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1,06 Abr.2022
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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Com juros altos, já dá para se aposentar investindo em Tesouro Direto?

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Sílvio Crespo

Sílvio Crespo é sócio do Grana, aplicativo que automatiza o IR de investimentos na Bolsa. Como jornalista de economia, ganhou diversos prêmios, inclusive o de melhor blog de economia do Brasil, concedido pela Case New Holland, pelo antigo blog Achados Econômicos, no UOL. Paralelamente, hoje cursa psicologia na USP.

18/02/2022 04h00

Qual é o melhor investimento (e mais seguro) para complementar a aposentadoria? Foi a pergunta recebida de um leitor. Veio-me à cabeça, imediatamente, o Tesouro Direto, e lembrei que os juros subiram drasticamente nos últimos 12 meses. A taxa básica de juros (Selic) pulou de 2% ao ano, em fevereiro do ano passado, para os atuais 10,25%. Será, então, que os investimentos conservadores voltaram a ser atraentes para a aposentadoria?

Para responder a essa pergunta, veja abaixo o quanto o investidor deveria ter em títulos do Tesouro, nas condições atuais, para receber uma renda média de R$ 2.000, R$ 5.000 ou R$ 10 mil por mês.

Renda mensal de R$ 2.000

Para ter uma renda mensal média de R$ 2.000, atualmente seria necessário ter R$ 606 mil aplicados no título Tesouro IPCA com Juros Semestrais 2055. Esse é o rendimento líquido real projetado, ou seja, já desconta a inflação e o Imposto de Renda.

É importante ter em mente que nenhum título do Tesouro paga juros mensalmente, mas apenas semestralmente. Dessa forma, a projeção de R$ 2.000 por mês nada mais é do que a média mensal de um ganho semestral aproximado de R$ 12 mil.

Outro ponto que vale citar é que esse é o valor que você poderia gastar (R$ 2.000 por mês) sem reduzir o valor total aplicado. Respeitando esse limite, os R$ 606 mil seriam eternamente corrigidos pela inflação, assim como o valor que você despender mensalmente.

Claro que esses são dados teóricos. A inflação e os juros mudam o tempo todo. Mas o exercício de imaginar quanto você poderia gastar por mês sem reduzir o poder de compra do investimento total é importante para entender para onde o Tesouro Direto está apontando neste momento. Você sabe que, com R$ 600 mil, você não conseguiria muito mais nem muito menos do que R$ 2.000 por mês nas condições atuais.

Renda mensal de R$ 5.000 a R$ 10 mil

Se quiser obter R$ 5.000 a mais por mês, seria necessário ter hoje um total de R$ 1,52 milhão nos mesmos títulos do Tesouro.

Já se o objetivo for uma renda mensal média de R$ 10 mil com esses papéis, seria preciso manter nada menos do que R$ 3 milhões em Tesouro Direto.

Nas simulações, é considerada uma inflação de 5,5% ao ano, que é a projeção para 2022 de analistas consultados pelo Banco Central. Se a inflação superar essa marca, o rendimento real do título analisado será menor.

Não desanime!

Imagino que esses dados possam ter desanimado você. Afinal, quem tem aplicações de R$ 1,51 milhão em geral está acostumado a gastar bem mais do que R$ 5.000 por mês, por exemplo. E quem ganha R$ 2.000 por mês terá dificuldade para juntar o valor de R$ 606 mil, mesmo ao longo de muitos anos.

Mas, a meu ver, não é o caso de desanimar, e sim de começar a pensar em alternativas de investimento. Eu, por exemplo, há muito tempo não invisto mais em Tesouro para aposentadoria. Prefiro ações e fundos de investimento imobiliário (FIIs).

Dependendo do FII que você escolher, seria necessário ter apenas R$ 250 mil para uma renda mensal de R$ 2.000; ou R$ 1,25 milhão para R$ 10 mil mensais, aproximadamente.

FIIs e ações são aplicações mais arriscadas, mas, fazendo boas escolhas, é possível reduzir riscos e, assim, conseguir um complemento melhor para a aposentadoria.

Alguma dúvida?

Se você tem alguma dúvida sobre esta coluna ou investimentos em geral, mande para mim pelo meu grupo no Telegram. Sua pergunta poderá ser tema desta coluna em breve!

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.