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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Poupança, Tesouro Selic, CDB: onde investir a reserva de emergência agora?

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Sílvio Crespo

Sílvio Crespo é sócio do Grana, aplicativo que automatiza o IR de investimentos na Bolsa. Como jornalista de economia, ganhou diversos prêmios, inclusive o de melhor blog de economia do Brasil, concedido pela Case New Holland, pelo antigo blog Achados Econômicos, no UOL. Paralelamente, hoje cursa psicologia na USP.

29/10/2021 04h00

A reserva de emergência é o dinheiro que todo mundo precisa ter se não quiser ou não puder depender da ajuda de terceiros. É uma proteção contra dificuldades financeiras que podem surgir ao longo da vida, como perda do emprego, necessidade de gastos extraordinários com saúde, etc.

Mas onde guardar a reserva de emergência, considerando que todos os investimentos de baixo risco, atualmente, estão perdendo para a inflação?

Na coluna de hoje, eu conto onde eu aplico meu dinheiro para emergência e apresento também outras possibilidades que considero adequadas para o momento.

Como deve ser um investimento para a reserva de emergência?

Em primeiro lugar, é preciso saber quais devem ser as características de uma aplicação financeira para que ela cumpra a função de reserva de emergência.

Bom, se é para emergência, logicamente precisa ser um investimento de baixo risco e que você possa resgatar a qualquer momento.

Existem basicamente quatro tipos de investimentos com essas características:

  • a poupança;
  • os fundos DI;
  • o Tesouro Selic;
  • os CDBs.

Nenhuma dessas opções seria ruim se não fosse um detalhe: nenhuma delas rende 10% ao ano, que foi a inflação aproximada dos últimos 12 meses.

Ou seja, colocando o dinheiro em qualquer uma dessas modalidades você perderá alguma coisa. Sendo assim, veja abaixo a saída que eu utilizo e pense se faz sentido para o seu caso.

Onde invisto 30% da minha reserva de emergência

Hoje, eu divido minha reserva em duas partes. Uma parte (cerca de 30% dela), eu deixo em um fundo de investimento do tipo DI.

O motivo é a praticidade. Quando eu peço o resgate em horário comercial, o dinheiro cai na minha conta corrente imediatamente, em segundos.

Poderia deixar também no Tesouro Selic. Porém, o meu banco oferece um fundo DI com taxa de administração de apenas 0,3% ao ano.

Se você não tem acesso a um fundo com uma taxa igual ou inferior a essa, o mais vantajoso acaba sendo o Tesouro Selic, desde que o seu banco ou corretora não cobre tarifas por essa aplicação.

Caso ele tenha esse custo, a solução vai acabar sendo a poupança mesmo.

Onde invisto os 70% restantes

Pelo fato de as aplicações de baixo risco estarem todas perdendo para a inflação, eu deixo uma parte considerável da minha reserva de emergência em CDBs atrelados ao IPCA (o índice oficial de inflação do país).

Se você contar isso a um educador financeiro, ele provavelmente vai me criticar muito. Afinal, a reserva de emergência precisa estar em uma aplicação em que você tenha chance zero de perder dinheiro, certo?

Em um mundo ideal eu diria que sim, certo. Mas, neste momento econômico, em que os investimentos de emergência perdem para a inflação em três pontos percentuais ou mais, deixar o dinheiro lá significa, necessariamente, perder uma parte dele.

Já se você deixar num CDB atrelado a algum índice de preços, como o IPCA, ao menos você terá a chance de superar a inflação.

Por que a maior parte em CDB?

O investimento em CDB atrelado à inflação, em geral, não tem liquidez diária. Você só consegue resgatar no vencimento, que costuma ser em dois anos ou mais, contados do dia em que você aplicou.

Porém, se for muito necessário, você pode vender o título no mercado. Nesse caso, você provavelmente vai perder parte do seu rendimento.

Mas veja: no fundo DI ou no Tesouro Selic, você já perderia de qualquer maneira, por não acompanhar a inflação!

E lembre-se de que a reserva de emergência é para emergência. A ideia é que você não precise resgatar nunca. E aí, você vai deixar o seu dinheiro perdendo para a inflação durante três, quatro ou cinco anos seguidos?

Por isso, eu deixo cerca de 30% em uma aplicação de baixíssimo risco, que perde para a inflação (o fundo DI), e os outros 70% estão em CDBs que vencem em abril do ano que vem.

Se algo acontecer e eu precisar resgatar antes disso, paciência, é do jogo. Vou perder parte do meu rendimento.

Mas será uma parte pequena, cerca de 10% do valor total, que é bem menos do que já rendeu até agora. No caso, esse CDB rende IPCA mais 7,2% ao ano.

Resumindo

O que você investir em fundo DI, poupança ou Tesouro Selic muito provavelmente será corroído, em parte, pela inflação.

Já o que você colocar em um título atrelado a um indicador de preço será corroído se por acaso você resgatar antes do prazo, mas certamente não será se você conseguir esperar até o fim.

Fica a seu critério escolher o que é melhor para você. Eu deixo 70% em CDB atrelado à inflação porque a data de vencimento, nesse caso, está próxima. Fosse um prazo mais longo, de dois anos ou mais, eu deixaria menos de 50%.

Se quiser saber mais sobre como eu invisto, ou se quiser tirar alguma dúvida, envie um e-mail para uoleconomiafinancas@uol.com.br. Sua pergunta pode se tornar tema desta coluna no futuro!

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL