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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Magalu e Petrobras: duas ações com espaço para crescer

Loja do Magazine Luiza: empresa é melhor aposta do comércio eletrônico, diz analista - Divulgação
Loja do Magazine Luiza: empresa é melhor aposta do comércio eletrônico, diz analista Imagem: Divulgação
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Felipe Bevilacqua

14/05/2021 08h32

No Investigando o Mercado de hoje, vamos conversar sobre os resultados apresentados ontem (13) pelo Magalu (MGLU3) e pela Petrobras (PETR4), após o fechamento do mercado.

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Confira a seguir a análise de Felipe Bevilacqua, analista e sócio-fundador da casa de análise Levante Ideias de Investimento. Todos os dias, Bevilacqua traz notícias e análises de empresas de capital aberto para você tomar as melhores decisões de investimentos. Este conteúdo é exclusivo para os leitores de UOL Economia+. Conheça os recursos do serviço de orientação financeira UOL Economia+, para quem quer investir melhor.

Magazine Luiza: resultados excelentes

O Magazine Luiza (MGLU3) manteve, no primeiro trimestre de 2021, o ritmo forte de crescimento visto ao longo do ano passado. Os principais destaques positivos foram: i) crescimento de vendas em todos os canais, em especial no físico e no varejo digital direto (1P); ii) taxa de crescimento de vendas online três vezes superior à do mercado, o que significa ganhos de participação (market share) e iii) crescimento de 56,0% do Ebitda ajustado.

As vendas brutas totais somaram R$ 12,4 bilhões, 62,8% a mais que no mesmo período de 2020. Com isso, a receita líquida atingiu R$ 8,2 bilhões, aumento de 57,7% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

O lucro líquido ajustado foi de R$ 81,5 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 8 milhões no mesmo período do ano passado, com o início da pandemia. O grande destaque do resultado foi o varejo físico, cujas vendas cresceram 3,7%. O número ganha relevância quando comparado ao da Via (VVAR3), que apresentou queda de 9,6%.

No varejo digital direto (1P), o crescimento das vendas foi de 121,5%. O marketplace (3P) cresceu 98%. Segundo dados da consultoria E-bit, o mercado de e-commerce como um todo cresceu 38% no mesmo período. O Magalu segue como o principal nome do e-commerce no Brasil. Tem a melhor logística e, em nossa visão, a estratégia de longo prazo mais interessante.

Petrobras: resultados fortes, mas desconfiança persiste

Os resultados da Petrobras (PETR3/PETR4) também vieram fortes, com rentabilidades em patamares altos no primeiro trimestre e, desta vez, sem efeitos de eventos não-recorrentes.

O destaque foi novamente o segmento de Exploração e Produção. O custo de extração foi reduzido com a evolução de eficiência nos custos dos campos terrestres e águas profundas. O pré-sal continua com custo de extração baixíssimo, comparado aos melhores produtores mundiais, em US$ 2,7 por barril, sem considerar os afretamentos e participação governamental. A receita líquida consolidada ficou em US$ 15,7 bilhões, crescimento de 12,8% em relação ao trimestre anterior e queda de 8,4% na comparação anual.

A geração de caixa livre da companhia alcançou US$ 5,6 bilhões por mais um trimestre, relativamente estável na comparação com o mesmo período do ano passado e o trimestre imediatamente anterior. A dívida bruta foi reduzida em US$ 4,6 bilhões no trimestre, encerrando o primeiro trimestre em US$ 70,9 bilhões. A Petrobras já realizou mais uma amortização antecipada de US$ 3,2 bilhões em abril, o que reduz o patamar atual de endividamento bruto para US$ 67,7 bilhões, bem próximo aos US$ 63 bilhões exigidos para liberar pagamentos de dividendos extraordinários da companhia.

A Petrobras mais uma vez mostrou resultados do turnaround implementado ao longo dos últimos anos. A reação deve ser positiva para as ações PETR3/PETR4 no curto prazo.

Em um horizonte mais longo, porém, pairam algumas preocupações. A empresa está sujeita novamente a intervenções do governo e uso como instrumento político, como ocorreu entre 2010 e 2016. A equipe que realizou grande parte das mudanças estruturais positivas debandou com a saída do último CEO, Roberto Castello Branco.

O desafio do novo CEO, general Silva e Luna, será equilibrar os preços dos combustíveis para evitar pressões. O câmbio alto e os preços crescentes do petróleo dificultam a tarefa. O governo e o próprio general afirmam que respeitarão os mecanismos de mercado e precificação da Petrobras. Preocupa, porém, a declaração de que a companhia tem uma "função social" a cumprir. Os preços de paridade internacional (PPI) ainda estão defasados.

Se a nova gestão for capaz de manter o que foi feito até aqui, a estatal não deve ter dificuldades para reduzir endividamento, gerar caixa e voltar a pagar dividendos. O preço das ações, atualmente muito descontadas devido ao risco de ingerência, tem espaço para subir. Mas só depois que o mercado superar a desconfiança com as mudanças recentes.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL