.

De qualquer maneira, os papéis do BTG acumulam uma alta de 266% desde março de 2021.

4. Vale (VALE3): +178%

A Vale é mais um caso típico de empresa que teve uma queda na Bolsa por motivos que não têm nada a ver com ela.

Apesar de a pandemia não afetar diretamente o mercado de minério de ferro, as ações da mineradora caíram 38% de janeiro a março de 2020.

Em poucos meses os papéis já tinham recuperado quase totalmente o valor e hoje acumulam uma alta de 178% desde então.

5. Bradespar (BRAP4): +163%

A Bradespar é o braço do Bradesco que investe em ações de outras empresas. Atualmente, a companhia concentra seus investimentos em ações da Vale, por isso o percentual de variação muito próximo ao da mineradora.

6. Azul (AZUL4): +147%

A companhia aérea Azul é um dos poucos casos que não se recuperaram da pandemia. Apesar de ter subido 147% desde março do ano passado, ainda não atingiu o patamar da época anterior à covid-19.

O setor aéreo foi atingido em cheio desde a chegada da pandemia ao país. O fato de não ter se recuperado ainda pode ser um sinal de que existe espaço para subir conforme a pandemia seja controlada.

Mas é preciso ficar de olho no seguinte: com a covid-19, as pessoas se acostumaram a fazer reuniões e até grandes eventos remotamente. Esse comportamento, se continuar, pode atrapalhar a recuperação da companhia.

7. Magazine Luiza (MGLU3): +143%

Um dos maiores fenômenos da Bolsa nos últimos tempos, o Magazine Luiza se recuperou da pandemia rapidamente.

Em maio de 2020 a empresa já tinha zerado suas perdas e hoje acumula uma alta de 143% em relação a março do ano passado.

Parte da recuperação da companhia decorre do fato de que ela é cada vez mais forte no segmento online, que não é tão atingido pela pandemia quanto o comércio de rua ou shopping.

8. Weg (WEGE3): +119%

Para a fabricante de motores Weg, a pandemia foi um pequeno soluço na sua trajetória de alta.

Os papéis da empresa vinham subindo fortemente desde pelo menos 2019. Com a covid-19, caíram 35%. A recuperação foi bastante rápida e hoje as ações da Weg acumulam uma alta de 119% desde março de 2020.

Então é bom quando a Bolsa cai?

A queda da Bolsa é certamente ruim para muita gente e em geral é um reflexo de problemas econômico-financeiros do país ou do mundo.

Muitas vezes está ligada ao desemprego, à quebra de empresas ou a uma pandemia, como foi o caso do ano passado. Desse modo, não há o que comemorar.

Isso posto, é importante saber que quando ocorre uma queda generalizada no mercado de ações, muita gente vende seus papéis sem pensar muito, de modo que eles acabam caindo além da conta.

Assim, quem compra esses ativos na queda ajuda a dar liquidez ao mercado, assume um risco que no momento pouca gente está disposta a assumir e acaba tendo um retorno excepcionalmente alto.

Só é preciso tomar cuidado porque não são todas as empresas que se recuperam rapidamente.

Uma estratégia muito comum, da qual sou adepto, consiste em estudar as empresas, escolher algumas que considero boas, para então comprá-las após uma queda geral da Bolsa.

Em tempo: este texto não é uma recomendação de compra nem de venda. Os dados foram citados apenas para ilustrar o movimento do mercado após um momento de baixa significativa.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL